Estudos para Reflexão

Estudo da Semana: Pragmatismo, um dos maiores inimigos da Igreja

Estou convencido de que o pragmatismo apresenta precisamente a mesma sutil ameaça para a igreja em nosso tempo que o modernismo representou há quase um século.

O Modernismo foi um movimento que abraçou a chamada alta crítica e a teologia liberal enquanto negava quase todos os aspectos sobrenaturais do Cristianismo. Mas o modernismo não se apresentou primeiramente como um ataque evidente à doutrina ortodoxa. Os modernistas mais antigos pareciam preocupados principalmente com a unidade interdenominacional. Eles estavam dispostos a subestimar a doutrina em prol daquela meta, porque eles acreditavam que a doutrina era inerentemente divisionista e que uma igreja fragmentada seria irrelevante nos tempos modernos. Para aumentar a relevância do Cristianismo, os modernistas procuraram sintetizar ensinos cristãos com os mais recentes insights da ciência, filosofia, e crítica literária.
“É freqüentemente esquecido que o alvo dos primeiros modernistas simplesmente era tornar a igreja mais “moderna”, mais unificada, mais relevante, e mais aceitável para uma cética era moderna.”

Modernistas viam a doutrina como um assunto secundário. Eles enfatizavam a fraternidade e a experiência e minimizavam as ênfases nas diferenças doutrinárias. Doutrina, eles acreditavam, deveria ser fluida e adaptável – certamente não alguma coisa pela qual valha e pena lutar. Em 1935 John Murray fez esta avaliação do modernista típico:

“O modernista muito freqüentemente orgulha-se na suposição de que ele se preocupa com a vida, com os princípios de conduta e com a colocação em prática dos princípios de Jesus em todas as áreas da vida: individual, social, eclesiástica, trabalhista e política. Seu slogan tem sido que o Cristianismo é vida, não doutrina, e ele pensa que a ortodoxia Cristão ou fundamentalista, como ele gosta de chamar, simplesmente está preocupada com a conservação e perpetuação de dogmas desgastados de convicção doutrinária, uma preocupação que faz da ortodoxia, na opinião dele, uma petrificação fria e inanimada do cristianismo. ["A Santidade da Lei Moral", Escritos Selecionados de John Murray 4 vols. (Edimburgo: Banner of Truth, 1976), 1:193.]

Quando os precursores do modernismo começaram a surgir no fim do século XIX, poucos cristãos ficaram preocupados. As controvérsias mais quentes naqueles dias eram reações relativamente pequenas contra homens como Charles Spurgeon – homens que estavam tentando advertir a igreja sobre a ameaça que pairava sobre ela. A maioria dos cristãos – particularmente líderes das igrejas – não estavam nem um pouco abertos para tais advertências. Afinal de contas, não era como se estranhos estivessem impondo ensinos novos na igreja; estas eram pessoas de dentro das denominações – e grandes estudiosos do assunto. Certamente eles não tinham nenhum plano para arruinar o núcleo da teologia ortodoxa ou atacar o próprio coração do cristianismo. Divisionismo e cisma pareciam perigos muito maiores que a apostasia.

Mas quaisquer que tenham sido os motivos dos modernistas no princípio, as idéias deles representaram uma ameaça séria à ortodoxia, como a história provou. O movimento gerou ensinos que dizimaram praticamente todas as principais denominações na primeira metade do século XX. Subestimando a importância da doutrina, o modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico, o relativismo moral, e a acentuada incredulidade . A maioria dos evangélicos hoje tende a comparar a palavra “modernismo” com a negação completa da fé. É freqüentemente esquecido que o alvo dos primeiros modernistas simplesmente era tornar a igreja mais “moderna”, mais unificada, mais relevante, e mais aceitável para uma cética era moderna.

“No entanto, se a história de igreja nos ensina alguma coisa, ela ensina que as agressões mais devastadoras contra a fé sempre começaram com erros sutis que surgem de dentro.”

O alvo é o mesmo dos pragmatistas de hoje.

Como a igreja de cem anos atrás, nós moramos em um mundo de mudanças rápidas – grandes avanços na ciência, na tecnologia, na política mundial, e na educação. Como os irmãos daquela geração, os cristãos hoje estão abertos, até mesmo ansiosos, por mudanças na igreja. Como eles, nós ansiamos por unidade entre os crentes. E como eles, somos sensíveis à hostilidade de um mundo incrédulo.

Infelizmente, há pelo menos um outro paralelo entre a igreja de hoje e a igreja do fim do século dezenove: muitos cristãos parecem completamente inconscientes – se não pouco dispostos a enxergar – que sérios perigos ameaçam a igreja, vindo de dentro. No entanto, se a história de igreja nos ensina alguma coisa, ela ensina que as agressões mais devastadoras contra a fé sempre começaram com erros sutis que surgem de dentro.

Vivendo em uma era instável, a igreja não pode se dar ao luxo de ficar vacilando. Ministramos a pessoas desesperadas por respostas, e não podemos minimizar a importância da verdade ou atenuar o Evangelho. Se nos tornamos amigos do mundo, posicionamo-nos como inimigos de Deus. Se confiamos em dispositivos mundanos, automaticamente renunciamos ao poder do Espírito Santo.

Essas verdades são repetidamente afirmadas na Bíblia: “Não sabeis que a amizade do mundo é inimizade com Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tg 4:4). “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1 Jo. 2:15).

“Não há rei que se salve com a grandeza de um exército; não há valente que se livre pela muita força. O cavalo é vão para a segurança; não livra a ninguém com a sua grande força.” (Ps. 33:16, 17). “Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro, que se estribam em cavalos, e têm confiança em carros, porque são muitos, e nos cavaleiros, porque são poderosíssimos, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor.” (Is 31:1). “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” (Zc. 4:6).

O mundanismo ainda é um pecado?

Mundanismo é até mesmo raramente mencionado hoje, muito menos identificado pelo que realmente é. A própria palavra está começando a soar esquisita. Mundanismo é o pecado da pessoa permitir que seus apetites, ambições, ou conduta sejam moldados de acordo com valores terrestres. “Pois tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1 Jo. 2:16, 17).

Entretanto hoje nós vemos o extraordinário espetáculo dos programas de igreja projetados explicitamente para suprir o desejo carnal, apetites sensuais, e o orgulho humano; “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.” Para alcançar esse apelo mundano, as atividades da igreja vão freqüentemente além do meramente frívolo. Durante vários anos um colega meu tem colecionado um “arquivo de horrores” com recortes que informam como igrejas estão empregando inovações para impedir que os cultos de adoração tornem-se tediosos. Na última meia década, algumas das maiores igrejas evangélicas dos Estados Unidos empregaram esquemas mundanos como comédias “pastelão”, shows de variedades, exibições de luta livre, e até mesmo strip-tease simulado, para apimentar as suas reuniões de domingo. Nenhum tipo de grosseria, ao que parece, é ultrajante demais para ser trazido ao santuário. O entretenimento está rapidamente se tornando a liturgia da igreja pragmática.

“Pregar a Palavra e corajosamente confrontar o pecado são vistos como meios arcaicos, ineficazes de ganhar o mundo. Afinal de contas, essas coisas na verdade afugentam a maioria das pessoas.”

Além disso, muitos na igreja acreditam que este é o único meio de alcançarmos o mundo. Se as multidões de sem-igreja não querem hinos tradicionais e pregação bíblica, dizem-nos, temos que lhes dar o que eles querem. Centenas de igrejas seguiram precisamente essa teoria, chegando ao ponto de promover pesquisas entre os incrédulos para aprender o que os levaria a comparecerem.

Sutilmente o alvo maior vem se tornando a freqüência à igreja e a aceitação por parte do mundo em vez de uma vida transformada. Pregar a Palavra e corajosamente confrontar o pecado são vistos como meios arcaicos, ineficazes de ganhar o mundo. Afinal de contas, essas coisas na verdade afugentam a maioria das pessoas. Por que não atraí-las ao aprisco oferecendo o que elas querem, criando um ambiente amigável, confortável, e suprindo exatamente aqueles desejos que são os mais prementes? Como se pudéssemos fazer com que eles aceitem Jesus tornando-O de alguma forma mais agradável ou fazendo a mensagem dEle menos ofensiva.

Esse tipo de pensamento provoca um grave desvio na missão da igreja. A Grande Comissão não é um manifesto de marketing. Evangelismo não requer vendedores, mas profetas. É a Palavra de Deus, não alguma sedução terrena, que planta a semente para o novo nascimento (1 Pe 1:23). Nós ganhamos nada mais que o desprazer de Deus se buscamos remover a ofensa da cruz (Gl 5:11).

Toda inovação é errada?

Por favor não entendam mal minha preocupação. Não é à inovação em si que eu me oponho. Eu reconheço que estilos de adoração estão sempre em transformação. Também percebo que se o Puritano típico do décimo sétimo século entrasse na Grace Community Church (onde eu sou o pastor) ele poderia ficar chocado com nossa música, provavelmente espantado por ver homens e mulheres sentados juntos, e muito possivelmente perturbado por nós usarmos um sistema de alto-falantes para falar à igreja. O próprio Spurgeon não apreciaria nosso órgão. Mas eu não sou a favor de uma igreja estagnada. Não estou preso a nenhum estilo musical ou litúrgico em particular. Essas coisas por si só são assuntos que as Escrituras sequer abordam. Também não penso que minhas preferências pessoais em tais assuntos são necessariamente superiores às preferências de outros. Não tenho nenhum desejo de fabricar algumas regras arbitrárias que governam o que é aceitável ou não em cultos da igreja. Fazer assim seria a essência do legalismo.

“Eu creio que é anti-bíblico elevar o entretenimento acima da pregação e da adoração no culto da igreja. E eu me oponho àqueles que acreditam que técnicas de vendas podem trazer as pessoas ao reino mais efetivamente do que um Deus soberano.”

Minha queixa é quanto a uma filosofia que relega a Palavra de Deus a um papel secundário na igreja. Eu creio que é anti-bíblico elevar o entretenimento acima da pregação e da adoração no culto da igreja. E eu me oponho àqueles que acreditam que técnicas de vendas podem trazer as pessoas ao reino mais efetivamente do que um Deus soberano. Essa filosofia abriu a porta para o mundanismo na igreja.

“Não me envergonho do evangelho”, escreveu o apóstolo Paulo (Rom. 1:16). Infelizmente, “envergonhado do evangelho” parece cada vez mais uma hábil descrição de algumas das igrejas mais visíveis e influentes do nosso tempo.

Eu vejo impressionantes paralelos entre o que está acontecendo na igreja hoje e o que aconteceu cem anos atrás. Quanto mais eu leio sobre aquela época, mais a minha convicção é reforçada de que estamos vendo a história se repetir.

John MacArthur

Fonte: Ministério Beréia, via: Púlpito Cristão

Estudo da Semana: 5 sinais de maturidade espiritual

Deixe-me começar dizendo que não é errado para um novo crente ser imaturo, assim como não é errado para uma criança ser infantil.

Infantilidade só é irritante em um adulto. Quando uma criança de quatro anos veste uma capa, uma cueca por sobre a calça, alegando ter visão raio-x, isso é fofo. Quando seu pai faz isso, é preocupante (ou insanidade).

Quando você é um crente por muitos anos, porém, a falta de alguns desses indicadores deve ser preocupante.

Crentes maduros possuem estes 5 indicadores…

1. Um desejo por alimento sólido

É bom aproveitar o leite do evangelho em todas as refeições. Mas alguns cristãos orgulham-se de si mesmos por focar apenas no evangelho, esnobando a oferta de doutrinas mais profundas. O amor pela doutrina pode ser adquirido com o passar do tempo, mas ele sempre estará lá em um crente maduro.

O autor aos Hebreus repreende seus leitores por causa da relutância em mastigar.

Hebreus 5. 11: A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. 12 Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim vos tornastes necessitados de leite e não de alimento sólido. 13 Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. 14 Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.

A refeição de uma criança precisa ir ao liquidificador durante os primeiros meses dela (ou dele). Quando uma pessoa normal de 21 anos pede para a mamãe alimentá-lo com batata amassada, de colher, isso é assustador e disfuncional.

2. Uma impermeabilidade a ofensas pessoais

É raro um crente maduro se sentir ofendido. A ofensa é apropriada ao crente em qualquer ataque à glória de Deus, como quando o zelo pela casa de Deus consumiu Jesus e ele usou um chicote do Indiana Jones na corrupta zona comercial do templo por causa dos animais superfaturados.

Mas um crente maduro não fica pessoalmente ofendido de maneira tão fácil. Eles entendem que quando alguém peca contra eles, há coisas maiores em jogo do que seus próprios direitos pessoais com, por exemplo, a glória de Deus, o relacionamento do outro com Deus, etc.

Veja Paulo. Quando ele já não podia atrair uma multidão (estando preso por causa do evangelho e tal…), pregadores rivais estavam “jogando sal” em suas algemas ao pregar o evangelho em competição com Paulo. Ele não se tornou insolente. Muito pelo contrário, ele parecia animado com a notícia de que o evangelho estava sendo pregado. Isso é maturidade!

Filipenses 1.15: Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; 16 estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; 17 aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulações às minhas cadeias. 18 Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei.

3. Uma consciência informada pelas Escrituras, não por opiniões

Quando você é um novo convertido, é natural ter um pêndulo oscilando em aversão a qualquer coisa associada com o seu antigo estilo de vida. Isso pode ser saudável. Mas, à medida que vai se tornando mais maduro, você vai criando uma visão mais balanceada sobre liberdade. Se Jesus diz que algo está “ok”, então você não vai ficar chateado quando alguns cristãos aproveitam essa liberdade.

Romanos 14.1: Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. 2 Um crê que de tudo pode comer, mas o débil como legumes; 3 quem come não despreze o que não come, e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu.

Eu amo vegetarianos – sobra mais carne pra mim. Porém, quando um crente se abstém da liberdade legal pensando que isso torna-o mais aceitável para Deus, isso é um sinal de imaturidade. Quanto mais você cresce no seu entendimento sobre graça, menos você se incomoda quando as pessoas ignoram normas religiosas feitas por homens. Você pode continuar escolhendo se abster, mas sua consciência não é atormentada pelo conhecimento de que outros cristãos participam do que você evita.

4. Uma sensação de humilde surpresa quando usado por Deus no ministério

Deus usa pecadores para fazer Seu trabalho por uma boa razão: não há mais ninguém para Ele escolher. Alguns pecadores são usados poderosamente. Um crente maduro sempre vai sentir-se humilde por sua eficácia no ministério de Deus. Frequentemente, no entanto, o mesmo privilégio vai inflar o ego de um crente imaturo.

1 Timóteo 3.6: Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.

O pressuposto de Paulo é que um novo convertido – que é mais provável de ser imaturo – quando usado no ministério de Deus, não vai possuir a sensação de surpresa e humildade que são sinais de maturidade.

Compare isso com a própria atitude de Paulo, de que ele é o principal dos pecadores, usado apenas como meio para mostrar a extensão da misericórdia de Deus (1 Tm 1.15). Ele considerava a si mesmo como improvável e inadequado vaso que foi abençoado por abrigar temporariamente o tesouro inestimável dos dons de Deus (2 Co 4.7).

5. Tendência de dar crédito a Deus pelo crescimento espiritual, não a homens

Nosso mundo é uma arena para idolatria. “American Idol” é o nome mais adequado e tributo descaradamente honesto para a nossa cultura de celebridade. Nossos corações são orientados a adular e a adorar. Um crente imaturo luta para quebrar o hábito de idolatrar pessoas. Ele meramente transfere sua adulação pelas celebridades do mundo para celebridades espirituais.

Quer seja um pedestal para o seu pastor, ou uma desordenada reverência por João Calvino, ou qualquer outro sintoma, a imaturidade falha em dar a credibilidade devida ao poder de Deus em Seu trabalho.

1 Coríntios 3.4: Quando, pois, alguém diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é evidente que andais segundo os homens? 5 Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um. 6 Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. 7 De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.

Experientes donos de cavalos de corrida têm respeito por bons jóqueis, treinadores, e veterinários, mas todos entendem que o fator principal para uma vitória é o cavalo. Respeitamos bons pregadores, escritores, comentaristas, e mentores espirituais, mas, esperançosamente, nós reconhecemos o real músculo por trás de qualquer vitória no ministério deles.

Vá com este pensamento: na minha vida, qualquer imaturidade residual em qualquer uma dessas áreas irá desembocar na minha “caixa de entrada” espiritual. Sou confortado em saber que sou uma obra em progresso e me agarro à Filipenses 1.6: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

Clint Archer

Traduzido por Fernanda Vilela | iPródigo.com | Original aqui

Estudo da Semana: O Inferno é realmente eterno?

Uma visão do inferno que está ressurgindo fortemente entre os evangélicos é o aniquilacionismo. Há pequenas variações, mas, essencialmente, essa doutrina ensina que Deus eventualmente apagará os descrentes de sua existência. Alguns aniquilacionistas até abrem espaço para a ira divina, mas eles não permitem que ela se estenda além do lago de fogo. Em outras palavras, eles não querem permitir que Deus use toda a força do Seu julgamento, que é o tormento eterno, consciente. Para eles, o lago de fogo é o que consome totalmente e, finalmente, destrói os pecadores. Se eles enxergam a morte como o fim, ou se vêem os tormentos do inferno como sendo limitados pelo tempo, o resultado é o mesmo, uma negação da eternidade do inferno.

“Espere um minuto”, você protesta, “o que acontece com todas as referências bíblicas às chamas eternas e ao castigo eterno? Mateus 25:46 não diz que os ímpios vão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna? Boa pergunta. Sem uma boa razão exegética, alguns aniquilacionistas têm entendido a palavra “eterno” não como uma duração de tempo, mas com a qualidade do julgamento de Deus. É eterno em qualidade, mesmo que tenha um fim. Outros aniquilacionistas dizem que “eterno” refere-se ao efeito do julgamento divino. Isto é, os resultados do julgamento de Deus na morte, como uma extinção ou aniquilação, ou seja, o estado do não-ser duraria eternamente.

Se você está desdobrando sua mente pra entender isso, você não está sozinho. É difícil conceber um pecador experimentando uma qualidade eterna de julgamento sem ele durar para sempre. Mateus 25:46 ensina claramente que a duração do castigo e da vida são iguais, ambos são eternos. John MacArthur disse,

A punição no inferno é definida pela palavra grega aionios, que significa eterno ou que dura para sempre. Há pessoas que gostariam de redefinir a palavra aionios e dizer: “Bem, isso na verdade não significa para sempre.” Mas se você fizer isso com o inferno, você fará isso também com o céu, porque a mesma palavra é usada para descrever os dois. Se não houver um inferno eterno, então não há um paraíso eterno. E eu vou além disso. A mesma palavra é usada para descrever Deus. E assim, se não há um inferno eterno, então não há um céu eterno, nem há um Deus eterno. É claro que Deus é eterno e, que o céu é eterno, por isso o inferno também é. (John MacArthur, A Testimony of One Surprised to Be in Hell, Part 2)

Agostinho expressou isso com simples palavras a mais de 1500 anos atrás: “Dizer que a vida eterna deve ser sem fim, mas que o castigo eterno deve chegar a um fim é o cúmulo do absurdo.”

Afirmar que passagens como Mateus 25:46 referem-se a eternidade como uma qualidade de julgamento, mas que não dizem nada sobre o tempo de duração, especialmente sem nenhum apoio exegético, é simplesmente ridículo. O significado de “eterno” nessa passagem é claro: dura para sempre.

Aniquilacionistas por vezes tentam explicar “eterno” no sentido de um efeito eterno. Eles dizem que as palavras como destruição e morte se referem a algum tipo de desintegração ou consumo. Deus não vai atormentar os ímpios por toda a eternidade, Ele simplesmente termina a sua existência, e o efeito desse ato singular de julgamento dura para sempre. Como observamos acima, eles permitem que Deus manifeste sua ira, mas apenas por um tempo. Para eles dizer que o castigo divino é eterno é ir muito longe, é uma forma de punição cruel e incomum. Eles acreditam que Deus vai eliminar os perversos da existência, e que a condição de não-existência durará para sempre.

Além do problema metafísico (Como pode ser dito que uma coisa que não existe mais, dura para sempre?), há um problema muito sério com a “cessação da existência” visto que não leva em conta que o legislador é infinito e eterno por natureza. A gravidade de um delito é medida, não apenas pela natureza do ato em si, mas também em relação ao ofendido. Por exemplo, se um homem esmurra outro homem em uma esquina, ele pode sofrer algumas conseqüências, a acusação de perturbar a paz, assalto, agressão etc. Mas se ele der um soco no presidente dos Estados Unidos, vai acabar passando um bom tempo na prisão.

É mais ou menos assim com as ofensas cometidas contra um Deus santo. Uma vez que uma ofensa contra um legislador finito é finita, a punição para satisfazer a ofensa também é finita. Esse é o princípio por trás do Êxodo 21, olho por olho (vv. 23-25). Mas uma ofensa contra um Legislador infinito e eterno não é finita, é infinita e eterna. Cabe ao juiz determinar a gravidade da infração em si, ou seja, contar uma mentira “branca” versus cometer homicídio, mas a natureza da infração é medida de acordo com a natureza de Deus que é santo e eterno. Da mesma forma, Deus, que é perfeito em justiça, determina a punição que uma infração exige. De acordo com a Sua Palavra, a punição por um delito contra um Deus santo é o tormento eterno no inferno.

Em um nível humano, é compreensível que as pessoas recuem dos ensinamentos bíblicos sobre os tormentos eternos do inferno. É uma doutrina absolutamente terrível e assustadora. É impossível para nós conceber o pecado como um crime tão grave. É difícil aceitar até mesmo que os crimes de figuras famosas como Hitler, Stalin, Pol Pot, Mao, e Osama Bin Laden, mereçam a agonia excruciante e eterna descrita na Bíblia. Mas isso só mostra o quão pouco nós entendemos a gravidade do pecado por um lado, e a santidade de Deus, do outro.

Os caminhos de Deus são mais altos que os nossos caminhos e Seus pensamentos são mais altos que os nossos pensamentos, não podemos compreendê-Lo plenamente (Is. 55:8-9). De uma forma desconfortável, pungente e penetrante, a doutrina do inferno eterno confronta a nossa lealdade, revela nossa verdadeira autoridade, e exige que deixemos de lado o que parece-nos razoável e que confiemos no justo juízo de um Deus santo. Quando abraçamos as doutrinas mais difíceis da Bíblia, isso se torna uma das evidências mais significativas de que Deus está nos concedendo fé.

A doutrina bíblica de um inferno eterno dá-nos ainda outro motivo para louvar a Deus pelo evangelho. Foi necessária uma pessoa eterna para satisfazer uma pena eterna contra o pecado, sendo toda a raça humana desqualificada, exceto uma pessoa: Jesus Cristo. Ele é o Filho do homem e o Filho eterno de Deus. Quando Jesus deu a Sua vida, Seu sacrifício satisfez todos os requisitos da justiça divina. Para aqueles que confiam em Jesus Cristo como seu Substituto, Sua morte satisfez a ira eterna de um Deus eterno e justo. Ele levou o nosso castigo em seu corpo, absorvendo ira eterna de Deus. Mas aqueles que não abraçam a Cristo são deixados a si mesmos, eles têm a culpa de suas ofensas contra um Deus eterno, e vão sofrer por isso eternamente, e nunca serão capazes de satisfazer a Sua ira eterna.

Espero que a doutrina do tormento eterno torne vocês sóbrios. Que ela encha vocês de louvor a Deus pela salvação do castigo eterno, e pela vida eterna no lugar daquele. Que vocês se humilhem por perceberem que não estão recebendo o que merecem. E que se inflame em vocês uma paixão por proclamar o evangelho às pobres almas que não têm conhecimento do terror que os espera fora da misericórdia de Deus.

Travis Allen

Tradução: Alisson Pedrosa / @alissompa

Original: Grace to You

Fonte: http://amecristo.com

Estudo da Semana: Avivamento e a Bíblia

A Bíblia é o padrão inerrante, infalível e indispensável de qualquer avivamento.[1] A história e a experiência têm mostrado que a relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um reavivamento de verdade sem que ela faça parte dele. Assim, uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, é ela e somente ela que pode nos dar a direção correta e inequívoca nesse assunto.

Além disso, numa época de tantos extremos como esta em que vivemos, é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. Sabemos que hoje existem desde aqueles que veem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento, até aqueles que negam a sua existência, ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento, uma coqueluche moderna, uma inovação humana sem respaldo bíblico.[2] É necessário, mais que nunca, recorrermos à lei e ao testemunho. Os extremos são sempre perigosos e precisam ser evitados.

Permita-me dar um exemplo: Edwin Orr, uma das maiores autoridades sobre avivamentos, disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões assim: “Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite”, enquanto que a outra prometia: “Reavivamento aqui todas às noites, exceto às segundas-feiras”. Orr menciona esse fato para relatar um desses extremos em que a palavra “avivamento” ou “reavivamento” é usada aleatoriamente, como se o mesmo fosse simplesmente uma produção humana com data e hora marcadas.[3]Por isso, é imprescindível que um avivamento seja sempre avaliado pela Bíblia. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na História da Igreja, notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Palavra. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um movimento avivalista convencional.

“Um reavivamento”, diz Campos, “que é produto da obra do Espírito Santo na igreja, certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. A autoridade da Palavra de Deus passa a ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus”.[4] Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia.

Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis. Segundo Coleman, o que se pode chamar de “o grande despertamento geral” ocorreu nos dias de Sete, pouco depois do nascimento de seu filho Enos: “Então se começou a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26).[5] O nome Enos quer dizer fraco ou doente, o que é deveras significativo. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana, o nome Enos era bastante adequado. “É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina”.[6] À parte dessa indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. O relato subsequente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados.

Depois temos os patriarcas que, por vários séculos, lideraram o povo de Deus. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia eles agiam com a força que promovia novo vigor. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35.1-15). Mais tarde, sob a liderança de Moisés, há períodos empolgantes de refrigério, especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12.21-28), na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19.1-25; 24.1-8; 32.1-35.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21.4-9).

No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas, como na travessia do rio Jordão (Js 3.1-5.12) e na conquista de Ai (Js 7.1-8.35). Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória, uma apatia espiritual se apoderou da nação. Sabendo que seu povo estava dividido, Josué reuniu as tribos de Israel, em Siquém, e exigiu que cada um escolhesse, de uma vez por todas, a quem servir (Js 24.1-15). Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio, prosseguindo durante “todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué, e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel” (Js 24.31).

O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas, de quando em quando, traindo o Senhor e servindo a outros deuses. O juízo de Deus é inevitável. Então, após longos anos de opressão o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.9,15; 4.3; 6.6,7; 10.10). Em cada ocasião Deus responde as orações, enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período, sob a direção de Samuel (1Sm 7.1-17).

Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. A marcha de Davi, entrando com a arca em Jerusalém, possui muitos ingredientes de um avivamento (2Sm 6.12-23). A dedicação do Templo, no início do reinado de Salomão, é outro grande exemplo (1Rs 8). O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (1Rs 15.9-15). E Josafá, outro rei de Judá, lidera uma reforma (1Rs 22.41-50), bem como o sacerdote Joiada (2Rs 11.4-12.16). Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2Rs 18.1-8). Por fim, a descoberta do Livro da Lei do Senhor, durante o reinado de Josias, dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2Rs 22,23; 2Cr 34,35).

Ainda, sob a liderança de Zorobabel e Jesua, outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1.1-4.24). Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do Templo, os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5.1-6.22; Ag 1.1-2.23; Zc 1.1-21; 8.1-23). Setenta e cinco anos depois, com a chegada de outra expedição liderada por Esdras, novas reformas são iniciadas em Jerusalém, dando-se mais atenção à lei do Senhor (Ed 7.1-10.44). O avivamento alcança o auge poucos anos depois, quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1.1-13.31). Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.28-32; Habacuque 2.14-3.19 e Malaquias 4.

No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. Escolhe e treina seus discípulos; ascende aos céus, deixando-os na expectativa de receberem a promessa do Espírito (Lc 24.49-53; At 1.1-26). O poderoso derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2.1-47). “Marca-se, assim, o início de uma nova era na história da redenção. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia – o dia em que a Igreja, discipulada por intermédio de seu exemplo, redimida por seu sangue, garantida por sua ressurreição, sairia em seu nome a proclamar o evangelho ‘até os confins da terra’ (At 1.8)”.[7]

O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento. Avivamento em Jerusalém, em Samaria, em Antioquia da Síria e em Éfeso. E de lá para cá são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na História da Igreja, como por exemplo, na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI; o “Grande Despertamento” do século XIXI; o avivamento entre os Zulus da África do Sul, na década de 1960; e na Coréia do Sul nestes últimos tempos, dentre outros.

A busca por uma vida de obediência a Deus e à sua Palavra, a santificação do corpo e da alma, bem como a valorização da moral e ética cristãs, são desejadas ansiosamente num avivamento de verdade. Que em sua soberana graça e misericórdia, o Senhor nosso Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos, como igreja e povo brasileiros, experimentar mais uma vez daquele “fogo abrasador”, que purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra.

“Tenho ouvido, ó SENHOR, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó SENHOR, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).


[1] Os termos “avivamento”, “reavivamento”, “despertamento” e correlatos são usados aqui no mesmo sentido.

[2] Cf. Frans Leonard Schalkwijk, Aprendendo da história dos avivamentos. In: Fides Reformata. Vol. II, No. 2. São Paulo: JMC, 1997, p. 61.

[3] Citado por Brian H. Edwards em Revival! A people saturad with God. England: Evangelical Press, 1994, p. 25.

[4] Héber C. Campos, Crescimento da igreja: com reforma ou com reavivamento?. In: Fides Reformata. Vol. I, No. 1. São Paulo: JMC, 1996, p. 45.

[5] Robert Coleman, A chegada do avivamento mundial. São Paulo: CPAD, 1996, p. 53.

[6] Ibidem.

[7] Idem, p. 61.

Josivaldo de França Pereira

Fonte: http://prjosivaldo.blogspot.com/

Estudo da Semana: 10 Lições sobre o Amor à Igreja

Paulo nos ensina, em 1 Tessalonicenses 3, 10 importantes lições sobre como podemos expressar nosso amor ao povo de Deus:

1.Devemos amar nossos irmãos em Cristo. Temos de amar a igreja de nosso Senhor, a qual ele comprou com o seu sangue (Atos 20.28).

2.Devemos nos preocupar com o estado da fé da igreja. Nosso amor pela igreja passa direto pela condição de sua fé.

3.Devemos agir em favor da igreja. Paulo mandou Timóteo para lá. Diante de uma situação grave, Paulo fez sacrifícios pessoais que o privaram de seu principal ajudador para apoiar o povo de Deus em Tessalônica.

4.Devemos usar nossas próprias experiências de sofrimento, lutas e até mesmo nosso lidar com o pecado como um meio para encorajar e fortalecer nossos irmãos que passam pelos mesmos problemas. Podemos ter a tendência de ser duros com quem está fraco na fé ou esmorece, mas nossa fé é dádiva de Deus e deve ser um instrumento para ganhar nossos irmãos. Que, como Paulo, nos identifiquemos com nossos irmãos em sua fraqueza e compartilhemos com eles o que temos recebido graciosamente de Deus.

5.Devemos viver e andar por fé. Nossa conduta deve ser determinada por princípios, não por circunstâncias. Não devemos responder aos problemas e aflições da vida segundo o calor do momento, mas tendo a eternidade diante de nós.

6.Devemos nos alegrar com o progresso da fé do povo de Deus. As vitórias e graça que Deus concede ao seu povo deve ser sempre motivo de regozijo e felicidade para nós. Temos de ter prazer nessas coisas, e isso só é possível se nosso coração e alegria estiverem no Senhor (Sl 37.4).

7.Devemos orar fervorosamente em favor do povo de Deus. Nossa lista de oração deve contemplar os problemas e situações da vida, certamente – mas, mais importante ainda, deve contemplar as necessidades espirituais e anelar pelo crescimento do povo na Palavra e nos dons divinos. Veja que Paulo, mesmo sabendo das lutas, ora por crescimento no amor. Ele sabia que era a fé forte e o amor inflado que dariam meios de resistência em meio as lutas.

8.Temos de ter um senso da providência de Deus. O Deus trino está governando toda nossa vida. Temos de entender os caminhos de Deus e reconhecer que ele é soberano em toda e qualquer situação. Isso deve afetar nossa conduta, a forma como vivemos e respondemos diante de adversidades. Jó disse: “Bem sei que tudo podes e que nenhum de seus planos podem ser frustrados”.

9.Devemos guardar nosso coração e pedir que Deus faça crescer nele amor para com nosso irmão na fé – isso nos levará a uma vida de “santidade e sem culpa” no meio da comunidade cristã, a igreja.

10. Temos de ter a eternidade diante de nossos olhos. O toque da última trombeta deve ser tema de nossa mais profunda meditação. Jonathan Edwards, grande servo de Deus do passado, tinha esse senso da chegada de Cristo diante de si o tempo todo. Em suas resoluções, ele afirmou: “Resolvi jamais fazer qualquer coisa da qual eu deva ter medo, no caso de não restar mais do que uma hora para eu ouvir a última trombeta.”.

Encerro com as palavras do próprio Edwards, ao meditar sobre o retorno triunfante e definitivo de nosso Senhor Jesus Cristo:

“Cristo aparecerá na glória de seu Pai, junto de seus santos anjos, vindos nas nuvens do Céu…Essa será a mais inesperada visão para o mundo ímpio, a qual virá como um grito à meia noite. Mas com respeito aos santos, será uma visão de júbilo e a mais gloriosa de todas. Ver o Redentor vindo nas nuvens do Céu, encherá nosso coração da mais profunda e indizível alegria”.

Tiago Santos

Fonte: http://www.blogfiel.com.br

Estudo da Semana: Pacificadores

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. (Mt 5:9)

O moderno uso da palavra “pacíficos” (no grego, “pacificadores”) talvez possa ser melhor traduzido por tolerantes, homens que amam a paz de tal maneira que se esquivam da batalha ou luta. No rumor da luta em torno da verdade em qualquer terreno (também na Igreja)aparecem estes fazedores (com seu ideal humanista de tolerância) de paz, como verdadeiros anjos da paz.

É grande a tentação de aplicar a estas pessoas esta bem-aventurança: Bem-aventurados estes pacificadores porque serão chamados filhos queridos de Deus.

Diante de figuras como Neemias que se indignou a ponto de atirar todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara e que contendeu com aqueles judeus que haviam casado com mulheres não judias e por isso os amaldiçoou e espancou alguns deles, e lhes arrancou os cabelos e os conjurou por Deus, estes ditos “pacificadores” dão a enorme impressão de que são sobre humanos e angelicais.

Visto deste ponto humanista, estes são os filhos de Deus e os “Neemias”, pessoas perigosas (Neemias 13). Estes pacificadores não têm inimigos, pois não deixam as pessoas em paz? Tolerância na igreja, na escola, na sociedade… este foi o belo slogan do liberalismo. Mas a Bíblia não concebe este ideal de tolerância.

Na Bíblia, a paz descansa sempre na justiça e na verdade, descansa no fim da injustiça e da mentira, descansa em fazer justiça, de forma que o poder dos maus é reprimido. Seraías (Jr. 51:63-64) foi um príncipe pacífico, e claramente ele teve que lançar uma grande pedra no rio como imagem da queda da Babilônia. Isto certamente não foi muito tolerante; isto encerrava uma luta terrível de morte entre medos, persas e babilônicos; isto continha ou levava em si o juízo de Deus sobre a cidade de sangue (Ap. 19:2; 18:24).

E a esta classe de pacifistas, que falam do direito de Deus e do direito de Seu povo, os tem por inimigos. Assim também o poeta doSalmo 120. Este busca a paz. Este busca a paz pela justiça – e por ele suscita os maus contra si.

Também os discípulos de Jesus logo seriam presos e lançados no cárcere porque revolucionavam o povo. Porém se dá o caso que o Pacificador por excelência, o próprio Príncipe da paz, seria acusado como aquele que fez cair o povo em desgraça e seria crucificado como revolucionário.

0 Salvador, sentado no monte, contempla o círculo de Seus discípulos. Vê o intrépido Pedro, que depois, em suas cartas, escreveria sobre “homens maus, enganadores, falsos mestres”.João escreveria sobre o mentiroso que nega a Divindade de Cristo(1 Jo 2:22), sobre os filhos do diabo (1 Jo 3:10), sobre o charlatãoDiótrefes (3 Jo. v.l5),

Estes são os pacificadores, por mais estranho que pareça ao ideal de paz humanista.

Pedro pôde, de todo coração, escrever na mencionada carta:“Graça e paz vos sejam multiplicadas” (2 Pe 1:2), e João: “A paz seja contigo” (3 Jo v. 15).

Não se trata de uma paz pela qual a justiça e a verdade simplesmente tenha que ser emudecida (deixar de ser ouvida) por amor a “paz” que proíbe aos oprimidos clamar por justiça; não se trata de uma “paz” para os maus e para o mundo inimigo de Deus; os pacificadores, aqueles que são filhos de Deus, não se referem a semelhante paz.

Os filhos de Deus não podem ter paz alguma com o mal, nem com o mundo. Logo o próprio mal se voltará contra eles. Pois os primeiros, intuitivamente, notam que estes pacificadores constituem uma grave ameaça para sua própria falsa paz, e por isto aqueles os vêem e consideram como “a mosca” que contamina o ungüento (Ec 10:1).Os filhos de Deus são pacificadores.

Entretanto, a luta continua, enquanto os pacificadores do mundo e os pacificadores de Cristo estiveram frente a frente.

Mas chegará o dia que todos os nossos anciãos serão pacíficos, e nossos fanáticos, justos. Então, a saudação apostólica: “paz seja convosco”, se verá totalmente cumprida. Bem-aventurados são estes pacificadores diante do Príncipe da Paz.

Athëunis Janse

Fonte: http://www.ocalvinismo.com/2010/03/pacificadores-atheunis-janse.html

Estudo da Semana: Você é o que você come

“Se não comer, não posso viver. E se não viver, não posso comer”, disse certa vez o célebre Chaves do Oito. Não é necessário falar do quão importantes (para não dizer, necessárias) as refeições são para nossa sociedade. Sentar-se à mesa ou fazer um lanchinho rápido são parte da nossa rotina. Comentar uma comida boa é um excelente assunto em uma conversa. Dividir um alimento pode ser um prazer – ou um fardo. E dizem que casamentos foram feitos (e desfeitos) na cozinha.

A parábola do filho pródigo é contada como resposta à acusação dos fariseus de que Jesus comia com pecadores. Sabe-se que, nos tempos de Cristo, assentar-se à mesa com alguém significava mais que um dividir um lanche. Significava colocar-se em igualdade, aceitar essa pessoa em seu meio. Daí o escândalo dos religiosos da época de Jesus. “Fazer uma refeição era fazer teologia”, resume Conrad Gempf.

Uma coisa que raramente levamos em consideração nessa história toda é como a situação do filho mais novo se reflete nas refeições em que ele está envolvido.  E essa dieta do pródigo, por sua vez, pode refletir a situação do nosso coração. “O que alguém pode (e escolhe) servir expressa sua própria posição e ajuda a definir sua relação com os outros. O que é oferecido para você, o convidado, é uma medida de sua situação aos olhos da sociedade e do seu anfitrião”, nos diz Richard I. Pervo. E é isso que observaremos aqui.

Servindo a si mesmo

Jesus não fala dos hábitos alimentares do filho mais novo enquanto ele estava “vivendo dissolutamente” (Lc 15.13). Porém, é razoável que aceitemos que provavelmente ele usou boa parte do seu dinheiro com bebida e comida, talvez chamando amigos para unir-se a ele, talvez oferecendo jantares às prostitutas. Viver dissolutamente geralmente envolve o mau uso de dons como a alimentação e o sexo. Ainda que isso seja apenas especulação, algo é certo – no mínimo, o Pródigo gastou uma parte de seus bens satisfazendo suas necessidades básicas de comida e bebida.

Não somos diferentes do filho mais novo. Nossa vida é toda sustentada por Deus. Ele nos entrega não apenas tudo o que precisamos para viver, mas também incontáveis bênçãos e dons. Porém, nosso coração pecaminoso tende a seguir o caminho do pródigo e considerar a herança mais valiosa que o Pai. Corrompemos os bens que o Senhor nos entrega e os utilizamos para alcançar nossos objetivos egoístas: comer e beber demais, conquistar inúmeros parceiros sexuais e “aproveitar” tudo o que a vida parece oferecer. O nome disso é ingratidão, por não se lembrar de quem acabou pagando sua viagem à terra longínqua (v.13). O nome disso é idolatria, pois o Doador é menos amado que os dons.

A palavra é dura, mas é preferível admitir que esse é nosso coração. Que terrível é perceber que mesmo quando estou pecando, só posso fazer isso porque Deus me garante o ar nos pulmões, o batimento do coração e a eletricidade dos neurônios. “Deus faz chover sobre justos e injustos”, diz Jesus (Mateus 5.45). É assustador pensar que, em certo sentido, o pai do pródigo bancou as festas que seu filho promoveu – não porque ele as aprovava, mas porque ele era provedor.

Servindo aos porcos

Porém, Deus tem suas maneiras de nos chamar a atenção para o fato de que ele é o doador. Na história do pródigo, isso está relacionado também à alimentação. Jesus nos diz que “houve naquela terra uma grande fome” (v.14). É nesses momentos de falta que nos lembramos de onde veio o que temos. É quando caímos em si e percebemos que estamos, na verdade, apascentando porcos e desejando suas bolotas.

Em tempos de necessidades, não levamos em consideração a qualidade do que chega ao nosso estômago. Ouvimos relatos de homens famintos que tornaram-se canibais após um desastre aéreo, de náufragos que vivem de água salgada e peixe cru por semanas e de pessoas que tiveram de alimentar-se de seus próprios excrementos. A fome precisava ser satisfeita. Eles queriam viver. Se fosse possível, escolheriam outra coisa, mas era necessário comer algo.

Receio que essa seja uma figura da vida humana. Nascemos com um desejo imenso de satisfação, temos em nós um buraco no estômago, queremos viver a qualquer custo. E, para isso, aceitaremos o que aparecer primeiro. Alguns pratos parecem melhores (festas, amigos, romance, espiritualidade), enquanto outros destroem nossa vida de maneira mais rápida (drogas, promiscuidade, glutonaria). Mas, no fim das contas, eles são apenas coisas finitas tentando tapar um espaço infinito. Há fome na terra, e estou desejando comida de porcos.

O apóstolo Paulo tinha do que se orgulhar. Era respeitado tanto na sociedade judaica (por sua religiosidade) quanto na sociedade romana (pelo status de sua cidadania). Ele estudou com os maiores mestres de seu tempo, nos maiores centros da cultura. Provavelmente, tinha as melhores companhias e uma reputação invejável. Entretanto, ele diz que agora enxergava tudo como esterco (Filipenses 3.8). Por quê? Por que ele havia conhecido um cardápio superior.

Servido pelo Pai

O filho volta para casa e é o estômago (não a aceitação do pai) que serve como principal argumento – “quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!” (v.18). O pródigo queria trabalhar como um dos servos, merecer seu prato de comida. Ele gostaria de servir ao seu pai.

Mas esse pai, figura do Deus que “não é servido por mãos humanas… pois é ele quem dá a todos vida, respiração e todas as coisas” (At 17.25), não permite que o moço o sirva para poder comer. Pelo contrário, o filho é recebido com uma festa, em que o bezerro cevado (provavelmente o anima mais caro da fazenda, guardado para ocasiões extremamente especiais por seu valor e sabor) é morto para que todos “comam e alegrem-se” (Lc 15.23). O pródigo não trouxe nada em suas mãos além de fome e desespero, mas é servido por aquele que tem poder, riquezas e autoridade.

A história, porém, não acaba aqui, mas termina com alguém novamente usando a comida como referência. O filho mais velho, figura dos fariseus e legalistas, se ira pelo tratamento farto dado ao irmão. Ele lembra que trabalhou a vida inteira na fazenda e jamais recebeu sequer um cabrito como recompensa ou prova de gratidão. Ele queria servir ao pai.

Alguns detalhes interessantes: o irmão mais velho pede um prêmio bem mais modesto, talvez para mostrar sua “humildade”, enfatizar o desperdício do pai ou os dois. A resposta de bondoso homem mostra a tolice daquele que deseja comprar pequenos favores de Deus: “meu filho, tudo meu é teu” (v.31). O filho mais velho podia até se considerar digno de um cabrito, mas o pai estava aberto a lhe bancar muito mais que isso.

Recusando o novilho e invejando os porcos

O Evangelho é escandaloso porque nos ensina que não estamos por aqui trabalhando para ganhar pequenos prêmios, mas que tudo que é de Deus é nosso em Cristo. Por muito tempo, não cri naquela estranha passagem de Paulo em 1 Co 3.21,22: “todas as coisas são suas: quer Paulo ou Apolo ou Cefas, ou o mundo ou a vida ou a morte ou o presente ou o futuro – todas as coisas são suas”. Imaginava que era um tipo de hipérbole ou até mesmo ironia.

Mas é verdadeiro! Em Cristo, tudo é nosso, porque somos de Cristo e Cristo é de Deus (1 Co 3.23). Porque em Cristo, somos herdeiros de todas as coisas (Rm 8.17; Hb 1.2). Porque aqueles que aproximam-se em pobreza e fraqueza herdarão a terra (Mt 5.3,5). Porque Deus, desde já, nos dá todas as coisas (At 17.25), já nos deu seu filho e nos dará muito mais (Rm 8.32).

Tullian Tchividjian nos lembra:

“Por desígnio divino, o homem, como originalmente foi criado, desfrutava de uma existência ampla, caracterizada não por limites, mas pela falta deles. Sua esfera diária era inundada com um senso real de tudo. E, mais importante, esse tudo incluía, um relacionamento livre com o próprio Deus”.

Não é sem motivo que o salmista canta: Como é precioso o teu amor, ó Deus! Os homens encontram refúgio à sombra das tuas asas. Eles se banqueteiam na fartura da tua casa; tu lhes dás de beber do teu rio de delícias (Sl 36.7,8).

O nosso problema, C.S. Lewis já disse, é que desejamos muito pouco. Como os teólogos da prosperidade querendo meramente seus sonhos de consumo ou os teólogos da libertação desejando apenas igualdade para todos ou alguns evangelicais buscando conforto terapêutico. Como os moralistas que só desejam um mundo sem perversão e os libertinos sonhando apenas com prazer e quebra de regras. Raramente lembram-se do mais precioso da fazenda, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo. Nunca lembram-se do que se segue: uma Nova Criação, onde não haverá choro e somente alegria na presença do Pai.

Nosso erro é nos enganarmos, pensando que a alegria e conforto estão em outro lugar. Somos como o pródigo, que vivia em um lar de abundância de amor e alegria, mas era incapaz de enxergar além de sua própria luxúria. Somos como o irmão mais velho, que vivia neste mesmo lar de amor, alegria, mas não pôde ver além da própria justiça e da mísera recompensa, um pequeno bode, em comparação à festa grandiosa que o pai oferece.

A Bíblia ordena que sejamos alegres. Que participemos da festa. E a alegria e a festa que ela menciona é aquela que encontraremos na casa do pai. Alegremo-nos e festejemos porque estávamos mortos, mas agora estamos vivos!

Josaías Jr.

PS.: Dois livros importantes para esse texto: A Meal With Jesus, de Tim Chester, e Jesus + Nothing = Everything, de Tullian Tchividjian. Ficam como sugestões :)


Fonte: http://iprodigo.com

Estudo da Semana: Jesus – filho da virgem e da prostituta

Registro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão:(…)Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé;(…)e Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. (Mateus 1:1,5,16)

Embora, segundo a Bíblia, todos os seres humanos partilhem uma mesma origem e sejam iguais em valor, não é bem assim que a humanidade se enxerga. Em todas as sociedades existem normas, “réguas” pelas quais nós medimos o valor das pessoas. E uma das mais comuns é a “origem”, o sangue.

Assim as castas na Índia são estruturadas de acordo com a família. Na Europa criou-se a nobreza, os de “sangue azul”. Japoneses não são muito simpáticos a que seus filhos se casem com os gaijin (não japoneses) e o mesmo pode ser dito de várias outras etnias. Mesmo em sociedades que se orgulham de ser mais democráticas, como os Estados Unidos, surgiram padrões como o wasp (branco, anglo-saxão e protestante) para designar as famílias mais “nobres”.

O Brasil não é exceção, inclusive dentro das igrejas evangélicas. A “boa família” é uma característica desejada para um bom partido (seja marido ou esposa), ajuda a arrumar amizades, a conseguir posições eclesiásticas e até a projetar ministérios (como a cantora irmã de Fulana ou o deputado filho do pastor Beltrano). Assim como no resto da sociedade, quem não tem uma “boa origem”, aparentemente, sofre um pouco mais para achar o seu lugar debaixo do “Sol” protestante. Que o digam, por exemplo, os que se convertem já na mocidade e tentam se encaixar em uma igreja onde todos são parte de alguma família.

Mas…isso é bom ou ruim? A resposta pode ser surpreendente.

O filho da virgem

Mas, se há alguém que pode vindicar o título de “Família Real” da humanidade, este é o caso da família do rei Davi. Desde a queda do homem no Jardim do Éden (a história está em Gênesis 3), Deus havia prometido que um Salvador viria “esmagar a cabeça da serpente” e ser uma bênção para todas as nações. Este Salvador era um homem, mas ao mesmo tempo, seria o Filho de Deus. O nome dele é Jesus, 100% Deus e 100% homem.

E é de propósito que Deus determina uma espécie de linhagem santa e real que leva até Jesus. Essa distinção é feita logo na abertura do Novo Testamento: Jesus é filho de Davi (rei) e de Abraão (o patriarca da fé). Ele não é um personagem isolado no tempo, mas o ponto culminante de uma história que começou na criação, passou pela fé dos patriarcas (Abraão) e pela dinastia de Davi. Jesus é o cumprimento de uma série de promessas e histórias, de uma caminhada de fé transmitida de geração a geração por pessoas santas.

Isso tudo é corporificado em Maria, a mãe de Jesus. Ela não era uma mulher qualquer: era uma virgem, da família mais importante da humanidade e cheia de qualidades e virtudes. A Bíblia não registra em detalhes a história dela, mas certamente ela foi a mais virtuosa das mulheres, o símbolo da origem santa de Jesus. O Cristo é filho da virgem.

O filho da prostituta

Contudo, a Bíblia não registra apenas o lado belo da Família Real. Afinal, de todas as ofensas que você pode dirigir a outro ser humano, é meio difícil achar uma mais ofensiva do que “filho da prostituta” (eufemismo). E, bem, a Bíblia mostra que, se Jesus era filho da mais santa das mulheres, Ele também era filho (descendente) de uma mulher desprezada e desonrada aos nossos olhos. De modo deliberado, Mateus destaca que Jesus era filho da prostituta Raabe.

A história de Raabe você encontra no livro de Josué. Ela era cananeia, moradora de Jericó, uma cidade inimiga de Israel, a primeira que seria conquistada pelos hebreus na Terra Prometida. Naquele tempo, a prostituição não era um mero comércio de corpos e prazeres sexuais. Na verdade, era uma atividade ligada aos cultos cananeus de fertilidade. O agricultor fertilizava a prostituta (uma espécie de sacerdotisa) assim como o deus Baal deveria fertilizar a terra (com chuva) para abençoar a colheita.

Raabe era, portanto, uma inimiga, uma prostituta e uma idólatra. Três vezes maldita. Três vezes desprezível segundo a Lei de Moisés. É difícil pensar em uma origem pior, uma forma pior de começar a vida.

Mas a pecadora mudou de lado. Ela protegeu espiões israelitas que foram até Jericó e salvou-lhes a vida. Pediu a proteção de Israel e acabou salvando a si mesma e aos seus parentes. Mais do que isso: ela foi acolhida pelos israelitas. Casou-se com Salmom, filho de Naassom, príncipe da tribo de Judá. Foi mãe de um dos homens mais ricos e respeitados em sua época, Boaz, de Belém, antepassado do rei Davi.

E, embora Raabe não fosse parte de uma linhagem santa, tornou-se parte dela. Tornou-se mãe de reis. Mais que isso, tornou-se mãe do Rei dos Reis, antepassada de José e de Maria, uma das três mulheres destacadas na genealogia de Jesus.

A mensagem de Jesus

O que estes fatos nos ensinam? Qual a relevância de Jesus ser, ao mesmo tempo, filho de uma virgem e de uma prostituta?

Em primeiro lugar, ela nos mostra que o Evangelho não é a história de homens e mulheres que se encontram individualmente com Cristo. Hoje a espiritualidade é vista como uma decisão individual, de preferência, descontextualizada da experiência dos pais e até mesmo do povo. É a história do “meu filho vai escolher a religião que vai seguir”. Mas o Evangelho é mais do que isso: é a concretização de uma fé e de uma esperança de uma família, de um povo, de toda a humanidade. É um tesouro que deve ser passado de geração em geração.

Portanto, as famílias que servem ao Senhor durante várias gerações podem se orgulhar de sua história e de sua tradição. Não legamos aos nossos filhos apenas uma herança material, mas também uma herança espiritual, como aconteceu com a família do rei Davi.

Em segundo lugar, a genealogia de Jesus nos mostra que, aos olhos de Deus, o que conta mesmo é a decisão de servi-Lo. Uma vez que alguém decide servir ao Senhor e abandona os ídolos, os falsos deuses, os pecados e até mesmo os valores errados de seu povo, esse alguém é acolhido pelo Senhor. O passado não conta mais, de forma tal que até mesmo uma prostituta é destacada no meio de todas as outras que foram mães de Jesus.

E aqui há uma mensagem de esperança e uma advertência. Para aqueles que não se sentem filhos “das pessoas certas”, tiveram uma infância problemática e um passado cheio de escolhas ruins, Jesus nos mostra Raabe como o exemplo de que Ele veio mudar tudo isso. Nada pode impedir Jesus de agir em nós e nos tornar iguais aos “príncipes e princesas” de Israel.

Para os demais, que reparam demais na origem das pessoas, fica a advertência de que não é assim que o Senhor nos olha. Jesus não observa a etnia, a conta bancária e nem a certidão de nascimento de seus filhos. Quando Ele vai providenciar as bênçãos para a sua Igreja, Ele ignora até mesmo os pecados cometidos no passado, desde que exista arrependimento. E, se é assim com o Senhor, deveríamos fazer o mesmo e acolher igualmente o bisneto do presbítero e a jovem universitária punk que acabou de se converter. Como está escrito:

Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. (Efésios 2:11-13)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima

Barro nas mãos do Oleiro

Fonte: http://reformaecarisma.blogspot.com/

Estudo da Semana: A ideia esquecida de Lutero

O teólogo da Cruz

Uma das coisas marcantes sobre a ressurgência atual do interesse pela teologia da Reforma, de uma maneira geral, é ausência da provável contribuição mais gloriosa do discurso teológico de Martinho Lutero: a noção do teólogo da cruz.

Durante o encontro da Convenção Saxônica da Ordem Agostiniana, na cidade de Heidelberg, em 1518, um monge chamado Leonhard Beier apresentou uma série de teses que Lutero havia preparado, enquanto o próprio Doutor Martinho presidia os procedimentos. A Disputa de Heidelberg entrou para história como o momento em que Lutero apresentou sua nova teologia radical pela primeira vez.

No coração dessa nova teologia estava a noção de que Deus se revela sob seu oposto; ou, expressando de outra forma, Deus alcança seus propósitos pretendidos ao fazer o exato oposto do que os seres humanos esperam. O supremo exemplo disso é a própria cruz: Deus triunfa sobre o pecado e o mal ao permitir que o pecado e o mau triunfem (aparentemente) sobre ele. Sua força real é demonstrada pela fraqueza aparente. Essa era maneira de um teólogo da cruz pensar sobre Deus.

O oposto disso era o teólogo da glória. Em termos simples, o teólogo da glória assumia que havia uma continuidade básica entre o caminho deste mundo e o caminho de Deus: se a força é demonstrada por meio do poder bruto na terra, então a força de Deus deve ser parecida, somente elevada ao infinito. Para um teólogo assim, a cruz é simplesmente loucura, algo sem sentido.

Alguns responderão: Mas a teologia da cruz não foi esquecida; é frequentemente mencionada, e discutida, e mesmo pregada. Mas aqui está o obstáculo: na Disputa de Heildelberg, Lutero na verdade refere-se não à teologia da cruz, mas aos teólogos da cruz, enfatizando a ideia de que ele não está falando sobre alguma técnica ou processo teológico e abstrato, mas sobre uma maneira real, pessoal e existencial que teólogos de carne e osso pensam e relacionam-se com Deus. A teologia de alguém, quer verdadeira ou falsa, é inseparável da fé pessoal do indivíduo.

Nesse aniversário da Reforma, não devemos reduzir as ideias de Lutero simplesmente à justificação pela graça por meio da fé. Na verdade, essa mesma ideia parece inseparável da noção dos teólogos da cruz. Tristemente, é frequentemente difícil discernir onde esses teólogos da cruz estão. Sim, muitos falam sobre a cruz, mas nas normas culturais de muitas igrejas não parecem muito diferentes das normas culturais da… bem, da cultura. Elas frequentemente demonstram uma atitude em relação ao poder e à influência que vê essas coisas diretamente relacionadas com tamanho, market share, mensagens consumistas, estética, cultura jovem, aparições na mídia, ruídos e pirotecnias estilosas que associaríamos mais ao cinema moderno que ao cristianismo do Novo Testamento. Uma teologia abstrata da cruz pode facilmente ser embalada e vendida por um teólogo da glória. E isso não é para apontar um dedo contra “eles”: na verdade, se formos honestos, muitos, se não todos nós, sentimos a atração de ser teólogos da glória. Previsivelmente, uma vez que ser um teólogo da glória é a posição padrão da natureza humana caída.

O caminho para deixar de ser um teólogo da glória e tornar-se um teólogo da cruz não é fácil, não é simplesmente uma questão de dominar técnicas, ler livros ou aprender um novo vocabulário. É o arrependimento.

O Deus da Cruz

Por trás dessa ideia, entretanto, está uma ideia ainda mais profunda e revolucionária: a do Deus da cruz.

A tese teológica final da Disputa de Heidelberg é certamente a mais profunda, e provavelmente a mais bonita, que Lutero escreveu:

“O amor de Deus não encontra, mas cria, aquilo que lhe apraz. O amor do homem surge por meio daquilo que lhe apraz”.

Nessa afirmação, Lutero conclui sua articulação da lógica da cruz ao usá-la para subverter as noções comuns do amor de Deus. O amor dos seres humanos é fundamentalmente reativo: o amante vê algo intrinsecamente amável na amada, o que atrai seu amor para ela; sua amabilidade precede e, de fato, causa do amor dele. É assim que o teólogo da glória pensa do amor de Deus: obrigado, Senhor, por eu não ser como os outros homens…

O Deus da cruz, entretanto, é muito diferente. Ele se regozija em focar seu amor nos não amáveis e, assim, faze-los amáveis. Essa é a lógica de 1 Coríntios 1: a igreja, sediada em meio a uma cidade portuária, indubitavelmente continha uma grande proporção daqueles que seriam taxados de escória da humanidade – os pobres, fracos, ex-prostitutas, deturpados sexuais; ainda assim, Deus escolheu esses, as coisas que não são, para envergonhar as coisas que são. A própria lógica da cruz é manifesta no fato de que o amor de Deus não reputa as pessoas como a sociedade as reputa; Deus se regozija, pelo contrário, em amar aqueles que são mais desprezados.

Novamente, essa é uma palavra tanto de graça quanto de julgamento para a igreja contemporânea. De graça, porque nos lembra da promessa de Deus que Ele – Ele, e não nós – vai construir sua igreja e os portões do inferno não prevalecerão contra ela. Apenas um Deus da cruz e de amor criativo pode fazer e manter tal promessa. Certamente não há nada maior que possa nos dar confiança do que o pensamento de que é, em ultima instância, Deus quem nos dá o crescimento.

Mas também é uma palavra de julgamento porque nos lembra que nossa tentação de estarmos preocupados com aqueles que a nossa sociedade de celebridades considera amáveis – os jovens, os artistas, os talentosos, os famosos, os elegantes, os indomáveis, os corajosos, os bonitos, os legais, os auto-promovidos e os hipsters – não reflete as prioridades do Deus da cruz. Ele é mais propenso a construir sua igreja com, precisamente, aqueles que esse mundo considera fracos e desprezíveis. De fato, ele se regozija nisso; e a nossa atitude, nosso auto-entendimento, nossa teologia, nossa proclamação de quem Deus é e como ele age, devem refletir isso se formos verdadeiros teólogos da cruz, ao invés de teólogos da glória.

O amor de Deus não busca, mas cria, aquilo que lhe apraz. E assim eram alguns – não, assim éramos todos nós.

Carl Trueman

Traduzido por Josaías Jr e Filipe Schulz | iPródigo | originais aqui e aqui

Estudo da Semana: Será que eu inspirei um pouco de Deus?

Crianças às vezes são os melhores investigadores do pensamento teológico. Estou me convencendo mais e mais de que se aqueles que são chamados para ensinar sobre a Bíblia e as verdades teológicas não tiverem o hábito constante de priorizar a educação das crianças, eles podem rapidamente se perder em um mar de pensamentos irrelevantes que não tem qualquer conexão com o mundo real. As crianças tem um certo jeito de nos colocar os pés no chão. Eu lembro de uma vez em que minha irmã, Kristie, tinha oito anos. Nossa mãe colocou ela para dormir falando sobre o retorno de Jesus. “Jesus pode voltar a qualquer momento”, ela dizia. De repente, Kristie pulou da cama e saiu correndo do quarto mais rápido que a luz. Minha mãe a chamou de volta e perguntou por que ela estava correndo. Kristie respondeu “estou indo buscar meus sapatos!”.

 

Outro dia, há pouco tempo, eu estava conversando com Zach, meu filho de três anos, sobre Deus. Ele me perguntou onde Deus estava. Sempre fico um pouco perdido com essa questão, quando meus filhos me perguntam. Quando minha filha Katelynn estava na idade dele e perguntou a mesma coisa, eu disse que ele está lá mesmo, conosco. “Aqui no quarto?”, ela disse. “É”, respondi. Então ela correu e se escondeu. Ela imaginou Jesus como um fantasma andando pela casa. Zach me perguntou e acrescentou “Onde está Deus? Eu não estou vendo ele”. Respondi “não sei, onde você pensa que ele está?” “lá no céu”, ele respondeu. Eu disse que “Deus está em todo lugar. Não importa para onde você vai, você não pode se esconder dele”. Para uma criança de três anos, isso é o melhor que eu posso fazer. Mas precisamos ter cuidado. Tecnicamente, a resposta “Deus está em todo lugar” pode ser um pouco enganosa.Meu colega TIM Kimberley, diretor executivo do Credo House Ministries, estava relembrando de como um professor nosso do seminário, Dr. Jeffery Bingham, chefe do departamente de estudos teológicos do Seminário Teológico de Dallas, costumava fazer graça da noção de que Deus está em todo lugar. Enquanto falava sobre isso na aula, ele fazia uma pausa, respirava fundo, e dizia “espera aí, será que eu acabei de inspirar um pouco de Deus?”

Transcendência

Quando falamos sobre a essência de Deus, estamos falando de um Deus que não te um relacionamento com o tempo, o espaço e a matéria. Em outras palavras, Deus criou tudo (tempo, espaço e matéria) a partir do nada e não compartilha dos mesmos atributos físicos. Essa afirmação é tão importante que vale repetir: Deus criou tudo (tempo, espaço e matéria) a partir do nada e não compartilha dos mesmos atributos físicos. O termo teológico para isso é “transcendência”.O dicionário define transcendência como “Ter existência contínua além do mundo criado”. Bom, mas não exatamente o que precisamos.  Deus não possui uma extensão no espaço. Ninguém pode medir sua estatura. Em sua essência trinitariana, ele não tem altura, peso, cor ou jeito de caminhar. Ser transcendente é mais um aspecto da “santidade” de Deus. Ser “santo” significa “separado”, “diferenciado”. Deus não só é moralmente santo, mas ele também é ontologicamente santo. Em outras palavras, seu próprio ser – sua essência, seu ontos – é separado, distinto, e além de nós. Isso significa que em um senso bem realista, nós nunca “veremos” Deus com nossos olhos. Veja o que Paulo fala aqui:

1 Timóteo 6:16

[Deus,] o único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder para sempre. Amém.

Eu amo esse versículo. Note que ele habita (possui um lugar de existência) em uma luz que é inacessível (no grego, apositon, a negação de positon, que significa “achegar” ou “aproximar”). E se isso não fosse o suficiente para nos convencer da santidade totalmente transcendente da natureza de Deus, Paulo continua e diz que ninguém viu ou pode (dunatai – “possui capacidade”) vê-lo. Eu já ouvi pessoas falando que o conceito Evangélico Ocidental de Deus e de sua transcendência não está presente na Bíblia, mas são apenas um resquício distorcido do pensamento grego. Alguém esqueceu de avisar isso para Paulo!

Eu sei que alguns de vocês estão decepcionados com o pensamento de não são capazes de ver Deus. Enquanto é verdade que nunca o veremos em essência, nós vemos manifestações reais dele em sua presença relacional.

Imanência

Se eu parasse na transcendência, não teríamos nada além dos ingredientes principais de uma cosmovisão conhecida como “Deísmo”. Deístas acreditam que Deus é transcendente à toda a criação, mas eles também acreditam que ele não pode, devido à sua total transcendência, interagir com a criação. Daí o porquê da cosmovisão cristã ser tão única. A Bíblia nos ensina que Deus é tanto transcendente como imanente. Ele está tão longe quanto perto. Ele é criador e sustentador. Ele está além do tempo, e agindo no tempo. Ele é santo e ativo. Deus está presente relacionalmente, manifestando seu amor e seu poder de várias formas, cuja a mais importante é a encarnação de Jesus Cristo. Cada membro da Trindade está ativo no tempo, espaço e na matéria de uma forma muito real.Deus está em todo lugar?

Depois de percorrer por esse prólogo teológico, penso que podemos começar a lidar com a ideia de que Deus está em todo lugar. Nós acreditamos que Deus é onipresente (do grego omni – “todo” + presente). Mas sua onipresença não tem a ver com sua extensão no espaço, como se Deus estivesse esticado por todo o universo (espera – será que eu acabei de inspirar um pouco de Deus?). Tem a ver com o relacionamento do espaço com Ele.Aqui está o que eu acredito ser uma definição melhor da onipresença de Deus:

Deus está em todo lugar

“Todo lugar está na presença imediata de Deus”

 Eu escrevo isso porque vejo meus cristãos descrevendo Deus de formas que se aproximam do panteísmo. Por mais que possamos acomodar até certo ponto tais conceitos quando nossos filhos tem três anos, devemos rapidamente buscar uma visão apropriada de Deus que reconheça a tensão entre a transcendência do ser Deus e a imanência da sua presença e atividade.

Panteísmo é a crença de que o ser de Deus está presente em todo lugar e em todas as coisas. De fato, para o panteísta, quando você respira, você está inspirando Deus. O “deus” do panteísmo é um ser impessoal que criou tudo o que há por necessidade. O universo é oq que ele é. O Deus da Bíblia não é de qualquer forma dependente ou parte de sua criação. Ele criou todas as coisas livremente a partir do nada (ex nihilo).

Entretanto, de vez em quando a definição cristã da onipresença de Deus parece um pouco panteísta (espera aí – eu inspirei mais um pouco de Deus agora?). Muitas vezes nosso entendimento da onipresença de Deus sugere que Deus é um ser extremamente largo, ocupando uma vasta quantidade de espaço, ou que de alguma forma ele está espalhado igualmente por todo o universo. Amigos, não somos panteístas. Nós cremos em um Deus que permanece em um relacionamento transcendente com toda a criação, mas está ativo e envolvido em relacionamento com ela. Com certeza, esse é um grande mistério, mas é uma misteriosa necessidade que não deveria ser transformada em descrições que fazem mais mal do que bem.

Enquanto a essência de Deus não está em todo lugar, a presença de Deus está em todo lugar. Assim, não há lugar para o qual possamos fugir da presença imediata de Deus.

Salmo 139.7-12

Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá. Mesmo que eu diga que as trevas me encobrirão, e que a luz se tornará noite ao meu redor, verei que nem as trevas são escuras para ti. A noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz.

C Michael Patton

 Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

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