Arquivo de outubro 2010

Devocional: O Livro digno de ser examinado

Examinais as Escrituras. (João 5.39 – ARA)

A palavra grega traduzida por examinar significa uma investigação minuciosa, diligente e curiosa. Não podemos nos contentar com a leitura superficial de um ou dois capítulos da Bíblia. Com a iluminação do Espírito, temos de descobrir deliberadamente os significados profundos da Palavra de Deus. As Escrituras Sagradas exigem esse tipo de investigação, pois, em sua maior parte, as Escrituras podem ser aprendidas somente mediante estudo cuidadoso. Na Bíblia, existe leite para os bebês e carne para os adultos. O grande teólogo Tertuliano exclamou: “Eu adoro a plenitude das Escrituras”. Nenhuma pessoa que apenas lê superficialmente o Livro de Deus pode se beneficiar dele. Temos de cavar, até que encontremos os tesouros escondidos. A porta da Palavra se abre tão-somente por meio da chave da diligência.

As Escrituras são dignas de ser examinadas. Elas são os escritos de Deus, os quais trazem sobre si o selo de aprovação divina. Quem ousa tratar as Escrituras com leviandade? Aquele que as despreza rejeita o próprio Deus que as escreveu. A Palavra de Deus compensará nossa investigação. Deus não nos manda peneirar um monte de cascas que em seu meio têm alguns poucos grãos de trigo, achados com raridade. A Bíblia é trigo selecionado; temos apenas de abrir o celeiro e encontrá-lo. Sob o ensino do Espírito Santo, as Escrituras brilham com o resplendor da revelação. Ela é como um templo imenso pavimentado com ouro, em cujo teto há rubis e esmeraldas.

As Escrituras revelam Jesus. “São elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39). Nenhum motivo mais poderoso pode ser apresentado aos leitores da Bíblia, além deste: aquele que encontra a Jesus encontra a vida eterna, o céu e todas as demais coisas. Existe grande alegria estocada para aquele que examina a Bíblia e encontra nela o seu Salvador.

Charles H. Spurgeon

Devocional: Eu quero tudo

logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. (Gl 2:20 – ARA)

A vida cristã é diferente: mais difícil e mais fácil. Cristo diz: “Dê-me tudo. Eu não quero tanto do seu tempo, tanto do seu dinheiro, tanto do seu trabalho. Quero você. Eu não vim para atormentar seu ego natural, mas para matá-lo. Meias medidas não trazem nenhum bem. Eu não quero podar um galho aqui e outro ali, mas quero derrubar a árvore inteira. Entregue todo o seu ego natural, todos os desejos que você julga inocentes bem como os que você julga iníquos – todo o seu ser. Eu lhe darei um novo eu. Na verdade, lhe darei meu próprio eu; a minha vontade se tornará a sua vontade”.

C.S Lewis

Devocional: O Fim dos Ímpios

A salvação está longe dos ímpios, pois não procuram os teus decretos. (Sl 119:155 – ARA)

Deus não Se sujeita a nenhuma obrigação, nem a nenhuma promessa de manter o homem natural fora do inferno por um momento sequer. Ele não fez absolutamente nenhuma promessa de vida eterna, ou de libertação ou proteção da morte eterna, senão aquelas que estão contidas na aliança da graça – as promessas concedidas em Cristo, no qual todas as promessas são o sim e o amém. Mas obviamente os que não são filhos da aliança da graça não têm interesse na mesma, pois não crêem em nenhuma das suas promessas, e nem têm o menor interesse no Mediador dessa aliança.

Portanto, apesar de tudo que os homens possam imaginar ou pretender sobre promessas de salvação, devido suas lutas pessoais e buscas incessantes, deixamos claro e manifesto que qualquer desses esforços ou orações que se façam em relação à religião, será inútil. A não ser que creiam em Cristo, o Senhor, de modo nenhum Deus está obrigado a conservá-los fora da condenação eterna. Então, os homens impenitentes estão detidos nas mãos de Deus por cima do abismo do inferno. Eles merecem o lago de fogo e para ele estão destinados.

Deus Se acha terrivelmente irritado. Seu furor para com eles é tão grande, quanto para com aqueles que já estão agora sofrendo o suplício da fúria de Sua ira no inferno. Esses ímpios não fizeram absolutamente nada para abrandar ou diminuir Sua cólera, portanto o Senhor não está de modo algum preso a qualquer promessa de livramento, nem por um momento sequer. O diabo espera por eles, o inferno já escancarou a sua boca para tragá-los. O fogo latente em seus corações agrava-se agora querendo explodir. E como continuam sem o menor interesse no Mediador, não existem meios, ao alcance deles, que lhes possa dar segurança. Em suma, eles não têm refúgio e nada onde se segurar. O que os retém a cada instante é a absoluta boa vontade divina e a clemência sem compromisso, sem obrigação, de um Deus enraivecido.

Jonathan Edwards

Extraído do Sermão de Jonathan Edwards – Pecadores nas mãos de um Deus irado.

Estudo da Semana: Pecado – quando já é tarde demais

Parece que estamos afirmando o óbvio, mas é preciso que se diga isso. Quando alguém comete qualquer tipo de pecado, pode ter a certeza que antes entrou em tentação. Todo pecado deriva da tentação. Não pode haver pecado sem que exista a tentação (Tiago 1:14,15; Gál. 6:1). Quando são vencidas pelo pecado, muitas pessoas se arrependem dele, no entanto não se apercebem de que sua causa foi a tentação. Se quisermos vencer qualquer tipo de pecado, é preciso que consideremos o que nos está tentando a esse pecado e procurarmos evitar essa tentação. A tentação é a raiz e o pecado é o fruto amargo da tentação. Embora cientes do seu pecado, há muitos que não se conscientizam de suas tentações. Essas pessoas se desagradam com o fruto amargo do pecado, porém não tomam precauções para evitar a raiz venenosa da tentação.

Ninguém cai em pecado subitamente, sem que primeiro tenha entrado em tentação

A companhia de certas pessoas é capaz de levar quase com toda certeza a pensamentos, palavras e atos pecaminosos (1 Cor. 15:33), todavia é possível gostar dessa companhia e mais tarde lamentar sobre o pecado que resultou dela. Certos alvos ou ambições (1 Tim. 6:9) podem resultar no mesmo. As pessoas podem, porém, segui-los sem apreciarem as tristezas do pecado resultantes de segui-los.

A força da tentação

Como vimos no primeiro capítulo, as tentações têm vários graus. Quando a tentação é violenta, ou se repete constantemente, não dando descanso à alma, podemos ter a certeza de que entramos em tentação. Os desejos pecaminosos têm o poder de seduzir uma pessoa a pecar, até mesmo sem uma tentação externa (Tiago 1:14), entretanto isto não é o mesmo que entrar na tentação.

Os desejos pecaminosos são como um riacho correndo em seu curso para o mar, e a tentação como um vento poderoso que sopra nesse riacho. Pense nesse riacho e pense num barco vazio sendo colocado nele. Mais cedo ou mais tarde, segundo o curso e a velocidade da correnteza, esse barco será levado ao mar. Da mesma maneira, os desejos pecaminosos de uma pessoa irão mais cedo ou mais tarde (à parte da graça salvadora de Deus) levá-la ao mar da sua ruína eterna. Voltando à nossa ilustração, suponha que há ventos fortes ventando contra o barco. Então o barco será empurrado com violência contra as margens e as rochas, até que se parta em pedaços e seja tragado pelo mar.

Esta ilustração nos dá dois quadros de um homem pecaminoso. O primeiro é de um homem que, lentamente mas, com certeza, está sendo levado para o mar da sua ruína eterna nas correntezas dos seus desejos pecaminosos. O segundo nos mostra o mesmo homem experimentando o vento forte da tentação. Este vento leva o homem a um pecado após outro até que – totalmente estraçalhado – chega à sua ruína eterna.

Esta ilustração pode ser exemplificada em muitos casos nas vidas dos santos que foram preservados da ruína eterna, mas entraram em tentação e caíram lamentavelmente, para sua própria vergonha. Ezequias tinha nele, sempre, a raiz do orgulho (um desejo pecaminoso que o teria levado à perdição se não fora a graça de Deus). Todavia esse desejo não o compeliu a mostrar seus tesouros e suas riquezas até que entrou em tentação ao tempo em que chegaram os embaixadores da parte do rei da Babilônia (2 Reis 20:12-19; 2 Cron. 32:24-31). Essa mesma raiz de orgulho pode ser vista em Davi. Durante muitos anos ele resistiu ao desejo pecaminoso de contar o número do povo, mas cedeu a esse desejo quando satanás se levantou e o provocou (2 Sam. 24:1-10; 1 Cron. 21:1-8). Ilustrações semelhantes podem ser encon¬tradas nas vidas de Abraão, de Jonas e de Pedro, para mencionar apenas alguns poucos. Judas Iscariotes nos dá um exemplo amedrontador de um homem que nunca foi um verdadeiro santo. Judas era cobiçoso desde o começo (João 12:6), mas não tentou satisfazer seu desejo pecaminoso, traindo o seu Mestre enquanto o diabo não entrou nele.

Todos nós temos desejos pecaminosos. Às vezes, chegam a nós oportunidades que nos pressionam a satisfazê-los. Quando isso acontece, já entramos em tentação.

Nossa atitude em relação à tentação

Uma pessoa pode entrar em tentação sem estar ciente que um desejo pecaminoso está sendo provocado. Um exemplo disso é a situação em que o coração da pessoa começa a gostar da tentação, secretamente, e vai fazendo provisão para ela e lhe dá oportunidade, de diversas maneiras, para crescer – sem, contudo, cometer um pecado óbvio.

Esta é uma forma muito sutil de tentação. Um exemplo nos ajudará a detectá-la. Certa pessoa começa a ser conhecida como piedosa, sábia, entendida, etc. (coisas boas em si mesmas). As pessoas a elogiam por isso, e ela começa a gostar de ser tratada dessa maneira. Tanto o seu orgulho como a sua ambição são afetados. Ela passa, então, a se esforçar para burilar os seus dons e as suas virtudes. Mas seus motivos são errados: ela está querendo que sua reputação aumente. Está entrando na tentação. Se não reconhecer e lidar com essa situação, essa sutil tentação logo a transformará numa escrava dos seus desejos pecaminosos de desejar uma boa reputação.

Jeú é um bom exemplo, do Velho Testamento, de um homem assim. Ele havia se conscientizado de que estava ganhando a reputação de ser uma pessoa zelosa. Jonadabe, um homem bom e santo, se encontra com Jeú. Jeú pensa: “eis uma boa oportunidade para eu aumentar minha reputação”. Então ele chama Jonadabe para si e começa a trabalhar fervorosamente. As coisas que fez eram, em si mesmas, boas, entretanto seus motivos não eram bons. Estava seguindo os seus desejos. Havia entrado na tentação.

Aqueles que estão envolvidos na obra do ministério e da pregação do evangelho estão sujeitos a cair nesse tipo sutil de tentação. Muitas coisas desse trabalho podem ser um meio de ganhar reputação e apreço das pessoas corretas. A habilidade em geral de uma pessoa, sua capacidade, sua fidelidade, sua ousadia, seu sucesso, etc, podem, todos eles, se tornar num meio para aumentar sua reputação. Será que nós, secretamente, começamos a gostar dessa tentação? Acaso já começamos a fazer alguma coisa boa pela razão errada? Se assim procedermos estaremos entrando na tentação.

Sempre que os desejos pecaminosos de uma pessoa e as tentações se encontram

Sempre que uma pessoa se encontra numa situação na qual os seus desejos pecaminosos estão conseguindo a oportunidade de serem satisfeitos, e ela se vê sendo encorajada a satisfazê-los, aproveitando ao máximo a oportunidade que se lhe oferece, ela está entrando em tentação. É quase impossível que alguém receba as oportunidades, as ocasiões ou as vantagens que melhor se adaptam aos seus desejos pecaminosos sem que venha a se enlaçar nelas. Quando os embaixadores vieram da parte do rei da Babilônia, o orgulho de Ezequias o fez cair em tentação. Quando Hazael se tornou rei da Síria (2 Reis 8:7-15; 13:3,22), sua crueldade e sua ambição fizeram com que se irasse selvagemente contra Israel. Quando os sacerdotes vieram com suas peças de prata, Judas, por causa de sua ambição, foi instantaneamente motivado a vender o seu Mestre (Luc. 22:3-6).

Material inflamável precisa ser conservado distante do fogo. Da mesma maneira, é importante que nossos desejos pecaminosos sejam mantidos à distância daquelas coisas que os incitarão. Há aqueles que pensam que podem brincar com serpentes sem serem picados, tocar em tinta fresca sem se mancharem, brincar com fogo sem se queimarem; mas estão enganados. Porventura seu trabalho, seu estilo de vida ou suas companhias lhe trazem constantemente oportunidades para satisfazer os seus desejos pecaminosos? Se for assim, você entrou em tentação. Só Deus sabe como você se sairá dessa!

John Owen

Fonte: www.mayflower.com.br

www.josemarbessa.com

Devocional: Aos que de antemão conheceu

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou, também justificou; aos que justificou também glorificou (Romanos 8:28-30).

[...] Primeiro há uma referência a aqueles que Deus de antemão conheceu. Essa alusão a “conhecer de antemão”, isto é, saber de alguma coisa antes que ela aconteça, tem levado muitos comentaristas, tanto antigos como contemporâneos, a concluir que Deus prevê quem irá crer e que essa presciência seria a base para a predestinação. Mas isso não pode estar certo, pelo menos por duas razões. A primeira é que neste sentido Deus conhece todo mundo e todas as coisas de antemão, ao passo que Paulo está se referindo a um grupo específico. Segundo, se Deus predestina as pessoas porque elas haverão de crer, então a salvação depende de seus próprios méritos e não da misericórdia divina; Paulo, no entanto, coloca toda a sua ênfase na livre iniciativa da graça de Deus. Assim, outros comentaristas nos fazem lembrar que no hebraico o verbo “conhecer” expressa muito mais do que mera cognição intelectual; ele denota um relacionamento pessoal de cuidado e afeição. Portanto, se Deus “conhece” as pessoas, ele sabe o que passa com elas (Sl.1.6;144.3); e quando se diz que ele “conhecia” os filhos de Israel no deserto, isto significa que ele cuidava e se preocupava com eles (Os 13.5). Na verdade Israel foi o único povo dentre todas as famílias da terra a quem Javé “conheceu”, ou seja, amou, escolheu e estabeleceu com ele uma aliança (Am 3.2). O significado de “presciência” no Novo Testamento é similar. “Deus não rejeitou o seu povo [Israel], o qual de antemão conheceu”, isto é, a quem ele amou e escolheu (11:2 Cf. 1 Pe 1.2).  À luz deste uso bíblico John Murray escreve: “’Conhecer’… É usado em um sentido praticamente sinônimo de ‘amar’… Portanto, ‘aqueles que ele conheceu de antemão’… é virtualmente equivalente a ‘aqueles que ele amou de antemão” (Murray, vol. I, p. 317). Presciência é “amor peculiar e soberano” (Ibid., p. 318). Isto se encaixa com a grande declaração de Moisés: “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu, porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo… mas porque o Senhor vos amava…” (Dt 7.7s.; cf. Ef 1.4s).  A única fonte de eleição e predestinação divina é o amor divino.

John Stott

Devocional: Os dois mundos

Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. (João 17: 14-18 – ARA)

… o cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteiramente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .

Que se quer dizer com este reino dos céus?… Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Onde quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus. Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-lhes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28).

Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«0 reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós». Era como se dissesse: «Ele está se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).

D. Martyn Lloyd-Jones

Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 39,40

OBS: A passagem bíblica do evangelho de João foi acrescentada pelo administrador do blog.

Devocional: Há pecados em minha mente – Sou Cristão?

As Escrituras nos dizem que: “como [o homem] imagina em sua alma, assim ele é” (Pv 23,7). Muitas vezes, meus pensamentos são cheios de pecado, e mesmo assim sou um cristão. Como lidar com isso?

O versículo que você mencionou é um versículo muito importante. Ele soa um tanto estranho porque, quando falamos a respeito de imaginar, normalmente identificamos pensamentos e o processo de pensar com a cabeça, com o cérebro. Por que a Bíblia diz “como [o homem] imagina em sua alma”! Não pensamos com nossa alma, pensamos com nossas cabeças. Creio que a Escritura usa o termo alma para descrever o que chamaríamos de centro, âmago. Significa aquilo que é mais focalizado em nossos pensamentos, de forma que o centro, o âmago, a essência de nossos pensamentos é que produz aquilo que somos. Em outras palavras, aquilo em que minha mente prioriza, determina o tipo de pessoa que eu me torno.

Essa é uma questão decisiva, porque as pessoas estão sempre me dizendo que não desejam estudar teologia e que não desejam estudar matérias intelectuais porque tudo o que realmente as preocupa são as dimensões práticas da vida cristã. Entretanto, para cada prática existe sempre uma teoria. Cada um de nós vive a partir de uma teoria de vida. Realmente, vivemos de acordo com o que pensamos. Podemos não ser capazes de articular essa teoria de forma técnica, mas todos temos uma teoria a partir da qual vivemos a prática de nossa vida. É por isso que Jesus nos diz para mantermos nossos pensamentos puros. Aquilo que você enxerga como importante, vai controlar os padrões práticos de sua vida.

Você mencionou a frustração que sente com o conflito entre aquilo a respeito do que você sabe em sua mente que você deveria estar pensando, e aquilo que realmente pipoca em sua cabeça. Um dos melhores estudos sobre oração que já li vem da pena de João Calvino, o teólogo da Reforma francesa, em sua obra Institutas. Sempre exigia que meus alunos lessem esse capítulo sobre oração antes de lerem qualquer outra coisa para que ficassem familiarizados com Calvino, esse gigante espiritual, o homem que tinha uma enorme paixão pelo coração de Deus. Ele tinha uma vida devocional intensa. Calvino lamenta o fato de que, mesmo no meio da oração, sua mente era invadida por pensamentos pecaminosos.

Isso é normal no ser humano e devemos aprender a superar estes pensamentos invasivos, assim como aprendemos a lidar com outros aspectos de nossa natureza pecaminosa. O apóstolo (Paulo) diz que todas as coisas que são puras, todas as coisas que são verdadeiras e amáveis, são essas coisas que deveriam habitar em nós. Temos uma expressão de linguagem de computador chamada princípio GIGO: Lixo para dentro, lixo para fora. (A expressão em inglês diz: garbage in, garbage out; formando a expressão GIGO, impossível de ser colocada em português. N.T.) Se enchemos nossas mentes com lixo, nossas vidas logo começarão a manifestar o mau cheiro daquele lixo. Penso que a solução é encher nossas mentes com as coisas de Deus.

R.C. Sproul

Devocional: Autonegação, nossa busca

1. O apóstolo Paulo, nos dá um breve sumário de uma vida bem regrada quando diz a Tito: “Porque a graça de Deus se manifestou para todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós a fim de nos remir de toda maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tit. 2.11-14).

Paulo declara que necessitamos da graça de Deus como estímulo para nossas vidas, porém, para chegarmos a uma verdadeira adoração, devemos nos despojar dos seguintes obstáculos: primeiro, a falta de devoção à qual estamos fortemente inclinados, como também da concupiscência da carne que nos angustia e nos aflige.

A falta de piedade e devoção não só da lugar às superstições como a tudo aquilo que impede o santo temor a Deus. As concupiscências mundanas representam ou simbolizam as afecções carnais.

Paulo nos exorta a deixarmos de lado nossos desejos anteriores, os quais estão em conflito permanente com as duas tábuas da lei, e que renunciemos a todos os ditados de nossa própria razão e vontade.

2. O apóstolo resume todas as ações da nova vida em três grupos: sobriedade, justiça e piedade. Indubitavelmente a sobriedade significa castidade e temperança, como também o uso puro e frugal das bênçãos temporais, incluindo a paciência na pobreza. A retidão inclui todos os deveres da justiça, de modo que cada homem receba o que lhe é devido. A piedade nos separa da contaminação do mundo e, por meio da verdadeira santidade, nos une a Deus.

Quando as virtudes da sobriedade, justiça e piedade estão firmemente unidas, produzem uma absoluta perfeição.

3. Nada é mais difícil do que deixar de lado os pensamentos carnais, submeter e renunciar a nossos falsos apetites, e consagrarmo-nos a Deus e a nossos irmãos, vivendo assim uma vida de anjos num mundo de corrupção.

Para livrar nossas mentes de todo engano, Paulo chama nossa atenção para a esperança de uma bendita imortalidade; nos anima para que saibamos que nossa esperança não é em vão.

Assim como Cristo apareceu uma vez como Redentor, Ele virá outra vez para nos mostrar os benefícios da salvação que temos obtido.

O Senhor Jesus Cristo despoja nossa mente dos encantos que nos cegam, e nos impede de voltarmos a desejá-los, dando-nos um justo zelo pela glória celestial.

Cristo também nos exorta para que vivamos como estrangeiros e peregrinos neste mundo, de modo a não perdermos nossa herança nos céus.

João Calvino

Devocional: Jesus, o verdadeiro alimento

Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. (João 6:57)

Vivemos em virtude de nossa união com o Filho de Deus. Como Deus-homem Mediador, o Senhor Jesus vive pelo auto-existente Pai que o enviou, e da mesma forma vivemos pelo Salvador que nos vivificou. Aquele que é a fonte de nossa vida também é seu sustentador. A vida é mantida pelo alimento espiritual, e esse alimento espiritual é o Senhor Jesus. Não Sua vida, Sua morte, Seus ofícios, ou Sua obra unicamente, mas sim ELE mesmo, que incluem todas essas coisas. De Jesus, Dele mesmo, nos nutrimos.

Isso é explicado a nós na Ceia do Senhor, porém o desfrutamos na prática quando meditamos em nosso Senhor, quando cremos Nele com uma fé possuidora, quando recebemos Ele com amor, e assimilamos Ele pelo poder da vida interior. Sabemos o que é se alimentar de Jesus, mas não podemos dizer nem descrevê-lo. Nosso caminho mais sábio é praticar, e fazer isto mais e mais. É requerido que comamos abundantemente, e será para nosso infinito beneficio, pois Jesus é nossa comida e nossa bebida.

Senhor, dou-Lhe graças porque isso, que é uma necessidade para minha vida, é também meu maior deleite. Portanto, nesse momento, eu alimento-me de Ti!

Charles H. Spurgeon

Despertamento para Jovens

1˚ ENCONTRO DE DESPERTAMENTO PARA JOVENS

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