Arquivo de novembro 2010

Devocional: Antinomianismo

Há um antigo verso que serve para ilustra bem o tema antinomiano. O verso diz: ”Livre da lei, que maravilhosa condição, posso pecar quanto quiser e ainda alcançar a remissão”.

Antinomianismo significa literalmente ”antilei”. Ele nega ou diminui a importância da lei de Deus na vida do crente. É o oposto da heresia gêmea, o legalismo.

Os antinomianos cultivam aversão pela lei de várias maneiras. Alguns acreditam que não têm obrigação de obedecer às leis morais de Deus porque Jesus os libertou da lei. Insistem em que a graça não só liberta da maldição da lei de Deus, mas também nos liberta da obrigação de obedecê-la. A graça, pois, se torna uma licença para a desobediência.

O mais surpreendente é que as pessoas defendem este ponto de vista a despeito do ensino vigoroso de Paulo contra ele. Paulo, mais do que qualquer outro escritor do Novo Testamento, enfatizou as diferenças entre a lei e a graça. Ele se gloriava na Nova Aliança. Mesmo assim, foi muito explícito em sua condenação do antinomianismo. Em Romanos 3.31 ele escreve: ”Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.”.

O erro primário do antinomianismo é confundir justificação com santificação. Somos justificados pela fé somente, independentemente das obras. Entretanto, todos os crentes crescem na fé ao observarem os mandamentos de Deus – não para granjearem o favor de Deus, mas movidos por uma amorosa gratidão pela graça que já lhes foi concedida através da obra de Cristo.

É um erro grave supor que o Antigo testamento era a aliança da lei e que o Novo Testamento é aliança da graça. O Antigo Testamento é um testemunho monumental da maravilhosa graça de Deus em favor de seu povo. Semelhantemente, o Novo Testamento está literalmente cheio de mandamentos. Não somos salvos pela lei, mas demonstramos nosso amor a Cristo obedecendo a seus mandamentos. ”Se me amais, guardai os meus mandamentos.” Jo 14.15.

Freqüentemente ouvimos a afirmação: ”O cristianismo não é um monte de normas sobre o que fazer e o que não fazer. Não é uma lista de regras”. Há alguma verdade nesta dedução, visto que o cristianismo é muito mais do que uma mera lista de regras. Em sua essência, o cristianismo é um relacionamento pessoal com o próprio Cristo. Não obstante, o cristianismo também não é destituído de regras. O Novo Testamento claramente inclui alguns “faça e não faça”. O cristianismo não é uma religião que sanciona a idéia de que todos têm o direito de fazer o que acharem melhor aos próprios olhos. Ao contrário, ele nunca dá a alguém o “direito” de fazer o que é errado.

R. C. Sproul

Sumário

1. Antinomianismo é heresia que diz que os cristãos não têm qualquer obrigação de obedecer às leis de Deus.

2. A lei revela o pecado, é o fundamento para a decência na sociedade e é um guia para a vida cristã.

3. O antinomianismo confunde justificação e santificação.

4. Lei e graça enchem tanto o Antigo quanto o Novo Testamento.

5. Embora obedecer à lei de Deus não seja a causa meritória da nossa justificação, espera-se que uma pessoa justificada busque ardentemente obedecer aos mandamentos de Deus.

Textos para meditação – Jo 14.15; Rm 3.27-31; Rm 6.1,2; 1 Jo 2.3-6; 1 Jo 5.1-3

Devocional: Vivendo com base na pura e simples Palavra de Deus

Fé significa tomar a Palavra de Deus por si só e agir com base nela por ser a Palavra de Deus. E crer no que Deus diz, simples e unicamente porque Ele o diz. Os heróis da fé, aludidos em Hebreus 11, criam na Palavra de Deus só porque Deus falara. Não tinham outras razões para crer nela. Por que, por exemplo, Abraão tomou a Isaque e subiu com ele àquele monte? Por que foi ao ponto de sacrificar seu filho? Simplesmente porque Deus lhe dissera que o fizesse.

Viver pela fé, porém, ainda é mais que isso. É basear a vida toda sobre a fé em Deus. O segredo de todas aqueles personagens do Velho Testamento está em que viviam «como se vissem aquele que é invisível» . . . Arriscavam tudo para ser fiéis à Palavra de Deus. Dispunham-se a sofrer por ela e, se necessário, a suportar a perda de tudo. Igual prospectiva se antepôs a muitos cristãos primitivos. . . «Se você não disser César é Senhor», diziam as autoridades, «será atirado aos leões na arena!» Contudo, negaram-se a dizê-lo. Com que base? Com base na pura e simples Palavra de Deus! .’. . Arriscaram tudo. Morreram pela fé e na fé.

Esta é hoje a nossa posição como cristãos. A escolha vai-nos sendo imposta mais e mais. Há ainda alguém bastante estulto para confiar neste mundo e no que ele tem para oferecer? Qual é o princípio dominante em nossas vidas? O cálculo? A sabedoria do mundo. . . ? Ou é a Palavra de Deus, exortando-nos sobre o fato de que esta vida e este mundo são transitórios e que ambos constituem mera preparação para o mundo vindouro? Ela não nos manda voltarmos as costas inteiramente para o mundo, mas insiste em que tenhamos a idéia certa sobre o mundo. . . Temos de fazer-nos, como na presença de Deus, estas perguntas singelas: Minha vida está baseada no princípio da fé? Estou-me rendendo ao fato de que o que leio na Bíblia é a Palavra de Deus e é verdade? Quero mesmo arriscar tudo, minha vida inclusive, baseado neste fato?

D. Martyn Lloyd-Jones

Estudo da Semana: A Cruz de Cristo

Existem alguns temas que são evitados hoje em dia. Boa parte das pessoas não gosta de falar de seus próprios erros cometidos, pecado, conseqüências dos nossos erros, muito menos da morte de Cristo na Cruz do Calvário em nosso lugar. Existe uma idéia de que você não pode falar de coisas negativas ou tristes, porque “atrai maus fluidos”, ou seja, atrai coisas ruins. Curiosamente, é comum em muitos círculos evangélicos a mensagem de auto-ajuda, ou de entretenimento, daquelas que arrancam gargalhadas da congregação, mas que não tocam na realidade de que nosso pecado ofende a santidade de Deus e isso o obriga a manifestar sua justiça. Deus é justo necessariamente.

O problema é que a manifestação da justiça de Deus implica na morte do culpado: “porque o salário do pecado é a morte…” (Rm 6.23a). Outra coisa que deve ser lembrada é que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). A junção dos dois versículos nos leva naturalmente à conclusão de que todos nós somos culpados diante de Deus e merecemos a morte como salário pelo nosso pecado. Poderia, então, um ímpio, culpado por crimes e delitos os mais diversos diante de Deus ter alguma chance? Será que Deus poderia fazer vista grossa e deixá-lo entrar no seu céu? Não! A sua justiça precisa ser satisfeita. O preço deve ser pago; o pecador deve morrer, ou seja, ser banido da presença amorosa e abençoadora de Deus. Será que o ímpio poderia fazer alguma coisa para aliviar sua carga e amenizar ou eliminar sua culpa e condenação? Não! A Bíblia diz que a salvação não é pelas obras para que ninguém se glorie (Ef 2.9). Então nossa justiça própria não resolveria nosso problema diante de Deus. Isaías disse que “todas as nossas justiças são como trapo da imundícia” (Is 64.6). Mas o que poderia resolver o problema dos ímpios que estão debaixo da ira de Deus?

Somente o pagamento realizado por um mediador poderia resolver o problema do ímpio. Mas esse mediador não poderia ser uma pessoa qualquer. Não poderia ser simplesmente um ser humano perfeito, porque, nesse caso, o pagamento seria feito unicamente por uma pessoa. O pagamento teria que ser feito por alguém poderoso, de natureza infinita, a fim de que o seu resultado fosse ilimitado. Seria necessário que o pagamento fosse realizado pelo próprio Deus. Para a salvação do homem ímpio e caído em pecado, Deus então resolveu enviar seu único Filho, verdadeiro Deus, nascido de mulher, verdadeiro homem, a fim de substituir na cruz a homens ímpios merecedores do inferno. Cristo Jesus morreu por nós quando nós ainda éramos ímpios. Porque Deus justifica o ímpio. Ele derramou seu sangue, sofreu a terrível cruz, a penalidade máxima por causa dos nossos pecados, em nosso lugar, imputando a sua justiça a nós para nos apresentar diante de Deus sem mácula e sem defeito algum. Deus mesmo pagou o preço a si mesmo, tornando a sua ira em bênçãos para a nossa salvação. Cristo tornou Deus Pai propício a nós. Jesus é a propiciação. Ele nos reconciliou com Deus e nos fez beneficiários dessa reconciliação. Fomos declarados justos no tribunal de Deus uma vez por todas. Essa é a glória da igreja de Cristo: a cruz do nosso Senhor. Foi nessa cruz que nosso pecado foi pago. Foi nessa cruz que a vida eterna foi conquistada pelo Senhor a nosso favor. Por isso podemos cantar: “eu me alegro na cruz, porque nela Jesus deu a vida por mim pecador”. Todo aquele que crer será justificado diante do Senhor pela graça de Cristo, mediante a sua fé.

E quando aquele que creu chegar diante do Senhor Todo-Poderoso e justo Juiz de toda a terra revestido de grande poder e majestade em seu trono celestial? Deverá temer alguma coisa? Ainda haverá mais alguma coisa que deveria fazer em seu favor para ser recebido na glória celestial? Agora imagine nosso personagem de joelhos aguardando a palavra final. Não! Seu débito foi pago! Foi pago pelo Senhor Jesus Cristo naquela cruz. A Justiça de Deus foi completamente satisfeita. Ah! A cruz maldita agora é a sua glória! Aquilo que poderia traduzir coisas ruins e negativas, a cruz de Cristo, está no cerne do Evangelho, da boa notícia de que mediante o sofrimento de Cristo lá, seremos recebidos pelo Pai em amor e santidade na sua presença justa. Ela é a nossa glória!

Pr. Charles Melo

Fonte: http://bibliacomisso.blogspot.com/2010/09/cruz-de-cristo_07.html

Devocional: Todo lugar é lugar de orar

Na minha angústia, invoquei o SENHOR, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos. ( Salmos 18.6)


Veja onde foi que Jonas orou: no ventre do peixe. Nenhum lugar é impróprio para a oração. “Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar” [1Tm 2.8]. Onde quer que Deus nos lance, podemos achar um caminho aberto em direção ao céu, exceto por nossa própria indisposição. Os céus são igualmente acessíveis de qualquer parte da terra. Aquele que, pela fé, tem Cristo habitando no seu coração, para todo lugar que for leva consigo o altar que santifica a oferta e é, em si mesmo, um templo vivo. No caso, Jonas estava confinado; o ventre do peixe era a sua prisão, um calabouço apertado e tenebroso. Mas, mesmo lá, ele tinha liberdade para ter acesso a Deus, e manteve comunhão com ele sem impedimento algum. Os homens podem nos impedir de estar em comunhão uns com os outros, mas não podem nos impedir de estar em comunhão com Deus. Jonas estava agora no fundo do mar, mas das profundezas ele clama a Deus, da mesma maneira que Paulo e Silas na cadeia, presos no tronco. A quem Jonas orou: ao Senhor seu Deus. Ele estava fugindo de Deus, mas agora compreende a loucura disso e volta para ele. Pela oração ele se aproxima daquele Deus de quem tinha se apartado, e aplica o coração para se aproximar dele. Na oração, o profeta percebe Iavé não apenas como o Senhor, mas como o seu Deus: o Deus que tem uma aliança com ele, porque, graças a esse Deus, nenhuma transgressão da aliança nos exclui dela. Isso serve estímulo até mesmo aos filhos desviados para que retornem.

[Leia Jonas 2]


Matthew Henry (1662–1714)


Fonte: Daily Readings, Randall J. Perderson (org.), Chistian Focus pub., 2009, “January 14″.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com

Devocional: Acréscimos necessários à Fé

“…pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade” (II Pedro 1:5-6)

Se você puder gozar da notável graça da completa certeza da fé, sob a abençoada influência e assistência do Espírito, faça o que a Escritura te diz: “ponha nisto toda a diligência”. Tenha o cuidado de que tua fé seja do tipo certo – que ela não seja uma mera crença na doutrina, mas uma fé simples, dependente de Cristo, e de Cristo somente. Aplique cuidadosa diligência à tua coragem. Rogue a Deus para que Ele te dê a aparência do leão, para que você possa, com consciência do que é certo, seguir com bravura. Estude bem as Escrituras e adquira a ciência, a fim de que a ciência da doutrina tenda a verdadeiramente confirmar a fé. Tente entender a Palavra de Deus, deixe-a habitar em seu coração abundantemente.

Quando você tiver feito isto: “acrescentado à ciência, temperança”. Tenha cuidado com o corpo: que seja sem brandura. Tenha cuidado com a alma: que seja com brandura. Adquira temperança do lábio, vida, coração, e pensamento. Adicione a isto, pelo Espírito Santo de Deus, paciência; peça a Ele que te dê aquela paciência que suporta a aflição, a qual, quando testada, virá à frente como ouro. Adorne-se com paciência, que você não irá murmurar nem será deprimido em suas aflições. Quando esta graça for vencedora olhe para a piedade. Piedade é algo além da religião. Faça da glória de Deus seu objetivo de vida; vida na Sua visão; vivendo próximo a Ele; procure por Sua companhia; e você terá “piedade”; e a isto adicione amor fraternal. Tenha amor para com todos os santos; e adicione a isto a caridade, que abre os seus braços a todos os homens, e ama suas almas. Quando você estiver adornado por estas jóias, e na exata proporção com que você pratica estas virtudes divinas, você passará a saber com a mais clara evidência “do seu chamamento e eleição”. “Pondo diligência” se você puder ter certeza, pois indiferença e dúvida muito naturalmente andam de mãos dadas


Charles H.  Spurgeon

Devocional: Preciosas Promessas

(…) pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo. (2Pedro 1.4)

Medite detalhadamente e sempre nas promessas e (…) faça-lhes o mesmo que a Virgem Maria fez com as afirmativas a respeito de Cristo: “Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração” (Lucas 2.19). O boticário não infunde nenhuma virtude às ervas, mas as destila e extrai delas tudo quanto é eficaz e proveitoso. A abelha não incute nenhuma doçura à flor, mas suga pela diligência o mel latente nela. A meditação não transmite nada de valor à promessa, mas lhe extrai a doçura e lhe descobre a beleza, pois, de outro modo, pouco se lhe poderia fazer ou tirar proveito.

Às vezes imagino que o crente ao olhar uma promessa não é diferente daquele que contempla os céus num anoitecer límpido e que num primeiro lance de vista deleita-se ao ver só uma ou duas estrelas despontando e cintilando com dificuldade uma luz débil e evanescente; mas, em seguida, ele ergue de novo a vista e eis que já aumentaram tanto o número como o esplendor delas. Mais tarde, ele olha para o céu outra vez, e aí vê todo o firmamento tomado de canto a canto por uma multidão incontável de estrelas e ricamente salpicado de muitas, muitas, pepitas de ouro.
Assim também quando os cristãos volvem pela primeira vez a mente para as promessas, os vislumbres de luz e de consolação que delas emanam, parecem muitas vezes débeis e imperfeitos raios de luz, incapazes de dissiparem temores ou trevas. Quando novamente se empenham em pensar mais detalhadamente acerca delas, o testemunho e a consolação que elas transmitem à alma são mais claros e mais nítidos. Mas quando o coração e os sentimentos estão totalmente fixos na meditação de uma promessa, oh! E, como a promessa é uma imagem iluminada aos olhos da fé? Como multidões de maravilhas rebentam de todas as suas partes, extasiando e enchendo de deleite a alma do crente? (…) A ruminação e meditação minuciosas de uma única promessa é como uma porção de comida bem mastigada e digerida, a qual distribui mais nutrição e força ao corpo do que grandes quantidades de alimento enfiadas goela abaixo.


William Spurstowe (c. 1605-1666)


Fonte: Day by Day with the English Puritans, Randall J. Pederson (org.), Hendrickson Publishers, 2004, p. 8.
Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com

Devocional: Ouvindo, mas não Obedecendo

Os mais notáveis cristãos confirmam unanimamente que, quanto mais perto de Deus, mais aguda e viva se torna a consciência do pecado e o sentimento de desvalia pessoal. As almas mais puras jamais conheceram quão puras eram, e os grandes santos nunca souberam que eram grandes. O próprio pensamento de que eram bons ou grandes teria sido rejeitado por eles como tentação de Satanás.

Ficaram tão enlevados e preocupados em contemplar a face de Deus que tiveram mui pouco tempo para olhar para si mesmos. Ficaram mais que enlevados nesse doce paradoxo de consciência ou conhecimento espiritual, pelo qual conheceram que estavam limpos mediante o sangue do Cordeiro, e pelo qual sentiram que mereciam somente a Morte e o Inferno, por justa paga. Este sentimento aparece mui nítido e forte nos escritos do Apóstolo Paulo, e igualmente o encontramos expresso em quase todos os livros devocionais, bem como nos hinos sacros de maior valia e mais queridos.

A qualidade ou virtude da cristandade evangélica há de melhorar muito, caso o desusado interesse que hoje se nota pela religião não deixe a Igreja em pior estado que antes de haver aparecido o fenômeno. Se prestarmos atenção, creio que ouviremos o Senhor dizer a nós aquilo que disse certa vez a Josué: “Dispõe-te agora, passa este Jordão tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel.” Ou ouviremos o escritor da Carta aos Hebreus dizendo-nos: “Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito.” E, por certo, ouviremos o Apóstolo Paulo a nos exortar que “nos enchamos do Espírito Santo”.

Se estivermos suficientemente despertos para ouvir a voz de Deus, de modo algum podemos nos contentar apenas com o “crer nisso”. Como pode o homem crer numa ordem, ou mandamento? Os mandamentos se dão para serem observados, obedecidos; e, enquanto não os pusermos em prática, nada temos feito de positivo. E mais: ouvir mandamentos e deixar de lhes obedecer é infinitamente pior do que nunca os ter ouvido, especialmente à luz do iminente retorno de Cristo e Seu juízo vindouro.

A. W. Tozer

Estudo da Semana: Ajudando Igrejas a lidarem com a apostasia

O que você diria para uma igreja em que dois de seus dois mais promissores jovens “cristãos” não apenas deixaram a comunhão, mas se voltaram para ela com hostilidade e deboche? Esse é o cenário muito real que me pediram para tratar em um encontro recente de pastores e líderes. É, sem dúvidas, uma das mais agonizantes e perturbadoras experiências da vida cristã quando um amigo querido ou um membro da família abandona sua fé.  Eu já tive contato com isso, várias vezes, pessoalmente, tanto entre pessoas próximas quanto no ministério pastoral.

Me pediram para dar alguns conselhos e direcionamentos para ajudar pastores e líderes a lidarem com tais situações em suas igrejas. Eu parto do princípio que todas as tentativas de recuperar a “ovelha perdida” foram esgotadas, e que os membros já foram excluídos. Meus conselhos são limitados à ministração na vida das ovelhas remanescentes que sofrem e fazem muitos questionamentos quanto a isso. Altamente baseado na obra épica de John Owen sobre apostasia, eu sugeri que fosse feito nas igrejas uma série de sermões sobre os tópicos a seguir (que também deveriam ser enfatizados nas visitas pastorais).

Alguns cristãos serão abalados pela apostasia de outros cristãos professos. “Se ele pode cair, que esperança há para mim?”. Logo, pregue sobre as grandes promessas de Deus de eterna segurança para seu povo (João 6.39, 40; 10.28, 29)

Isso realmente deve ser pregado antes que a apostasia ocorra, para evitar que as pessoas sejam pegas de surpresa quando de fato acontecer. Todo o Antigo Testamento é a história da apostasia de Israel. No Novo Testamento, vemos apostatas como Judas e Demas. Alguns em Corinto negaram a ressurreição e alguns na Galácia voltaram à lei como forma de salvação. Não é surpresa que os Apóstolos alertavam a igreja quanto a essa possibilidade (Atos 20.29,30; 1 Coríntios 11.19; 1 Timóteo 4.1; Judas; 1 João 2.19).

John Owen destacou três áreas nas quais a apostasia normalmente começa: doutrina, estilo de vida e adoração.

Owen relacionou a apostasia doutrinária com a falta de experiência cristã. Ele disse que quando alguém não tem uma experiência de necessidade pessoal, nenhum senso da justiça de Deus, nenhum vislumbre da glória de Deus, nenhuma submissão à soberania de Deus e nenhum temor à Palavra, então a apostasia estará logo ali na próxima esquina.

Owen ressaltou que um estilo de vida sem santidade é mais capaz de levar a apostasia do que o abandono das doutrinas cristãs. Ele enxergava tanto o legalismo quanto a falta de normas como eventuais caminhos para a apostasia.

Owen também argumentou que se negligenciarmos, não obedecermos ou acrescentarmos regras além do necessário à adoração, a apostasia não tarda a chegar.

Pastores devem estar atentos a essas três zonas de perigo: doutrina, estilo de vida e adoração. E devem chamar a atenção do rebanho para isso.

Owen prossegue e lista as causas particulares da apostasia, para que os pastores e suas congregações possam ver e orar.

  1. Inimizades profundas e não tratadas contra as coisas espirituais nas mentes de muitos;
  2. Orgulho e vaidade daqueles que se recusam a aceitar a autoridade da Escritura;
  3. Preguiça e negligência;
  4. Falta de certeza e confiança;
  5. Falso senso de segurança devido à negligenciar os avisos do Espírito sobre apostasia;
  6. O amor pelo mundo e suas paixões passageiras (Demas, em 2 Timóteo 4.10);
  7. Primeiro “apóstata”, Satanás leva muitos a apostasia e força outros a apostatarem por meio de perseguições;
  8. Pessoas em cargos altos da igreja levando vidas perversas (Jeremias 23.15; 1 Samuel 2.12-17);
  9. Pecados culturais que influenciam as pessoas;
  10. Divisões na igreja.

Pastores devem discernir com sabedoria um tropeço de um cristão da queda de um apóstata. Todo cristão se desvia da doutrina, cai em pecado ou falha na adoração de vez em quando. Isso não faz dele um apóstata. John Owen definiu a apostasia como “rebelião e desobediência contínuas e persistentes contra Deus e sua Palavra” ou “renúncia pública final e total de todos os princípios e doutrinas do Cristianismo”.

Hebreus 6 descreve o ato da apostasia como “estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública”. Ao declararem que experimentaram Cristo e seu Evangelho e não acharam nenhuma verdade ou bondade neles, os apostatas fazem exatamente o que fizeram os judeus. De fato, Owen diz que a apostasia cristã é pior porque os judeus o faziam em “ignorância”.

Além de relembrar os cristãos da congregação de quão abominável é a apostasia aos olhos de Deus, eles também devem ser alertados sobre os julgamentos temporais, espirituais e eternos que recaem sobre os apóstatas. Deus usa descrições de como abomina e julga a apostasia como um meio de sua graça para manter as pessoas longe da apostasia.

As grandes promessas de Deus sobre a perseverança dos santos são dadas àqueles que perseveram nos meios que Deus provê. Os cristãos devem ser lembrados da incalculável necessidade e valor da Igreja, da Palavra, dos sacramentos e da comunhão.

John Owen desejava que os cristãos soubessem que a apostasia poderia ser evitada com o cuidado com o coração (Provérbios 4.23). Mantenha o Evangelho no centro do seu coração; ame sua verdade e experiencie seu poder. Mantenha o pecado longe de seu coração, especialmente os pecados tão perigosos como do orgulho espiritual e de espírito de julgamento.

Quando a apostasia ocorre na congregação, muitas vezes é tentador apenas ignorá-la e levantar a placa de “acontece, é a vida”. Entretanto, isso não vai tratar as necessidades de cristãos e não-cristãos que estão feridos e perplexos por conta de tais ocorridos. Isso também acaba com a oportunidade de preparar a igreja para futuros desapontamentos. Então eu encorajo pastores e líderes a focarem nesses nove tópicos, tanto de forma pública como particular.

Dr. David Murray

Fonte: http://iprodigo.com/traducoes/ajudando-igrejas-a-lidarem-com-a-apostasia.html

Devocional: Fé e Consciência Íntegra

Mantendo a fé e uma consciência íntegra (1Tm 1.19)

Tomo a palavra ‘fé’ num sentido geral, ou seja, de ensino sadio. E nesse sentido que ele usa o termo mais adiante, quando fala de “o mistério da fé” [3.9]. Essas são deveras as principais coisas requeridas de um mestre, ou seja: que se mantenha firme na verdade pura do evangelho e que seja um ministro de consciência íntegra e zelo equilibrado. Onde esses dois elementos se fazem presentes, o resto se seguirá dos mesmos.

Porquanto alguns, têm-se desviado delas. O apóstolo mostra quão necessário se faz que uma consciência íntegra que acompanhe a fé, pois o castigo de uma má consciência consiste no desvio da senda do dever. Aqueles que não servem a Deus com uma mente pura e honesta, mas se entregam às más disposições, ainda que tenham começado com uma mente equilibrada, no fim perdem-na completamente. Esta passagem deve receber cuidadosa ponderação. Sabemos que o tesouro da sã doutrina é inestimável, e nada há para se temer mais do que o risco de perdê-lo. Aqui, porém, Paulo nos diz que a única forma de conservá-lo é conservando-o com uma boa consciência. Por que é que tantos rejeitam o evangelho e se precipitam no seio de seitas ímpias ou se envolvem em erros monstruosos? É porque Deus pune os hipócritas com esse gênero de cegueira, justamente como, em contrapartida, um sincero temor de Deus nos injeta vigor para perseverarmos. Desse fato podemos aprender duas lições.

Primeiramente, os mestres e ministros do evangelho, e através deles toda a Igreja, são advertidos sobre como muitos deles devem sentir repulsa por uma falsa e hipócrita profissão da verdadeira doutrina, visto ser a mesma castigada com extrema severidade.

Em segundo lugar, esta passagem remove aquela dificuldade que perturba a tantos, quando eles se deparam com alguns que uma vez professaram a Cristo e seu evangelho, não só retornando às suas superstições anteriores, mas, pior ainda, se deixam fascinar por erros monstruosos.

Com tais exemplos, Deus está publicamente vindicando a honra do evangelho e publicamente declarando que não pode suportar que o mesmo seja profanado. Isso é algo que se pode aprender da experiência da própria época; todos os erros que têm surgido na Igreja Cristã, desde seus primórdios, emanam dessa fonte: a cobiça e o egoísmo às vezes têm extinguido o genuíno temor de Deus. Daí a má consciência ser a mãe de todas as heresias, e hoje nos deparamos com um vasto número de pessoas que jamais abraçaram a fé com honestidade e sinceridade, se precipitando como bestas brutas na sandice dos epicureos, e assim a sua hipocrisia se torna exposta. E não só isso, mas também que o menosprezo por Deus se espalha por toda parte e as vidas licenciosas e depravadas de quase todas as classes humanas revelam que não resta no mundo senão uma minguada porção de integridade, de modo que há boas razões para temer-se que a luz que ficou acessa tão pronto se apague, e que Deus conserve num limitadíssimo número de pessoas o sadio entendimento do evangelho.

A metáfora extraída do naufrágio é muito oportuna, pois sugere que, se desejarmos alcançar o porto com nossa fé intacta, então devemos fazer da boa consciência o piloto de nossa trajetória; de outra sorte corremos o risco de naufragarmos. A fé pode afundar-se no abismo de uma má consciência, como um remoinho num mar tormentoso.

João Calvino

Devocional: Salva-me!

“ E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21)


Senhor, salva-me dos meus pecados. Por teu nome JESUS sinto-me animado a orar dessa forma. Salva-me de meus pecados passados, para que o hábito deles não me mantenha cativo. Salva-me dos pecados de meu próprio ser, para que não seja escravo de minhas próprias debilidades. Salva-me dos pecados que continuamente estão diante de meus olhos para que não perca meu horror por eles. Salva-me de meus pecados secretos; pecados os quais não percebo, devido à minha falta de luz. Salva-me dos pecados súbitos e surpreendentes: não permita que eu seja tirado de meu caminho pela força da tentação. Salva-me, Senhor, de todo pecado. Não permitas que a iniqüidade tenha domínio sobre mim.
Somente Tu podes fazer isto. Eu não posso romper minhas próprias cadeias, nem eliminar meus próprios inimigos. Tu conheces a tentação, pois Tu foste tentado. Tu conheces o pecado, pois Tu o carregaste com o peso dele. Tu sabes como me socorrer em minha hora de conflito. Tu podes salvar-me de pecar, e salvar-me quando pequei. Está prometido em Teu próprio nome que farias isso, e eu te rogo que nesse dia me permitas comprovar a profecia. Não permitas que eu ceda ao mal caráter, ao orgulho, ao desalento ou qualquer forma de mal; mas sim salva-me para a santidade de vida, para que Teu nome, JESUS, possa ser glorificado em mim abundantemente.

Charles H. Spurgeon

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