Arquivo de fevereiro 2011

Devocional: O que a Religião não faz e o Cristianismo faz

Uma simples religião de domingo não é o suficiente. Algo que colocamos e tiramos com nossas roupas de domingo é impotente. Os homens sabem que há sete dias na semana, e que a vida não é feita só de domingos. A ronda diária de formalidades e cerimônias nos edifícios consagrados não é o bastante. Os homens espertos lembram que há um mundo de obrigações e aflições fora das paredes da igreja, no qual eles devem exercer o seu papel. Eles querem algo que possam levar consigo neste mundo.

Uma religião monástica nunca conseguiria. Uma fé que não pode florescer fora de uma estufa eclesiástica, uma fé que não pode encarar o ar frio dos negócios do mundo, e frutificar, exceto se for por trás do muro do isolamento e do asceticismo – tal fé é uma planta que o nosso Pai Celestial não plantou, e ela não leva nenhum fruto à perfeição.

Uma religião de entusiasmo espasmódico e histérico não consegue. Ela pode servir para mentes fracas e sentimentais por um tempo; mas ela raramente dura, e não satisfaz a vontade de muitos. Ela enfraquece ossos e músculos, e geralmente termina em morte, pela força da reação. Não é o vento, nem o fogo, nem o terremoto, mas a voz, ainda que pequena, que mostra a real presença do Espírito Santo.

O Cristianismo que o mundo requer, e que a Palavra de Deus revela, é de um tipo bem diferente. É uma religião útil para todos os dias. É uma planta saudável, forte e viril, a qual pode viver em qualquer posição, e florescer em qualquer atmosfera, exceto a do pecado. É uma religião que o homem pode levar com ele aonde ele for, e nunca precisa deixar para trás. No Exército ou na Marinha, na escola pública ou na faculdade, no anfiteatro de um grande hospital ou no bar, na fazenda ou na cidade, no mercado ou nas trocas, no parlamento ou na corte, o Cristianismo puro e verdadeiro viverá e não morrerá. Ele vai durar, permanecer e prosperar em qualquer clima, no inverno e no verão, no calor e no frio. Tal religião encontra os desejos do homem.

J. C. Ryle

Fonte: http://bisporyle.blogspot.com/2011/02/o-que-religiao-nao-faz-e-o-cristianismo.html

OBS: Trecho do sermão “Olhando para Jesus”, futura publicação deste site (ver link), por J.C.Ryle, tradução: Maria Eduarda Lyra

Estudo da Semana: Idolatria nas manhãs de domingo (1)

“Asssim estas nações temiam ao SENHOR e serviam as suas imagens de escultura” (2 Reis 17.41a)


Qual é nossa maior barreira para adorar a Deus? Apresentaríamos uma variedade de respostas potenciais.

“Nosso líder de adoração não é muito experiente”.

“Os cultos são muito planejados/espontâneos”.

“As músicas são muito complexas/simples”.

“A banda/orquestra/tecladista/guitarrista é ruim”.

“São muitas músicas novas/velhas”.

“Nossa igreja é muito grande/pequena”.

Ignorando por um momento que todas essas afirmações se referem ao contexto de reunião, elas revelam um profundo mal entendimento sobre as barreiras do verdadeiro louvor. Ao contrário do que alguns talvez pensem, nosso maior problema não se encontra fora de nós, mas dentro de nossos próprios corações. É o problema da idolatria.

A passagem de 2 Reis descreve uma situação acontecida quando Samaria foi repovoada pelo rei da Assíria. É uma situação que pode existir potencialmente em nossos cultos hoje. Podemos temer ao Senhor externamente, participando de tudo o que percebemos serem os elementos corretos do culto – cantar, contribuir, orar, ajoelhar, escutar a Palavra de Deus, etc. – e estar ativamente servindo a falsos deuses em nossos corações. Deus deixa claro em Êxodo 20 que ele não tolerará qualquer competição pela lealdade e afeições de nossos corações. “Não terás outros deuses diante de mim”. Isso descreve a idolatria sucintamente.

Quando alguém menciona idolatria, podemos imaginar alguém em Nova Guiné ajoelhando-se diante de estátuas de madeira ou metal, e pensar “Graças a Deus, eu não luto com ISTO”. Ídolos, entretanto, são bem mais difundidos, traiçoeiros e enganadores. Idolatria é atribuir valor, autoridade ou domínio supremo a qualquer outra coisa que não seja Deus.

Ingenuamente, pensamos que os ídolos podem nos garantir o que somente Deus pode dar. Eles nos tentam diariamente. Não é surpreendente, portanto, que mesmo minha filha de dez anos, Mckenzie, lide com ídolos. Um de seus ídolos principais é “não tomar banho”. Também conhecido como os ídolos do controle e do prazer. Hoje, ela confessou a mim e minha esposa que, pelos últimos três dias, ela estava apenas fingindo tomar banho. (Por alguma razão, muitas crianças de dez anos consideram o banho tão atraente quando arranhar um quadro negro por dez minutos). Depois de lidar com uma confissão cheia de lágrimas, e descobrir sua disciplina (não brincar com os amigos por três dias), falamos sobre seu coração. Expliquei a ela que não tomar banho era um ídolo para ela. Ela pensava que continuar suja lhe traria felicidade. Porém, isso a levou a enganar aqueles a quem ela mais ama e desonrar o Deus que a criou para Sua glória. E, definitivamente não lhe deu a felicidade prometida. No final das contas, ídolos nunca dão.

Tentei dar um título chocante para esses posts, a fim de nos alertar para a diferença entre um Deus “professado” e um deus “funcional”. Isto é, o Deus em quem afirmamos que cremos, e o deus que realmente governa nossos desejos e ações.

Como já disse, a idolatria pode estar ativa em meu coração mesmo se estou adorando externamente a Deus. Essa é uma ideia séria. Toda vez que penso que não posso adorar a Deus a não ser que “X” esteja presente, estou fazendo uma profunda declaração. Se “X” é algo além de Jesus Cristo e do Espírito Santo, passei a caminhar em território idólatra. Idolatria é sempre má, mas os ídolos que perseguimos não são coisas necessariamente más. Eles são maus para nós porque os valorizamos acima de Deus.

Páginas poderiam ser escritas sobre cada um dos ídolos potenciais que irei cobrir. Muitos, se não todos, tocam em áreas que podem e devem ser usadas com discernimento para servir ao povo de Deus quando nos reunimos para cantar em Seu louvor. Alguns deles são mais importantes que outros. Mas todos eles devem exaltar a Deus, não substituí-lo.

MÚSICA

Estilos musicais no culto congregacional provocaram certa agitação em anos recentes. Na verdade, eles têm causado agitação por séculos, e por uma boa razão. A música é uma poderosa mídia, que pode afetar-nos positivamente ou negativamente. Entretanto, a raíz da divisão é frequentemente (embora, nem sempre) pessoas que insistem que sabem qual o tipo de música que Deus gosta. Não ajuda muito o fato de que os “proponentes da nova música” são frequentemente arrogantes, insensíveis, egoístas e impacientes. Entretanto, podemos fazer um ídolo tão facilmente daquilo que é antigo e familiar quanto podemos fazer do que é novo e criativo. A música deve ser escolhida sabiamente por sua capacidade de servir tanto às letras quanto à congregação, a fim de verdadeiramente honrarmos a Deus. Mas, pensar que precisamos de certo tipo de música para nos envolvermos verdadeiramente com Deus é, em sua raiz, uma idolatria.

TRADIÇÃO

Toda igreja, mesmo aquelas que se dizem não-tradicionais, têm tradições. Uma tradição é simplesmente alguma coisa que você fez mais de uma vez. As tradições podem servir aos propósitos de Deus na igreja? Certamente! Paulo encoraja os tessalonicenses: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” (2 Ts 2.15). Mas nossas tradições hoje são iguais à Escritura, em autoridade? Certamente não! Toda geração é responsável por examinar se as tradições herdadas (ou que tentam se estabelecer) são bíblicas ou não, e se verdadeiramente ajudam as pessoas a exultarem na majestade e obras de Deus. Os ídolos complementares da familiaridade e conforto frequentemente são revelados nas palavras: “nunca fizemos desse jeito antes”.

CRIATIVIDADE

No caso dessa lista parecer que aborda só um lado, a NOVIDADE também pode ser um ídolo. Estamos convencidos de que alguma coisa nova, diferente, nunca vista antes, fará nosso culto congregacional mais efetivo. Ou poderoso. Ou atraente. Talvez seja a iluminação… ou uma nova disposição de palco… ou um videoclipe… ou velas… ou banners… ou “atividade artística interativa”. Criatividade nunca é nosso alvo na adoração a Deus. É simplesmente um meio para o fim de manifestar e ver a glória de Cristo mais claramente. Novas mídias ou formas de comunicação podem nos dar uma perspectiva diferente, levando a verdade a ter um impacto maior sobre nós. Mas, se sairmos de um culto público mais impressionados com nossa criatividade que com nosso Salvador, ou pensando que a Palavra de Cristo é notícia velha, Deus nos ajude.

Estou ciente de que o que escrevo pode ofender a alguns. Eu oro para que não seja o caso, embora o que percebamos como uma “ofensa” pode ser a convicção do Espírito. Pode muito bem apenas ser minha má comunicação. Porém, disso tenho certeza: Deus está comprometido em receber toda a glória, honra e louvor, todas as vezes em que nos reunimos como Seu povo, redimidos por meio do sacrifício expiatório de Seu Filho. Ele não terá rivais. “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is 42.8). Cada vez que nos reunimos para adorar ao Deus triuno, ELE deve ser o centro total de nossa atenção e nossas afeições. Sua grandeza e esplendor devem se tornar cada vez maiores em nossas mentes, corações e vontades. Seus desejos e mandamentos devem se tornar mais preciosos para nós. Jesus Cristo e Sua obra expiatória devem ser mais gloriosos e maravilhosos para nós.

A seguir, compartilharei mais ídolos que encontrei ao adorar nos cultos de domingo. Nesse meio tempo, oro para que você seja encorajado pelo amor precioso do Pai por nós.

Bob Kauflin

Fonte: http://iprodigo.com

Devocional: A importância da Auto-Análise

Pouca coisa revela tão bem o medo e a incerteza dos homens quanto ao esforço que fazem para ocultar seu verdadeiro “eu” uns dos outros e até mesmo a seus próprios olhos.

Quase todos os homens vivem desde a infância até a morte por detrás de uma cortina semi-opaca, saindo dela apenas rapidamente quando forçados por algum choque emocional e depois voltando o mais depressa possível ao esconderijo. O resultado desta dissimulação constante é que as pessoas raramente conhecem seus próximos como realmente são e, pior ainda, o disfarce tem tanto êxito que elas nem sequer conhecem a si mesmas.

O autoconhecimento tem tal importância em nossa busca de Deus e de sua justiça, que nos encontramos sob a obrigação de fazer imediatamente aquilo que for necessário para remover o disfarce e permitir que nosso “eu” real seja conhecido. Umas das supremas tragédias da religião é o fato de nos termos em tão alta conta, enquanto a evidência aponta justamente o contrário; e nossa auto-admiração bloqueia eficazmente qualquer esforço possível para descobrir uma cura para a nossa condição. Somente o indivíduo que sabe que está doente é que procura o médico.

Nosso verdadeiro estado moral e espiritual só podem ser revelados pelo Espírito e pela Palavra. A Deus pertence o juízo final do coração. Existe um sentido em que não ousamos julgar-nos uns aos outros [Mateus 7.1-5] e no qual não devemos sequer tentar julgar-nos [1Coríntios 4.3]. O julgamento final pertence àquele cujos olhos são chama de fogo e que vê através das obras e pensamentos dos homens. Agrada-me deixar com ele a última palavra.

Existe, porém, lugar para a auto-análise e uma necessidade real de que esta seja feita [1Coríntios 11.31-32]. Embora nossa autodescoberta não seja provavelmente completa e nossa auto-análise contenha elementos preconceituosos e imperfeitos, existem, porém, boas razões para que trabalhemos ao lado do Espírito em seu esforço positivo para situar-nos espiritualmente, a fim de podermos fazer as correções exigidas pelas circunstâncias. É certo que Deus já nos conhece totalmente [Salmo 139.1-6]. Resta-nos agora conhecer a nós mesmos o melhor possível. Por esta razão ofereço algumas regras para a autodescoberta; e se os resultados não forem tudo que possamos desejar, podem ser pelo menos melhores do que nada. Podemos ser conhecidos pelo seguinte:

1. O que mais desejamos. Basta ficarmos quietos, aguardando que a excitação dentro em nós se acalme, e a seguir prestar cuidadosa atenção ao tímido clamor do desejo. Pergunte ao seu coração: o que você mais desejaria ter no mundo? Rejeite a resposta convencional. Insista em obter a verdadeira, e quando a tiver ouvido saberá o tipo de pessoa que é.

2. O que mais pensamos. As necessidades da vida nos induzem a pensar em muitas coisas, mas o teste real é descobrir sobre o que pensamos voluntariamente. Nossos pensamentos irão com toda probabilidade agrupar-se ao redor do tesouro secreto do coração, e qual for ele revelará o que somos. “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

3. Como usamos nosso dinheiro. Devemos ignorar de novo aqueles assuntos sobre os quais não exercemos pleno controle. Devemos pagar impostos e prover as necessidades da vida para nós e nossa família, quando a temos. Isso não passa de rotina e diz pouco a nosso respeito. Mas o dinheiro que sobrar para ser usado no que nos agrada irá contar-nos sem dúvida muita coisa sobre nós.

4. O que fazemos com as nossas horas de lazer. Grande parte de nosso tempo é usado pelas exigências da vida civilizada, mas sempre temos algum tempo livre. O que fazemos com ele é vital. A maioria das pessoas gasta esse tempo vendo televisão, ouvindo o rádio, lendo os produtos baratos da imprensa ou envolvendo-se em conversas frívolas. O que eu faço com o meu tempo revela a espécie de homem que sou.

5. A companhia de que gostamos. Existe uma lei de atração moral que chama o homem a participar da sociedade que mais se assemelha a ele. O lugar para onde vamos quando temos liberdade para ir aonde quisermos é um índice quase infalível de nosso caráter.

6. Quem e o que admiramos. Suspeito desde há muito tempo que a grande maioria dos cristãos evangélicos, embora mantidos mais ou menos em linha pela pressão da opinião do grupo, sentem de todo modo uma admiração ilimitada, embora secreta, pelo mundo. Podemos conhecer o verdadeiro estado de nossas mentes, examinando nossas admirações não-expressas. Israel admirou e até invejou com freqüência as nações pagãs ao seu redor, esquecendo-se assim da adoção e da glória, das leis, das alianças e das promessas e dos pais. Em vez de culpar Israel, façamos uma auto-análise.

7. Sobre o que podemos rir. Pessoa alguma que tenha qualquer consideração pela sabedoria de Deus iria argumentar que exista algo errado com o riso, desde que o humor é um componente legítimo de nossa natureza complexa. Quando nos falta o senso de humor, falhamos também na mesma proporção em equiparar-nos à humanidade sadia.

Mas o teste que fazemos aqui não é sobre o fato de rirmos ou não, mas do que rimos. Algumas coisas ficam fora do campo do simples humor. Nenhum cristão reverente, por exemplo, acha a morte engraçada, nem o nascimento, nem o amor. Nenhum indivíduo cheio do Espírito pode rir das Escrituras, da igreja comprada por Cristo com o seu próprio sangue, da oração, da retidão, do sofrimento ou da dor da humanidade. E certamente ninguém que já esteve na presença de Deus jamais poderia rir de uma história que envolvesse a divindade.


Esses são alguns dos testes. O cristão sábio encontrará outros.

A. W. Tozer

Fonte: http://cristomarques.blogspot.com/

Devocional: Um conselho de Charles H. Spurgeon

“O evangelho é pregado aos ouvidos de todos, mas atinge com poder alguns apenas. O poder que existe no evangelho não reside na eloqüência do pregador – se fosse assim, homens se tornariam conversores de almas. Nem na erudição do pregador – nesse caso, seria apenas sabedoria de homens. Podemos pregar até gastar nossa língua, até secar nossos pulmões, mas alma nenhuma será convertida, a não ser que outro poder misterioso nos acompanhe: O Espírito Santo transformando a vontade do homem”.

“Senhores! Pregar às paredes ou aos seres humanos é a mesma coisa, a não ser que o Espírito Santo esteja com a Palavra, dando-lhe poder para converter almas”.

Charles Haddon Spurgeon

Fonte: http://judiclay.blogspot.com/

Devocional: Uma súplica a Deus

“Senhor nosso Deus, faze que estejamos cheios de esperança, à sombra de tuas asas, e dá-nos proteção e apoio. Tu nos sustentarás desde pequeno e até o tempo dos cabelos brancos, pois a nossa firmeza é firmeza quando se apóia em ti, mas é fraqueza quando se apóia em nós”.


Agostinho, Bispo de Hipona.

In: Confissões, p. 31

Fonte: http://judiclay.blogspot.com/

Devocional: Declarações de amor para Deus

Alguém criou a expressão “músicas ‘Deus é minha namorada’” para descrever as letras contemporâneas que expressam o amor a Deus com palavras que, por natureza, são românticas. Elas incluem frases como “abraça-me”, “deixe-me sentir seu toque”, etc. Embora essa não seja a primeira vez na história em que cânticos congregacionais foram rotulados como sensuais (John Wesley tinha alguns problemas com as letras de Charles Wesley, às vezes), essa é uma questão que ainda precisa de esclarecimento.

Por que alguém escreve músicas que podem ser cantadas tanto para Deus quanto para um amante humano? As razões variam. Talvez o compositor seja simplesmente um péssimo letrista que não conhece nada melhor. Pode ser uma tentativa de alargar os limites do lirismo poético. Também poderia ser uma tentativa de escrever canções “intercambiáveis” que são aplicáveis a contextos cristãos ou seculares. O problema é que nosso relacionamento com Deus é um pouco diferente (você poderia dizer infinitamente?) de nossos relacionamentos com os outros.

Outro grupo baseia seu uso do imaginário romântico em Cântico dos Cânticos – “Deixe-me conhecer os beijos de tua boca, deixe-me sentir teu abraço”¹. Entretanto, não há qualquer indicação fora de Cantares de que Deus deseja que cantássemos individualmente palavras como essas a nosso Deus e Salvador. (Para uma interpretação mais literal de Cântico dos Cânticos como uma celebração do romance matrimonial, sugiro que você leia Sexo, Romance e a Glória de Deus, de C.J. Mahaney).

Fiquei feliz de pegar a última edição da revista Worship Leader e descobrir que Matt Redman tratou esse mesmo tópico em um artigo chamado “Beije-me?”. Ele procurar responder a pergunta: “figuras românticas são apropriadas para as expressões congregacionais de adoração?”.

Como esperado, os pensamentos de Matt são humildes, claros, uteis e, mais importante, bíblicos. Ele compartilha a experiência de escutar o um CD de músicas de louvor próximo a um não-cristão.

Outro dia estava ouvindo um disco de louvor (que não identificarei!) bem alto – dentro do alcance do homem que limpa minhas janelas. Achei que talvez fizesse algum bem para ele ouvir algumas músicas de adoração. O que não percebi é que uma das músicas continha uma sequência de letras que pareciam românticas. Ao procurar o mais rápido possível o botão de pausa, percebi algo. Eu não estava com vergonha de Jesus, mas não estava nem um por cento convencido da maneira como, alguma vezes, nos aproximamos dEle. William Barclay tem uma opinião bem forte sobre isso: “o Novo Testamento jamais corre o menor risco de sentimentalizar a ideia de Deus”².

O potencial para o evangelismo o encorajou até que surgiu uma música com uma sequência de letras românticas. Ao pausar a música, Matt percebeu: “eu não estava com vergonha de Jesus, mas não estava nem um por cento convencido da maneira como nos aproximamos dEle”. Em seguida, ele acrescenta: “Algumas vezes, dentro das paredes da igreja, caímos no hábito de dizer ou fazer coisas que nunca faríamos se estivéssemos realmente em contato com o mundo. E, na verdade, isso é apenas um ponto secundário. O principal é se estamos ou não escrevendo e escolhendo músicas que são um eco verdadeiro do padrão da Escritura”.

Como a maioria das coisas, discernimento é mais sábio que simplesmente banir o uso de certas palavras como “belo” ou “abraçar”. Entretanto, cantar ou escrever palavras a Deus porque elas “expressam meus sentimentos” mostra-se um padrão ilusório. Deus importa-se com as palavras que usamos quando nos aproximamos dEle, e nossas palavras devem ser “um eco verdadeiro do padrão da Escritura”. Relacionamos-nos com Deus da maneira que Ele se revelou a nós ou de uma maneira que nossa cultura acha confortável? Nossas músicas descrevem Deus como Ele é ou procuram fazê-lo mais parecido conosco?

Encontramos o equilíbrio entre transcendência e imanência em Isaías 54.5: “Porque o teu Criador é o teu marido; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; que é chamado o Deus de toda a terra”. Esse verso nos mostra que, em nosso desejo de celebrar como Deus nos trouxe para perto por meio da cruz, nunca podemos nos esquecer de que Ele continua exaltado acima de toda criação. Ele não é nossa namorada; Ele é nosso Deus. Nossas canções nunca deveriam ser vagas sobre essa diferença. Como Matt nos lembra, “precisamos constantemente refletir nas maneiras em que nos dirigimos a nosso maravilhoso Deus”. Porque Ele realmente é maravilhoso.

Bob Kauflin

Fonte: http://iprodigo.com

Traduzido por Josaías Jr. | iPródigo | Original


¹ Música do compositor David Ruis. No original, “Let me know the kisses of your mouth, let me feel your embrace.”

² Esse trecho do Matt Redman não estava na versão original do texto de Bob Kauflin (por isso há até uma certa repetição nesse post). Incluí aqui para entendermos melhor o contexto da situação narrada. Você pode ler o artigo de Matt (em inglês) aqui.


Devocional: Alerta contra erros

Por que muitos evangélicos agem como se os falsos mestres na igreja nunca pudessem ser um problema sério nesta geração? Muitos parecem estar convencidos de que “rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3.17).

Na verdade, a igreja hoje é possivelmente mais suscetível aos falsos mestres, aos sabotadores doutrinários, e ao terrorismo espiritual que qualquer outra geração na história da igreja. A ignorância bíblica dentro da igreja parece ser mais profunda e mais espalhada que em qualquer outra época desde a Reforma Protestante. Se você duvida, compare o sermão típico de hoje com um sermão aleatoriamente escolhido de qualquer grande pregador evangélico anterior a 1850. Também compare a literatura cristã de hoje com quase tudo publicado por editoras evangélicas há cem anos ou mais.

O ensino bíblico, mesmo nos melhores lugares hoje, tem sido deliberadamente facilitado, feito tão vago e raso quanto for possível, supersimplificado, adaptado ao mínimo denominador comum – e então formatado para criar apelo em pessoas com déficit de atenção.

Os sermões são quase sempre breves, simplistas, cobertos de referências à cultura pop o quanto for possível, saturados com anedotas e ilustrações. (Piadas e histórias engraçadas retiradas de experiência pessoal têm vantagem em relação a referências e analogias retiradas da própria Escritura). Os tópicos típicos de sermão são grandemente ajustados para favorecer questões antropocêntricas (como relações pessoais, vida de sucesso, autoestima, listas de como fazer, e por aí vai) – até a exclusão de muitos dos temas doutrinários da Escritura que exaltam a Cristo. Em outras palavras, o que muitos pregadores contemporâneos fazem é virtualmente o oposto do que Paulo descreveu quando disse que nunca deixou de “anunciar todo o conselho de Deus” (Atos 20.27).

Não apenas isso, mas aqui está como Paulo explicou sua abordagem como ministro do Evangelho, mesmo entre os pagãos incrédulos da mais libertina cultura romana:

E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. (1 Coríntios 2.1-5)

Note que Paulo deliberadamente se recusou a adaptar sua mensagem ou ajustar seu anúncio para se encaixar no padrão filosófico ou gostos culturais dos coríntios. Quando ele diz mais tarde na epístola, “e fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus… Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei … Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9.20-22), ele estava descrevendo como se fez um servo de todos (v.19) e um companheiro daqueles a quem tentava alcançar. Em outras palavras, ele evitou se fazer uma pedra de tropeço. Ele não estava dizendo que adaptou a mensagem do Evangelho (que ele claramente disse que é uma pedra de tropeço – 1.23). Ele não adaptou os métodos para ser agradável aos gostos de uma cultura mundana.

Paulo não pensava em satisfazer as preferências de uma geração em particular, ele não usou qualquer artifício para ganhar atenção. Qualquer que seja o antônimo que você possa pensar para a palavra showman, esse provavelmente seria uma bela descrição do estilo do ministério público de Paulo. Ele queria deixar claro a todos (incluindo aos próprios convertidos de Corinto) que vidas e corações são renovados por meio da Palavra de Deus, e nada mais. Desta forma, eles começariam a entender e apreciar o poder da mensagem do Evangelho.

John MacArthur

Fonte: http://bereianos.blogspot.com/2010/03/alerta-contra-erros.html

Estudo da Semana: Amar a quem?

Em nossos dias a palavra “amor” tem perdido o seu sentido e isso ocorre porque a compreensão sobre ela é equivocada. Um poeta secular, ao falar sobre esse assunto, expressa sua compreensão dizendo que o amor não é imortal, posto que é chama, mas deve ser infinito enquanto durar. Juntemos a isso um agravante que é a compreensão também errônea sobre o alvo do amor. Muito temos ouvido falar sobre a necessidade do amor próprio e de como o homem deve cultivá-lo. Há inclusive uma música da década de 80 celebrando o amor-próprio. Na última estrofe e no refrão temos:


“Foi tão difícil pra eu me encontrar

É muito fácil um grande amor acabar, mas

Eu vou lutar por esse amor até o fim

Não vou mais deixar eu fugir de mim

Agora eu tenho uma razão pra viver

Agora eu posso até gostar de você

Completamente eu vou poder me entregar

É bem melhor você sabendo se amar

Eu me amo, eu me amo

Não posso mais viver sem mim” (grifos meus)


A Escritura, porém, caminha na contramão de tudo isso. Vemos no Evangelho que, ao ser questionado por um intérprete da Lei sobre qual seria o grande mandamento, Jesus respondeu que o principal era amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento e que o segundo era amar ao próximo como a si mesmo. Disse mais ainda: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.40). Devemos notar que Jesus não fala em momento algum de amor próprio, ainda que muitos tentem enxergar no texto este “terceiro mandamento”.

O mais triste é que raciocínio dos cristãos que pensam assim é semelhante ao do autor da música citada acima: se alguém não se ama não conseguirá amar o próximo.

Esse “terceiro mandamento” não está no texto por uma simples razão: o homem, por natureza, já se ama demais e não precisa ser estimulado a se amar mais ainda. Jesus parte do princípio de que esse amor por si mesmo já existe. As palavras de Paulo corroboram esse pensamento. O apóstolo afirma: “Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida”(Ef 5.29).

Quando a Escritura menciona o amor próprio, trata-o como um problema: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas (amantes de si mesmosna versão Revista e Corrigida de Almeida)” (1Tm 3.1,2), afirma Paulo a Timóteo.

Devemos sempre agir de forma bíblica, e, para isso, precisamos entender o que a Palavra de Deus ensina sobre o amor e o que ela requer que façamos. Somos alvo do amor maior, o amor do Senhor demonstrado na cruz do Calvário, e, por isso, podemos e devemos amá-lo da forma correta, colocando-o em primeiro lugar em nossas vidas e também dispensando esse amor ao próximo.

Segundo Paulo, “o amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1Co 13.4-8). Esse amor deve ser sem hipocrisia (Rm 12.9), cordial, fraternal, preferindo o próximo em honra (Rm 12.10), edificante (1Co 8.1), demonstrado de fato e de verdade (1Jo 3.18).

Diante de tudo isso, devemos deixar de lado o que o mundo nos ensina sobre o amor egoísta (amor próprio) e viver o amor bíblico, por Deus e pelo próximo, para a glória daquele que nos amou primeiro.


Milton Jr

Fonte: http://bibliacomisso.blogspot.com/

Devocional: Inacreditável ao Homem caído

Na queda de Adão, perdemos não só nosso interesse em Deus e no desfrutar real dele, mas também todo nosso conhecimento espiritual a respeito dele e a verdadeira disposição a tal felicidade. O homem tem agora um coração muito adequado a sua condição atual: estado degradado e espírito vil. E quando o Filho de Deus vem com a graça regeneradora, e descobertas, e propostas de alegria e de glória eternas e espirituais, ele não encontra fé no homem capaz de acreditar nisso. Mas, assim como o homem pobre é incapaz de acreditar que alguém seria capaz de ter a soma de dez mil reais, também os homens dificilmente acreditariam agora que haja tal felicidade como a que outrora tivera, e muito menos que Cristo agora nos busca.


Richard Baxter

In: O repouso eterno dos santos

Fonte: http://cincosolas.blogspot.com

Devocional: Aos evangelistas (e aos cristãos) brasileiros

Não conheço bem o que os brasileiros fazem em termos de evangelização, porém sei que vocês não são responsáveis pelos resultados da sua evangelização. Vocês são responsáveis pela mensagem e pelos métodos que usam. Esperem em Deus e em Sua graça soberana na produção dos frutos, dos resultados. Na China há um bambuzeiro que não cresce nos primeiros quatro anos, mesmo que você cuide bem dele. Contudo, quando no quinto ano  ele começa a brotar, em noventa dias fica com cinco a seis metros de altura. Você diria que esta árvore cresceu em noventa dias ou que ela cresceu potencialmente nos cinco anos? Trabalhem, esperem em Deus, lancem a semente e esperem no Senhor. Os tempos hoje são às vezes desencorajadores, mas houve tempos mais desencorajadores antes. Às vezes ficamos prevendo a ruína da Igreja, no entanto o que devemos fazer é planejar a renovação da Igreja. John Flavel, um grande puritano, disse: “Não sepultem a Igreja antes que ela esteja morta”. Espero que vocês possam suportar firmes como bons soldados de Cristo, estando prontos para serem chamados de loucos por amor a Cristo. Deixem que as suas vidas falem mais alto do que dizem ou pregam. Que Deus nos ajude a sermos verdadeiros evangelistas.

Joel R. Beeke

In: A tocha dos puritanos

Fonte: http://cincosolas.blogspot.com

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