Arquivo de março 2011

Devocional: Somos transformados progressivamente

A transformação que resulta do contemplar a glória de Cristo, no evangelho, acontece progressivamente. “Contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem.” Falar sobre nossa transformação em termos de “glória” demonstra que a glorificação cristã começa na conversão, não na morte ou na ressurreição. De fato, na mente de Paulo, a santificação é a primeira fase da glorificação.

Por isso, devemos pensar sobre a vida cristã como um conformar-se, mais e mais, à gloriosa pessoa de Cristo. O primeiro e mais importante significado dessa conformação é moral e espiritual. Vemos o próprio Cristo como infinitamente belo em suas perfeições morais e espirituais e, consequentemente, infinitamente valioso. Ele é o maior tesouro no universo. Nós O vemos dessa maneira e nos deleitamos em ter encontrado a fonte de todo prazer e o cofre do tesouro do regozijo santo.

E, quando contemplamos a Cristo, também compartilhamos, mais e mais, da percepção espiritual de Cristo a respeito do Pai e do mundo. Cada vez mais, passamos a ver a preciosidade de Deus conforme Cristo a vê. E vemos que a glória do Pai e a do Filho são uma única glória. Não há escolha de uma em detrimento da outra. Eles se tornaram um Deus nas afeições de nosso coração.

Quando contemplamos a glória de Cristo, no evangelho, e experimentamos a sua pureza, chegamos a ver o pecado como repugnante e a salvação como magnificente. Não vemos mais as pessoas, como disse Paulo, “segundo a carne” (2 Co 5.16), mas com um amor que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Co 13.7). Não desesperamos de ninguém, porque, apesar da depravação humana, “para Deus tudo é possível” (Mt 19.26). E não vemos mais a cultura com olhos de sedução ou desespero, mas com olhos de esperança. O Cristo soberano e vivo reivindicará, um dia, este mundo para Si mesmo. Nosso espírito é despertado e fortalecido por contemplar a glória de Cristo e sua paixão por fazer todas as coisas servirem à glória de seu Pai.

John Piper

Fonte: http://www.ocristaohedonista.com/

Devocional: Torna-te para Mim

“Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-

te para mim, porque eu te remi”. (Isaías 44.22)

Observe atentamente a comparação feita neste versículo: nossos pecados são como uma nuvem. As nuvens têm diversas formas, assim também são as nossas transgressões. As nuvens obscurecem a luz do sol e trazem escuridão sobre as paisagens na terra. De maneira semelhante, nossos pecados escondem de nós a luz da face de Jeová e nos fazem assentar na sombra da morte.

Nossos pecados, como nuvens, são coisas que brotam da terra e surgem dos recessos imundos de nossa natureza. Quando se ajuntam em grande quantidade, eles nos ameaçam com tempestades e furacões. Diferentemente das nuvens, nossos pecados não nos proporcionam qualquer refrigério; pelo contrário, eles nos ameaçam inundar com um intenso dilúvio de destruição. Negras nuvens de pecado, como pode haver bom tempo em nossa alma, enquanto vocês permanecem?!

Consideremos agora o ato da misericórdia divina — desfazer. Deus mesmo entra em cena; e, ao invés de manifestar sua ira, Ele demonstra sua graça. Deus remove para sempre o erro, não por soprar para longe a nuvem, e sim por desfazer sua existência. A grande transação realizada na cruz removeu, eternamente, do homem as suas transgressões. Obedeçamos o gracioso mandamento — Torna-te para mim.

Por que devem os pecadores perdoados viver à distância de Deus? Se fomos perdoados de todos os nossos pecados, nenhum temor deve impedir que nos sirvamos do confiante acesso ao nosso Senhor. Lamentemos os nossos desvios, mas não continuemos neles. No poder do Espírito Santo, esforcemo-nos vigorosamente para retornar à mais íntima e mais intensa comunhão com nosso Senhor.

C.H. Spurgeon

Fonte: http://www.charleshaddonspurgeon.com/

Estudo da Semana: Idolatria nas manhãs de domingo (2)

É útil lembrar que o mundo, o diabo e nossa carne se opõem ativamente ao nosso desejo de dar a Deus a glória que somente Ele merece. As verdadeiras guerras no louvor não são sobre estilos e formas de música ou práticas. Elas acontecem secretamente em nossos corações, quando ídolos tentam roubar nossa paixão de exaltar a Deus acima de tudo. Se não estamos ciente dessas guerras, teremos dificuldade em entender ou experimentar a adoração que honra a Deus, não importa o que você esteja fazendo exteriormente.

Falando de experiência, aqui estão mais alguns ídolos que podem nos tentar nos cultos de domingo.

EXPERIÊNCIA

Ano passado, enquanto folheava uma revista cristã, notei que um anúncio de um novo CD de louvor mencionava a palavra “experiência” seis vezes. Nós todos amamos “experiências de adoração” com Deus. Experiências não são ruins. Mas o conceito de adoração como uma “experiência” é um pouco estranho à Escritura. Digo “um pouco” porque existem vezes em que adorar a Deus definitivamente é uma experiência! (2 Cr 5.11-14; At 4.31; 1 Co 14.23-25). Entretanto, o alvo da reunião como povo de Deus não é sentir alguma coisa, mas contemplar e relembrar alguma coisa. Essa “alguma coisa” é a Palavra, as obras, e a benignidade de Deus, especialmente quando Ele se revelou em Jesus Cristo (2 Co 4.6). Se eu procuro arrepios ou emoções intensas, Deus se torna simplesmente mais uma de numerosas opções que posso escolher buscar durante um culto. Isso não minimiza a importância de buscar encontros com o Deus vivo, caracterizados por profunda emoção, e de deleitar-se na presença de Deus (Sl 84.1,2; 1 Cr 16.11; Sl 16.11). Mas me torno ciente da proximidade de Deus ao descansar em Sua natureza, promessas e atos, não perseguindo uma situação emocional.

LITURGIA

Formas e práticas são significantes quando nos encontramos como povo de Deus para adorá-lo. Tudo deve ser feito com decência e ordem (1 Co 14.40). Entretanto, Deus não expressou claramente em Sua Palavra com o que “ordem” realmente se parece. Quantas músicas cantamos e quando as cantamos? Que palavras devemos usar quando oramos? Quando e quão frequentemente  devemos celebrar a Ceia do Senhor? Por toda história, cristãos têm discutido e se dividido sobre essas questões, afirmando oferecer uma liturgia que é verdadeiramente bíblica. É claro, divisões de igrejas não são sempre erradas, uma vez que algumas das verdades e doutrinas bíblicas que mais prezamos foram purificadas pelo fogo do conflito. Entretanto, não existe um “perfeccionismo litúrgico” que devemos alcançar, que até fará nosso culto mais aceitável a Deus do que ele é em Jesus Cristo. O triste fruto dessa mentalidade idólatra são igrejas que têm forma de piedade, mas carecem de verdadeiro poder espiritual. Nosso objetivo é fazer, pela fé, o que magnifica a glória de Deus em Cristo de maneira mais efetiva e bíblica. Mas as liturgias devem servir-nos, não dominar-nos. Uma vez que Deus parece permitir alguma liberdade de forma, assim façamos também.

CONHECIMENTO BÍBLICO

Eu hesito em incluir “conhecimento bíblico” como um ídolo potencial. A razão para ter feito isso é que podemos buscar erroneamente um conhecimento de doutrina que é distinto do conhecimento do próprio Deus. Devemos reconhecer essa possibilidade ou facilmente cairemos no erro dos fariseus, que tinham mais orgulho em sua “retidão” que em seu relacionamento com Deus. Nós, também, podemos ser mais impressionados com uma teologia precisa em nossas músicas que com o fato de que Deus nos mostrou misericórdia em Jesus Cristo.

Doutrina e teologia, quando humildemente estudadas e aplicadas, sempre nos levam a temer, amar e adorar mais a Deus, não menos. Por esse motivo, Jesus repreendeu os fariseus, por procurarem um conhecimento da Escritura que não os levou a isso. “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida.” (João 5.39,40). O crescimento em nosso conhecimento e amor pela Palavra de Deus sempre deve produzir humildade e piedade correspondentes em nós. Quão trágico é que aqueles que defendem mais ardentemente certas formas de adorar a Deus frequentemente desprezam a humildade que Deus tanto estima (Is 66.2).

IGNORÂNCIA BÍBLICA

Por outro lado, podemos exaltar nossa ignorância das Escrituras enquanto adoramos a Deus, afirmando que “palavras atrapalham a adoração”. Em algum momento futuro, planejo compartilhar sobre a primazia da Palavra de Deus em nossa adoração. Por enquanto, basta dizer que, quando não valorizamos intencionalmente a Palavra de Deus como influência controladora e substância primária de nossa adoração, outras autoridades correm para ocupar o lugar. Não somos mais espirituais, mais próximos a Deus, nem mais maduros, se pensamos que não precisamos de palavras para nos comunicar com Deus. Deus sempre dispôs sua Palavra no centro de nossa comunhão com Ele, seja por meio da música, oração ou pregação. Através da Palavra de Deus, nós conhecemos melhor quem Ele é, quem somos, e como nos relacionamos com Ele. (Ex 20; 1 Rs 8.9; Js 1.7,8; 2 Cr 31.2-4, 34.29-33; Sl 119; Sl 19.7-11; Mt 15.8; At 13.48,49; Cl 3.16; 1 Tm 4.13).

Bob Kauflin

Fonte: http://iprodigo.com

Devocional: Visionários Lentos

Deus usa a obediência duradoura e na mesma direção para o progresso do Evangelho.

O que nós precisamos é de menos revolucionários e um pouco mais de visionários lentos. Este é o meu sonho para a igreja – o povo redimido de Deus se agarrando firmemente a uma visão de obediência piedosa e da glória de Deus, e perseguindo essa piedade e essa glória com uma consistência implacável, muitas vezes despercebida, e lenta.

Pra ser sincero, não há nada de errado em querer uma revolução de amor ou uma revolução de esperança. Eu posso até imaginar um bom caso de revolução de literatura bíblica ou algo assim. O problema é que todo esse papo de revolução sugere que o que nós precisamos é de mais cristãos prontos para fazer o check-out e acabar com tudo, quando na minha opinião precisamos de mais cristãos dispostos a fazer o check-in e seguir adiante.

Nossos empregos são muitas vezes mundanos. Nosso tempo devocional frequentemente parece um desperdício. Cultos na igreja são esquecíveis, com frequência. É a vida. Dirigimos para os mesmos lugares, seguimo a mesma rotina com os nossos colegas de trabalho, compramos os mesmos mantimentos no mercado e aparamos a mesma grama toda primavera e verão. A igreja muitas vezes é a mesma também – mesma doutrina, mesma ordem básica de culto, mesmo pregador, mesmas pessoas. Mas em toda essa miudez e mesmice, Deus trabalha – como a menor das sementes crescendo para alturas inacreditáveis, como o amado Tíquico, aquele fiel ministro, entregando a epístola e os cumprimentos do apóstolo (Efésios 6:21-22). A vida geralmente é bem comum, da mesma forma que seguir Jesus na maioria dos dias. Disciplina diária não é uma revolução a cada manhã ou um agente de transformação global a cada tarde; é a obediência duradoura na mesma direção.

A igreja não é uma parte incidental do plano de Deus. Jesus não convidou as pessoas a se unirem a um movimento anti-doutrinário, anti-religião e anti-institucional de amor, harmonia e reintegração. Para ter certeza, ele mostrou às pessoas como viver. Mas ele também os chamou ao arrependimento, os chamou à fé, os chamou para fora do mundo e os chamou para dentro da igreja.

[O amor] tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13:7). Se nós realmente amamos a igreja, sofreremos com ela em suas falhas, daremos suporte em suas lutas, creremos que ela é a noiva amada de Cristo e esperaremos por sua glorificação final. Eu ainda acredito que a igreja é a esperança do mundo – não porque esteja tudo bem com ela, mas porque ela é um corpo que tem o Cristo por cabeça.

Não desista da igreja. O Novo Testamento não sabe nada sobre um cristianismo sem igreja. A igreja invisível é para cristãos invisíveis. A igreja visível é para você e para mim.

Kevin DeYoung

Traduzido por Daniel TC | iPródigo | Texto original aqui.

Devocional: Fuja da idolatria (deliciando-se com a criação sem cometer idolatria)

Isso na verdade faz parte de uma pergunta muito maior, que é: Como uma criatura pode desejar e alegrar-se na criação sem cometer idolatria (que é adultério)? Para alguns essa pergunta pode parecer ser impertinente. Mas para pessoas que anseiam cantar como os salmistas, ela é muito pertinente. Eles cantam assim:

Quem mais tenho eu no céu?

Não há outro em quem eu me compraza na terra.

Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam,

Deus é a fortaleza do meu coração

e a minha herança para sempre (SI 73.25, 26).

Uma coisa peço ao Senhor,

e a buscarei:

que eu possa morar na Casa do Senhor

todos os dias da minha vida,

para contemplar a beleza do Senhor

e meditar no seu templo (SI 27.4).

Se seu coração anseia por concentrar-se assim em Deus, então como desejar e alegrar-se em “coisas” sem tornar-se um idólatra é uma questão crucial. Como a oração pode glorificar a Deus se ela é uma oração por coisas? Ela parece glorificar coisas.

Naturalmente, parte da resposta foi dada no texto de Robinson Crusoé, ou seja, que Deus recebe a glória como o Doador todo-suficiente. Mas isso é apenas parte da resposta, porque pode haver um mau uso das coisas, mesmo quando agradecemos a Deus como o Doador.

O restante da resposta é dado por Thomas Traherne e por Agostinho. Traherne disse:

Você não se compraz no mundo corretamente enquanto não vê como um grão de areia demonstra a sabedoria e o poder de Deus, e preza em cada coisa o serviço que presta a você, manifestando a glória e a bondade de Deus à sua alma, bem mais que a beleza visível na sua superfície ou os serviços materiais que pode prestar ao seu corpo.

E Agostinho orou com as palavras abaixo, que provaram ser imensamente importantes em meu esforço para amar a Deus de todo o meu coração:

Ama-te muito pouco

Aquele que ama outra coisa junto contigo,

Que ele ama não por tua causa.

Em outras palavras, se coisas criadas são vistas e usadas como dádivas de Deus e como espelhos da sua glória, não precisam ser ocasiões para idolatria —se nosso prazer nelas é sempre também um prazer em quem as fez.

C. S. Lewis o formulou assim em uma “Carta a Malcolm”:

Não podemos —ou eu não posso— ouvir o gorjeio de um pássaro simplesmente como um som. Seu sentido ou mensagem (“isto é um pássaro”) acompanha-o inevitavelmente— assim como não se pode ver uma palavra conhecida impressa como um mero padrão visual. Ler é tão involuntário como ver. Quando o vento estrondeia eu não ouço simplesmente o estrondo; eu “ouço o vento”. Da mesma maneira é possível “ler” assim como “ter” um prazer. Ou nem mesmo “como”. A distinção deve tornar-se, e às vezes é, impossível; recebê-la e reconhecer sua origem divina são uma só experiência. Este fruto celestial espalha instantaneamente o aroma do pomar onde cresceu. Essa brisa suave sussurra da terra de onde sopra. É uma mensagem. Sabemos que estamos sendo tocados por um dedo daquela mão direita em que há delícias perpetuamente. Não é preciso haver agradecimentos ou louvor como um evento distinto, algo que se faz depois. O ato de experimentar a pequena teofania já é adoração em si.

Se nossa experiência da criação se torna uma experiência do pomar celestial, ou do dedo divino, então pode ser adoração e não idolatria. Lewis o diz ainda de outra maneira em suas meditações sobre Salmos:

Esvaziando a Natureza da divindade —ou, digamos, das divindades— você pode enchê-la de Deus, porque agora ela é portadora de mensagens. Há um sentido em que a adoração da Natureza a silencia —como quando uma criança ou um débil mental fica tão impressionada com o uniforme do carteiro que esquece de pegar as cartas.

Portanto, pode ser idolatria ou não, orar para que o carteiro venha. Se estamos apenas apaixonados pelos breves prazeres mundanos que seu uniforme nos traz, isso é idolatria. Mas se consideramos o uniforme um bónus grátis que acompanha o prazer real das mensagens divinas, então não é idolatria. Se podemos orar por um cônjuge, um emprego, por cura física, comida ou abrigo por amor a Deus, então mesmo nisso estamos centrados em Deus e não nos revelamos “egocêntricos”. Estamos concordando com o salmista: “Não há nada na terra que eu deseje além de ti!” Ou seja, não há nada que eu deseje mais do que o Senhor, e não há nada do que eu quero que não me mostre mais do Senhor.

John Piper

Fonte: http://www.ocristaohedonista.com

Devocional: Como João viu a Jesus

Amigo íntimo de Jesus, na última ceia João aconchegou-se a seu peito e encontrou Jesus ainda diversas vezes antes de sua ascensão, mas nunca com a mesma intimidade.

Soube do encontro de Saulo e da aparência de Jesus por ele descrita. João, anos depois, exilado em Patmos, viu a Jesus, de forma especial, pelo menos três vezes.

Na primeira vez que o viu ficou aterrorizado e se Saulo caiu cego, ele caiu como morto. João viu Jesus andando no meio de todas as igrejas, e vestindo roupas sacerdotais. Olhava de modo tão penetrante como fogo e andava descalço como todo sacerdote anda no lugar santo, porém pisava com a firmeza do bronze, e em vez de sussurrar – hábito dos sacerdotes para não revelar o nome de Deus – sua voz era como uma cachoeira e sua palavra cortante qual espada afiada. Em sua destra estavam os líderes das igrejas e seu rosto brilhava como sol em sua força. Tão logo o viu João foi ordenado escrever sete cartas às igrejas e atendeu o que lhe era ditado.

Aqui se destacam o ofício sacerdotal e o ofício profético de Jesus. Ele anda no meio das igrejas, sustenta o anjo de cada uma delas, prova, reprova, estimula, condena ou elogia a cada uma. Pode significar muito mais, porém certamente João está vendo Jesus glorificado, não quem o receberia com um abraço.

Na segunda vez João ficou surpreso. Jesus fora anunciado pelos anciãos como “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e seus selos”, mas João viu um cordeiro. Pior:“como tendo sido morto”. Entretanto este cordeiro tinha “sete chifres, sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda terra”. Ao receber o livro da destra daquele que estava no trono, os seres celestiais e todos os salvos prostraram-se diante do cordeiro, e, com harpas e incensários repletos de orações de todos os eleitos, começaram a adorá-lo.

Nesta segunda visão se destacam o ofício real e o sacerdotal. Anuncia-se o rei, mas quem toma o livro é o sacerdote. João está vendo a encarnação do Senhor. Os selos que ele vai abrindo são suas vitórias subseqüentes bem como as tragédias sobre os vencidos.

Na terceira vez João ficou deslumbrado. Jesus estava montado num cavalo branco. Novamente seus olhos eram penetrantes como chama. Na sua cabeça havia muitos diademas e apesar de ser conhecido como Fiel e Verdadeiro, seu nome era conhecido apenas por ele mesmo e era Verbo de Deus. Sua roupa estava manchada de sangue e os exércitos do céu o seguiam vestidos de branco montados em cavalos brancos. De sua boca saía uma espada afiada com a qual feria as nações, às quais regerá com cetro de ferro e pessoalmente imporá o furor da ira de Deus. Escrito em seu manto e em sua coxa estava a frase REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.

Nesta terceira visão o ofício profético está presente em seu nome e na arma que usa, mas o destaque maior é dado ao ofício real: ele reina sobre todos. Não apenas apascenta seu rebanho, mas impõe a ira de Deus sobre os inimigos. A mesma ira que caiu sobre ele na cruz.

Essas três visões significam muito mais. Porém, fundamentalmente dizem que o apostolo amado não viu a Jesus como o via na Judéia. Jesus não deixou sua natureza humana, mas retomou aquilo do que tinha se esvaziado quando se encarnou.

Ele não é mais aquele em quem se pode bater ou até fincar pregos. Agora ele é aquele que apenas à menção de seu nome todo joelho se dobra e toda língua diz: é o SENHOR.


Pastor Folton


Fonte: http://folton.blogspot.com/

Devocional: Quando sentir vontade de reclamar…

John Flavel, o pastor puritano, nos ajuda a superar as nossa tendência de reclamar quando temos dificuldade em obedecer a Cristo. Ele recria em sua imaginação teológica uma conversa entre o Pai e o Filho na eternidade passada, quando o Filho aceitou a difícil obediência em nosso favor:

Pai: Meu filho, aqui estão grandes e pobres almas miseráveis  totalmente desfeitas de si mesmos e agora estão prontos para receberem a minha justiça! Essa justiça exigirá satisfação da minha ira ainda neste tempo ou então vão “usufruir” de uma ruína eterna deles mesmos. O que será feito por estas almas?

Filho: Pai meu, como é grande o meu amor e compaixão para com eles, ao invés de perecerem eternamente, eu vou ser responsável por eles como substituto. Traga todas as dívidas, para que eu possa ver o que eles devem a Ti. Senhor, traga-os. Exija tudo de mim. Prefiro escolher sofrer a tua ira a vê-los terem de sofrê-la. Em mim, meu Pai, em mim sejam jogadas todas as dívidas deles.

Pai: Mas meu filho, se queres substituí-los, deves pagar a conta até o último centavo também. Não espere abatimentos [descontos]. Se eu poupá-los, não vou poupar a Ti.

Filho: Com toda satisfação, Pai. Que assim seja. Cobre tudo de mim. Eu sou capaz de cumprir. E apesar de eu ter de revelar uma espécie de auto-esvaziamento, apesar de me empobrecer de todas as minhas riquezas, abro mão de todos os meus tesouros e estou contente por fazer isso.”

Então Flavel chega a seu ponto: “Envergonhem-se, ó crentes ingratos. Ó, que a vergonha cubra seus rostos. Julgai entre vós mesmos agora, Cristo merece que você fique com ele por ninharias, que você deve passe por algumas dificuldades mesquinhas e reclame: ‘Isso é difícil, e como é complicado?’ Ó, se você conhecesse a graça de nosso Senhor Jesus Cristo nesta condescendência maravilhosa por você, você não faria isso.”


Ray Ortlund

Tradução: Rafael Bello| iprodigo.com| original aqui

Fonte: http://iprodigo.com/traducoes/quando-sentir-vontade-de-reclamar.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+iprodigo+%28iPródigo%29

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