Arquivo de maio 2011

Estudo da semana: O que vem primeiro – fé ou arrependimento?

O que vem primeiro: o arrependimento ou a fé? Essa é uma pergunta desnecessária; e fútil, a insistência de que um é anterior ao outro. Não há qualquer anterioridade. A fé para a salvação é uma fé de arrependimento; e o arrependimento para a salvação é um arrependimento de fé… A interdependência entre a fé e o arrependimento pode ser vista quando lembramos que a fé é a fé em Cristo para a salvação do pecado. Mas, se a fé é direcionada à salvação do pecado, tem de haver ódio do pecado e desejo de ser salvo do pecado. Esse ódio do pecado envolve arrependimento, que consiste essencialmente em converter-se do pecado para Deus. Ora, se lembramos que o arrependimento é o volver-se do pecado para Deus, esse volver-se para Deus implica fé na sua misericórdia revelada em Cristo. É impossível separar a fé do arrependimento. A fé salvadora é permeada de arrependimento, e este é permeada de fé. A regeneração se torna expressiva em nossa mente por meio do exercício da fé e do arrependimento.

O arrependimento consiste essencialmente em mudança de coração, mente e vontade. Essa mudança de coração, mente e vontade diz respeito, em especial, a quatro coisas: é uma mudança que diz respeito a Deus, a nós mesmos, ao pecado e à justiça. Sem a regeneração, os nossos pensamentos sobre Deus, nós mesmos, o pecado e a justiça são drasticamente pervertidos. A regeneração muda a mente e o coração. Ela os renova por completo. Há uma mudança radical em nossa maneira de pensar e sentir. As coisas velhas passaram, e todas as coisas se tornaram novas. É importante observar que a fé para a salvação é a fé acompanhada por mudança de pensamento e atitude. Com muita freqüência, nos círculos evangélicos e, em particular, no evangelismo popular, a relevância da mudança que a fé sinaliza não é entendida nem apreciada. Há dois erros. Um destes é excluir a fé do contexto que lhe dá significado. O outro é pensar na fé em termos de decisão e, com isso, baratear a decisão. Esses erros estão relacionados e condicionam um ao outro. Enfatizar o arrependimento e a mudança profunda de sentimento e de pensamento envolvida no arrependimento é o elemento necessário para corrigir esse conceito distorcido da fé, o qual destrói a alma. A natureza do arrependimento serve para acentuar a urgência dos assuntos que estão em jogo nas exigências do evangelho, enfatizar a separação do pecado incluída na aceitação do evangelho e ressaltar a perspectiva totalmente nova que a fé no evangelho transmite.

Não devemos pensar no arrependimento como que constituído meramente de uma mudança genérica da mente. O arrependimento é bem especifico e concreto. E, visto que é uma mudança da mente em referência ao pecado, é uma mudança da mente em referência a pecados específicos, pecados em toda a particularidade e individualidade peculiares dos nossos pecados. É muito fácil falarmos sobre o pecado, sermos denunciatórios em relação ao pecado e aos pecados específicos de outras pessoas e não nos mostrarmos arrependidos quanto aos nossos próprios pecados. A prova do arrependimento é a genuinidade e a resolução de nosso arrependimento em referência aos nossos próprios pecados, pecados caracterizados pelos agravamentos peculiares a nós mesmos. O arrependimento, no caso dos tessalonicenses, manifestou-se em que eles se converteram dos ídolos para servirem o Deus vivo. A idolatria dos tessalonicenses evidenciava, de modo específico, a sua alienação de Deus; e foi o arrependimento dessa idolatria que provou a genuinidade da fé e da esperança deles (1 Ts 1.9-10).

O evangelho é não somente a mensagem de que pela graça somos salvos, mas também a mensagem de arrependimento. Quando Jesus, após a ressurreição, abriu o entendimento dos discípulos, para que entendessem as Escrituras, Ele lhes disse: “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46-47). Quando Pedro pregou à multidão, no Dia de Pentecostes, os ouvintes foram constrangidos a perguntar: “Que faremos, irmãos?” Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (At 2.37-38). Posteriormente, Pedro interpretou a exaltação de Cristo como uma exaltação à função de “Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). Alguma outra coisa poderia assegurar mais claramente que o evangelho é o evangelho do arrependimento do que o fato de que o ministério celestial de Jesus como Salvador é um ministério de outorgar arrependimento para o perdão dos pecados?

Quando Paulo apresentou aos presbíteros de Éfeso um relato de seu próprio ministério, ele disse que testificara “tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus [Cristo]” (At 20.21). O autor da Epístola aos Hebreus indicou que “o arrependimento de obras mortas” é um dos princípios elementares da doutrina de Cristo (Hb 6.1). Não poderia ser diferente. A nova vida em Cristo Jesus implica que os laços que nos prendiam ao domínio do pecado foram destruídos. O crente está morto para o pecado por meio do sangue de Cristo. O velho homem foi crucificado para que o corpo do pecado seja desfeito e o crente não sirva mais o pecado (Rm 6.2, 6). Esse rompimento com o passado se registra na consciência por meio do converter-se do pecado para Deus, “com pleno propósito e empenho por uma nova obediência”…

O arrependimento é aquilo que descreve a resposta de converter-se do pecado para Deus. Este é o caráter específico do arrependimento, assim como o caráter específico da fé é receber a Cristo e confiar somente nEle para a salvação. O arrependimento nos recorda que, se a fé que professamos é uma fé que nos permite andar nos caminhos deste mundo mau, na concupiscência da carne, na concupiscência dos olhos, na soberba da vida e na comunhão das obras das trevas, a nossa fé é apenas zombaria e engano. A verdadeira fé é permeada de arrependimento. Assim como a fé é um ato momentâneo e uma atitude permanente de confiança e descanso direcionada ao Salvador, assim também o arrependimento resulta em contrição constante. O espírito contrito e o coração quebrantado são marcas permanentes da alma que crê… O sangue de Cristo é o instrumento da purificação inicial, mas é também a fonte à qual o crente pode recorrer continuamente. É na cruz de Cristo que o arrependimento começa; é ali que ele tem de continuar derramando seu coração, em lágrimas de confissão e contrição.

 

John Murray

Tradução: Pr. Wellington Ferreira © Editora FIEL 2009.

Extraído de Redemption: Accomplished and Applied, publicado por Wm. B. Eerdmans Publishing Company.

Permissões da Fiel: O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog

Devocional: Aspectos da Santidade II – “Santidade é algo prático”

É sábio minimizar, como alguns fazem, as muitas exortações práticas à santidade que encontram-se no Sermão do Monte e na prática final das epístolas de Paulo?

Nenhum crente bem instruído disputará a necessidade de uma caminhada cotidiana com Deus e do hábito de acudir ao Senhor Jesus Cristo em oração e meditação. Porem, o Novo Testamento não se contenta em ensinar-nos esses termos gerais. Em vez disso, descobrimos que fala de muitos detalhes e de coisas particulares.

O uso de nossas línguas, de nossos temperamentos, de nossas inclinações naturais, de nossa conduta como pais e filhos, chefes e servos, esposos e esposas, governantes ou súditos, de nosso comportamento na enfermidade ou na saúde, na riqueza ou na pobreza, todos esses assuntos sobre os quais a Bíblia nos fala em detalhe. A santidade é algo mais que lágrimas e suspiros, excitação corporal, pulso acelerado, apego apaixonado a algum pregador ou grupo religioso. “para serem conformes à imagem de seu Filho” (Romanos 8:29) – é algo suscetível de ser visto pelos demais, no detalhe de nosso caráter, de nossos hábitos e de nosso comportamento diário.

J. C. Ryle

 In: Aspectos da Santidade

FONTE: Allan Roman 

               http://bisporyle.blogspot.com

Devocional: Aspectos da Santidade I – A fé somente santifica?

Durante um bom numero de anos experimentei a convicção de que a santidade prática e a completa entrega a Deus de nosso ser não estão sendo entendidas. A piedade foi asfixiada pelo mundanismo, a devoção pessoal a Cristo dificilmente existem e as normas de vida cristã foram relaxadas. A importância de “serem ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador. ” (Tito 2:10) foi esquecida.

É inútil professar uma boa doutrina evangélica a menos que venha acompanhada de uma vida santa. A falta de sinceridade de professar ser cristão que crê na Bíblia mas não vive uma vida santa logo é percebida como uma descompostura que  acarreta desprezo para nossa religião.

No entanto, é de suma importância que entendamos o tema em sua totalidade à luz do ensino da Bíblia. Minha intenção nesse livro é tratar de explicar o que a Escritura realmente ensina sobre o tema. E já que existem várias idéias errôneas a respeito que são ensinadas por algumas pessoas, começo por alertá-los acerca desses erros.

É sábio ensinar, como o fazem alguns, que a santidade dos crentes vêm por fé somente, e de nenhuma maneira pelo esforço pessoal do crente?

Nenhum cristão bem instruído jamais negará que a fé em Cristo é o principio de toda santidade. Enquanto não creiamos Nele, não temos nenhuma santidade absolutamente. Porém, a Escritura nos ensina verdadeiramente que o crente necessita aplicar um esforço nessa matéria, junto com sua fé. O mesmo apóstolo que escreveu: “a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus” (Gálatas 2:20) também escreveu: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão,”(1 Coríntios 9:27). Em outras partes lemos: “purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito” (2 Coríntios 7:1); “Procuremos”(Hebreus 4:11) “corramos com paciência” (Hebreus 12:1).

De acordo com o ensino da Escritura, há uma diferença entre como a fé nos justifica e como ela nos santifica. A fé que justifica é uma graça que simplesmente confia, repousa, e se apóia em Cristo (Romanos 4:5). Todos os que simplesmente crêem, são justificados. A fé santificadora é uma graça que, como a mola de um relógio, move o crente até a santidade;  ”nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor”.(Gálatas 5:6) O Novo Testamento não fala em nenhum lugar de “santidade por fé”. Se bem é certo que nos é dito que somos justificados pela fé sem as obras da lei, em nenhuma parte nos é dito que somos santificados sem as obras da lei. Pelo contrário, aprendemos que “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” (Tiago 2:17).

Justificação: Justificar a uma pessoa é declarar que essa pessoa é justa. É uma palavra legal, isto é, está vinculada com as cortes de justiça – um juiz justifica a uma pessoa, declarando que essa pessoa é justa. Deus justifica aos crentes sobre a base do que Jesus fez por Seu povo.

 

Traduzido de: Allan Roman

FONTE: http://bisporyle.blogspot.com/

Devocional: Um chamado para angústia

 

 


Fonte: http://resistenciaprotestante.blogspot.com/2009/08/um-chamado-para-angustia-david.html

Devocional: Como Pesar seu Coração na Palavra

É bom que nos pesemos freqüentemente na balança da Palavra de Deus: “Pesado fostes na balança e achado em falta” (Dn 5.27). Você pode descobrir que ler, a cada dia, um dos salmos de Davi é um exercício santificador. Enquanto medita em cada versículo, pergunte: “Eu posso dizer isto? Tenho os mesmos sentimentos que Davi? Meu coração tem sido quebrantado por causa do pecado, assim como o de Davi, quando ele escreveu seus salmos de arrependimento? Na hora da aflição, minha alma tem estado cheia de verdadeira confiança assim como a dele, quando contou sobre as misericórdias de Deus na caverna de Adulão ou em Em-Gedi? Eu tomo o cálice da Salvação e invoco o nome do Senhor?”

Enquanto você lê a Palavra de Deus, pergunte a si mesmo o quanto está conformado à semelhança de Cristo. Esforce-se para descobrir se possui a humildade, a ternura e o espírito de amabilidade que o Senhor Jesus demonstrou freqüentemente. Depois, leia as epístolas, a fim de perceber até que ponto você pode se identificar com o apóstolo Paulo no que ele disse a respeito de sua experiência. Você já clamou, como fez o apóstolo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo dessa morte?” (Rm 7.24). Você já teve o senso de humilhação própria? Você tem visto a si mesmo como o principal dos pecadores e o menor de todos os santos? Você pode se unir ao apóstolo Paulo e dizer: Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fl 1.21)?

Se lermos a Palavra de Deus, como um teste de nossa condição espiritual, teremos boas razões para dizer: “Senhor, eu sinto que nunca estive aqui antes. Oh, traze-me para cá! Dá-me verdadeiramente arrependimento, tal como este sobre o qual li. Dá-me fé genuína, zelo ardente e amor fervoroso. Concede-me a graça da humildade. Torna-me mais semelhante a Jesus. Nunca permitas que eu seja encontrado em falta, quando pesado na balança do santuário, para que assim não seja encontrado nas balanças do Juízo.

 

C.H. Spurgeon

Fonte: http://www.charleshaddonspurgeon.com

Devocional: Sei que sou pecador

“ Resolvi que [...] nunca permitirei que o tomar conhecimento dos pecados dos outros me venha trazer algo mais do que vergonha sobre mim mesmo e uma oportunidade de poder confessar meus próprios pecados e miséria a Deus.” (Jonathan Edwards)

No início do ano de 1722, o jovem Jonathan Edwards, decidido a servir a Jesus com toda sua vida, escreveu uma lista com algumas diretrizes que o guiariam da forma que, a seu ver, mais agradaria a Deus e mais aproveitaria a ele. Ao longo dos anos, Edwards aumentou sua lista e se aperfeiçoou na disciplina e no cuidado de guardar os mandatos de Deus, se tornou um pastor muito influente na sociedade e hoje é considerado, por muitos, o último e maior dos puritanos.

O trecho acima transcrito faz parte daquelas belas resoluções. Mas o que levou aquele jovem a pensar de forma tão radical quanto a si mesmo? Certamente foi a leitura da palavra de Deus. Ao lermos o que as Escrituras nos ensinam sobre o ser humano, descobrimos que todos somos pecadores e carecemos da glória de Deus (Romanos 3.23). Ninguém pode se gloriar de sua posição ou condição, pois todos são culpados diante do Senhor e inimigos dele e do bem (Romanos 3.9-18).

Necessidade de arrependimento

Considere essas palavras de Jesus aos sacerdotes de sua época: “Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no Reino de Deus, pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele” (Mt 21:31-32). Para Jesus, a questão mais importante, que poderia dizer se alguém iria (ou não) entrar no Reino de Deus, não era se ela era pecadora ou não. Já dissemos que todos são pecadores. A questão é se atendemos à pregação de Jesus e de João Batista, que preparou o seu caminho: “Arrependam-se e creiam no evangelho de Deus” (Mc 1.14-15)

Quando João Batista e Jesus pregaram que todos precisavam de se arrepender e crer no único salvador, Jesus Cristo, que poderia tornar-nos aceitáveis diante de Deus, muitos se opuseram a eles. Enquanto isso, muitos se humilharam e entenderam que, sem o sacrifício de Jesus, suas vidas nunca seriam agradáveis a Deus.

Quando ouvimos as palavras “pecador” e “necessidade de arrependimento”, devemos, à semelhança de Edwards, pensarmos primeiramente em nós mesmos e confessarmos nossa total dependência de Deus. Mesmo aqueles que já se identificaram como pecadores, que crêem que Jesus é salvador, precisam se lembrar de que dependem completamente do perdão de Deus. Jesus deve ser entendido e adorado como o único salvador.

Como vimos, Edwards, mesmo perseguindo o crescimento em santidade – e provou muitas bênçãos por isso –, não se sentia minimamente superior aos outros pecadores. Na verdade, o contínuo esforço e treinamento para reconhecer-se pecador e indigno é um princípio valioso para a vida cristã santa e piedosa. Além disso, é o melhor remédio para o orgulho e para a auto-justificação, que tentam subtrair a glória de Deus.

Que Deus nos dê humildade e total confiança no sacrifício de Jesus.

 

Gustavo Vilela

Fonte: http://iprodigo.com

 

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes