Devocional: O amor pela Verdade e o amor por Deus são Inseparáveis

Eu poderia continuar falando sobre as minhas leituras de Narrative of Surprising Conversions,Treatise On Grace, a obra inacabada History of Redemption, The Memoirs of David Brainerd,Thoughts on the Revival of Religion in New England, Qualification for Communion e An Humble Attempt to Promote Explicit Agreement and Visible Union of God’s People, dezenas de sermões e mais duas biografias, mas não tenho a intenção de esgotar o assunto. Antes, a minha intenção é apresentar ao leitor a obra de Jonathan Edwards e ilustrar o seu impacto sobre um“evangélico moderno” – um impacto que, creio eu, foi para melhor e pelo qual sou profundamente grato a Deus.

De acordo com minha avaliação, é preciso haver, de geração em geração, gigantes como Edwards para nos inspirar a pensar sobre a nossa fé e nos impedir de nos acomodar na superfície com idéias tacanhas sobre um Deus pequeno. Precisamos de Edwards para nos despertar da nossa indiferença pragmática à doutrina nos cultos, na oração, no evangelismo, nas missões, na implantação de novas igrejas e na ação social. Precisamos de Edwards para nos mostrar novamente a beleza e o poder da verdade. Edwards faz isso tão bem porque o seu envolvimento com Deus e sua exaltação a Deus são absolutos. Ele nos ajuda a recuperar a verdade porque nunca perde de vista a realidade inexprimível de Deus, do qual a verdade se origina e ao qual ela serve.

Edwards me ensinou – como evangélico moderno – que o nosso interesse pela verdade é uma expressão inevitável do nosso interesse por Deus. Se Deus existe, é a medida de tudo, e seu conceito acerca de todas as coisas é a medida do que deve ser o nosso conceito daquelas. Não se importar com a verdade é o mesmo que não se importar com Deus. Amar a Deus fervorosamente é amar a verdade fervorosamente. Ter uma visão teocêntrica da vida significa ter um ministério impulsionado pela verdade. O que não é verdadeiro não é de Deus. O que é falso é contrário a Deus. A indiferença para com a verdade é indiferença para com a mente de Deus. A presunção é uma forma de rebelião contra a realidade e quem constitui a realidade é Deus. Nosso interesse pela verdade é simplesmente um reflexo do nosso interesse por Deus. E tudo isso se encontra arraigado no interesse de Deus por Deus, ou na paixão de Deus por sua glória.

John Piper

Devocional: É humilde pensar que todos os caminhos levam a Deus?

Nessa série, estamos examinando a afirmação de que Jesus é o único caminho para Deus. No primeiro post, observamos a tendência de responder essa questão teológica por meio de experiências sociais. Muitas pessoas concluem que tem de haver muitos caminhos para Deus (ou agem dessa forma, uma visão chamada Pluralismo Religioso) porque as suas experiências sociais os levam a conhecer pessoas amáveis e respeitáveis que não acreditam que Jesus é o único caminho para Deus. Em seguida, examinamos a afirmação de que o pluralismo religioso é mais esclarecedor ou educado. Neste post, vamos pesar se a reivindicação do pluralismo religioso é ou não mais humilde do que a de Jesus.

O pluralismo religioso é mais humilde?

Apesar das diferenças muito claras entre quem é Deus e como alcançá-Lo, os pluralistas religiosos continuam em insistir que existem muitos caminhos até Deus. Por que pessoas educadas continuariam insistindo em uma visão imprecisa de outras religiões? Uma das razões principais é porque elas acreditam que isso é um ato de humildade e amor. Muito frequentemente, ouço as pessoas dizerem: “Quem sou eu para  julgar a religião de alguém, para dizer a eles que estão errados?”. Isso implica, naturalmente, que manter Jesus como o único caminho até Deus é arrogante. Eu serei o primeiro a admitir que existem cristãos irados e arrogantes que, rudemente, insistem que Jesus é o único caminho até Deus. Eu gostaria de pedir desculpas por tal tipo de cristãos. Arrogante insistência em sua crença, na verdade, vai contra a vida e os ensinamentos de Jesus. De qualquer forma, só porque alguém é arrogante não significa também que está errada.

Arrogância e Humildade

As pessoas podem estar arrogantemente certas sobre todo o tipo de coisas – matemática, ciências, religião. Você, provavelmente, trabalha com alguém assim (você pode dizer Dwight Schrute?). As pessoas arrogantemente certas sempre falam com as outras com um ar de orgulho por terem a resposta certa. Isso pode não ser legal, mas não significa que estejam erradas. E para todos os cristãos que são arrogantes sobre as afirmações exclusivistas de Jesus, existem muito mais cristãos que consideraram ardentemente as outras religiões, procuraram encontrar a verdade, e, humildemente, chegaram a conclusão de que Jesus estava dizendo a verdade quando disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6). Isso não os torna arrogantes, torna-os autênticos. Eles desejam ficar com aquilo que descobriram ser verdade. Há um caminho humilde e um arrogante para insistir na afirmação de que Jesus é o único caminho que leva a Deus. Insistir naquilo que é verdade não os torna arrogantes. Afinal de contas, foi Jesus quem disse isso, e Jesus é essencialmente humilde, especialmente se ele for quem ele disse que é.

A arrogância oculta do pluralismo religioso

Quando o pluralismo religioso diz que existem muitos caminhos até Deus, isso não é humilde. Isso, na verdade, carrega um ar de arrogância. Como? O pluralismo religioso exclusivamente insiste que essa visão – de que todos os caminhos levam a Deus – é verdade, enquanto todas as outras religiões são falsas nos seus ensinamentos exclusivos. O pluralismo religioso insiste, dogmaticamente, na sua própria exigência de exclusividade, ou seja, que todos os caminhos levam a Deus. O problema, como vimos, é que essa afirmação contradiz diretamente muitas religiões como o islamismo, o hinduísmo, o judaísmo e o cristianismo. A afirmação do pluralista religioso é arrogante porque reforça a própria crença acima da dos outros. Ela diz às outras religiões: “Você tem  que acreditar no que eu acredito, não no que você acredita. O seu caminho não está certo, de fato, todos os seus caminhos estão errados e o meu está certo. Não existe apenas um caminho (incluindo o seu) para Deus, existem muitos. Você está errado e eu estou certo”. Isso pode ser incrivelmente arrogante, particularmente se a pessoa que diz isso não estudou com profundidade todas as religiões do mundo e faz essa afirmação cega. Baseado no que o pluralista religioso pode fazer essa afirmação exclusivista? Onde está a prova de que isso é certo? Para quais antigas escrituras, tradições e raciocínio cuidadosos eles podem apontar?

A falta de apoio histórico e racional torna o pluralismo religioso uma visão altamente insustentável sobre o mundo e suas religiões. Como pudemos ver, enquanto ele pode parecer uma visão mais clara e humilde sobre quem Deus é e sobre como alcançá-Lo, ele não é isso. No próximo post, nós vamos considerar o valor da tolerância.

Jonathan Dodson

Traduzido por Fernanda Vilela | iPródigo.com | Original aqui

Estudo da Semana: O Inferno é realmente eterno?

Uma visão do inferno que está ressurgindo fortemente entre os evangélicos é o aniquilacionismo. Há pequenas variações, mas, essencialmente, essa doutrina ensina que Deus eventualmente apagará os descrentes de sua existência. Alguns aniquilacionistas até abrem espaço para a ira divina, mas eles não permitem que ela se estenda além do lago de fogo. Em outras palavras, eles não querem permitir que Deus use toda a força do Seu julgamento, que é o tormento eterno, consciente. Para eles, o lago de fogo é o que consome totalmente e, finalmente, destrói os pecadores. Se eles enxergam a morte como o fim, ou se vêem os tormentos do inferno como sendo limitados pelo tempo, o resultado é o mesmo, uma negação da eternidade do inferno.

“Espere um minuto”, você protesta, “o que acontece com todas as referências bíblicas às chamas eternas e ao castigo eterno? Mateus 25:46 não diz que os ímpios vão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna? Boa pergunta. Sem uma boa razão exegética, alguns aniquilacionistas têm entendido a palavra “eterno” não como uma duração de tempo, mas com a qualidade do julgamento de Deus. É eterno em qualidade, mesmo que tenha um fim. Outros aniquilacionistas dizem que “eterno” refere-se ao efeito do julgamento divino. Isto é, os resultados do julgamento de Deus na morte, como uma extinção ou aniquilação, ou seja, o estado do não-ser duraria eternamente.

Se você está desdobrando sua mente pra entender isso, você não está sozinho. É difícil conceber um pecador experimentando uma qualidade eterna de julgamento sem ele durar para sempre. Mateus 25:46 ensina claramente que a duração do castigo e da vida são iguais, ambos são eternos. John MacArthur disse,

A punição no inferno é definida pela palavra grega aionios, que significa eterno ou que dura para sempre. Há pessoas que gostariam de redefinir a palavra aionios e dizer: “Bem, isso na verdade não significa para sempre.” Mas se você fizer isso com o inferno, você fará isso também com o céu, porque a mesma palavra é usada para descrever os dois. Se não houver um inferno eterno, então não há um paraíso eterno. E eu vou além disso. A mesma palavra é usada para descrever Deus. E assim, se não há um inferno eterno, então não há um céu eterno, nem há um Deus eterno. É claro que Deus é eterno e, que o céu é eterno, por isso o inferno também é. (John MacArthur, A Testimony of One Surprised to Be in Hell, Part 2)

Agostinho expressou isso com simples palavras a mais de 1500 anos atrás: “Dizer que a vida eterna deve ser sem fim, mas que o castigo eterno deve chegar a um fim é o cúmulo do absurdo.”

Afirmar que passagens como Mateus 25:46 referem-se a eternidade como uma qualidade de julgamento, mas que não dizem nada sobre o tempo de duração, especialmente sem nenhum apoio exegético, é simplesmente ridículo. O significado de “eterno” nessa passagem é claro: dura para sempre.

Aniquilacionistas por vezes tentam explicar “eterno” no sentido de um efeito eterno. Eles dizem que as palavras como destruição e morte se referem a algum tipo de desintegração ou consumo. Deus não vai atormentar os ímpios por toda a eternidade, Ele simplesmente termina a sua existência, e o efeito desse ato singular de julgamento dura para sempre. Como observamos acima, eles permitem que Deus manifeste sua ira, mas apenas por um tempo. Para eles dizer que o castigo divino é eterno é ir muito longe, é uma forma de punição cruel e incomum. Eles acreditam que Deus vai eliminar os perversos da existência, e que a condição de não-existência durará para sempre.

Além do problema metafísico (Como pode ser dito que uma coisa que não existe mais, dura para sempre?), há um problema muito sério com a “cessação da existência” visto que não leva em conta que o legislador é infinito e eterno por natureza. A gravidade de um delito é medida, não apenas pela natureza do ato em si, mas também em relação ao ofendido. Por exemplo, se um homem esmurra outro homem em uma esquina, ele pode sofrer algumas conseqüências, a acusação de perturbar a paz, assalto, agressão etc. Mas se ele der um soco no presidente dos Estados Unidos, vai acabar passando um bom tempo na prisão.

É mais ou menos assim com as ofensas cometidas contra um Deus santo. Uma vez que uma ofensa contra um legislador finito é finita, a punição para satisfazer a ofensa também é finita. Esse é o princípio por trás do Êxodo 21, olho por olho (vv. 23-25). Mas uma ofensa contra um Legislador infinito e eterno não é finita, é infinita e eterna. Cabe ao juiz determinar a gravidade da infração em si, ou seja, contar uma mentira “branca” versus cometer homicídio, mas a natureza da infração é medida de acordo com a natureza de Deus que é santo e eterno. Da mesma forma, Deus, que é perfeito em justiça, determina a punição que uma infração exige. De acordo com a Sua Palavra, a punição por um delito contra um Deus santo é o tormento eterno no inferno.

Em um nível humano, é compreensível que as pessoas recuem dos ensinamentos bíblicos sobre os tormentos eternos do inferno. É uma doutrina absolutamente terrível e assustadora. É impossível para nós conceber o pecado como um crime tão grave. É difícil aceitar até mesmo que os crimes de figuras famosas como Hitler, Stalin, Pol Pot, Mao, e Osama Bin Laden, mereçam a agonia excruciante e eterna descrita na Bíblia. Mas isso só mostra o quão pouco nós entendemos a gravidade do pecado por um lado, e a santidade de Deus, do outro.

Os caminhos de Deus são mais altos que os nossos caminhos e Seus pensamentos são mais altos que os nossos pensamentos, não podemos compreendê-Lo plenamente (Is. 55:8-9). De uma forma desconfortável, pungente e penetrante, a doutrina do inferno eterno confronta a nossa lealdade, revela nossa verdadeira autoridade, e exige que deixemos de lado o que parece-nos razoável e que confiemos no justo juízo de um Deus santo. Quando abraçamos as doutrinas mais difíceis da Bíblia, isso se torna uma das evidências mais significativas de que Deus está nos concedendo fé.

A doutrina bíblica de um inferno eterno dá-nos ainda outro motivo para louvar a Deus pelo evangelho. Foi necessária uma pessoa eterna para satisfazer uma pena eterna contra o pecado, sendo toda a raça humana desqualificada, exceto uma pessoa: Jesus Cristo. Ele é o Filho do homem e o Filho eterno de Deus. Quando Jesus deu a Sua vida, Seu sacrifício satisfez todos os requisitos da justiça divina. Para aqueles que confiam em Jesus Cristo como seu Substituto, Sua morte satisfez a ira eterna de um Deus eterno e justo. Ele levou o nosso castigo em seu corpo, absorvendo ira eterna de Deus. Mas aqueles que não abraçam a Cristo são deixados a si mesmos, eles têm a culpa de suas ofensas contra um Deus eterno, e vão sofrer por isso eternamente, e nunca serão capazes de satisfazer a Sua ira eterna.

Espero que a doutrina do tormento eterno torne vocês sóbrios. Que ela encha vocês de louvor a Deus pela salvação do castigo eterno, e pela vida eterna no lugar daquele. Que vocês se humilhem por perceberem que não estão recebendo o que merecem. E que se inflame em vocês uma paixão por proclamar o evangelho às pobres almas que não têm conhecimento do terror que os espera fora da misericórdia de Deus.

Travis Allen

Tradução: Alisson Pedrosa / @alissompa

Original: Grace to You

Fonte: http://amecristo.com

Devocional: Um Evangelho Honesto!

(A vida cristã) não é vida que no início seja lindamente ampla e que, à medida em que você prossegue, vá ficando cada vez mais estreita. Não! Já desde o portal, no próprio caminho de entrada a essa vida, há vereda estreita. . . Muitíssimas vezes têm-se a impressão de que ser cristão é, afinal, bem pouco diferente de não ser cristão, de que você não precisa pensar no cristianismo como uma vida estreita, mas como algo atraente, maravilhoso e emocionante, e de que entramos ali formando multidões. Isso não está de acordo com nosso Senhor. O Evangelho de Jesus Cristo é por demais honesto, para ficar dirigindo convites dessa natureza as pessoas. Ele não tenta persuadir-nos de que se trata de algo fácil, sendo que só mais tarde começaremos a descobrir quão difícil é realmente. O Evangelho de Jesus Cristo apresenta-se franca e incondicionalmente como algo que começa com uma entrada estreita, com uma porta estreita. . .

É-nos dito logo no início deste caminho da vida, antes de começarmos a marcha, que se queremos percorrê-lo há certas coisas que terão de ser deixadas de lado, para trás de nós. Não há espaço para elas passarem, porque temos que começar entrando por uma porta estreita e apertada. Gosto de imaginá-la como um torniquete. A porta é bem parecida com um torniquete que admite uma pessoa por vez, e somente uma. E é tão estreita que há certas coisas que você simplesmente não pode levar com você. Desde o começo o caminho é exclusivo, e importa que examinemos o Sermão da Montanha para vermos algumas coisas que é preciso deixar atrás.

A primeira coisa que deixamos para trás é o que se chama de mundanismo. Deixamos atrás a multidão, o modo de viver do mundo. . . O modo cristão de viver não goza de popularidade. . . Você não pode levar a multidão em sua companhia na carreira da vida cristã; esta, inevitavelmente, requer rompimento.

Martyn Lloyd-Jones

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 220,1.

Devocional: Vá às Raízes

Quão complexa e complicada é a maneira moderna de tratar das diversas porções da vida humana! Quão fútil também, já que o princípio central não é atingido! Se o olho for mau, todo o corpo será tenebroso, por maior que seja o esforço de iluminar as diferentes partes do ser.

Se o manancial é venenoso, o riacho que dali se origina contém constante veneno, por mais que nos esforcemos para limpar os baldes de água dali tirados. Essa idéia é expressa por Tiago em sua Epístola, nestes termos: «De Onde procedem guerras, e contendas, que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?» (Tiago 4.1). Ou, como no-lo recorda nosso Senhor, «do coração procedem os maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias» (Mateus 15.19).

Por conseguinte, o que precisa ser tratado é o centro, o coração, a causa da dificuldade, e não apenas suas diversas manifestações. Ou seja a árvore boa, e o seu fruto bom, ou então que seja a árvore má, e o seu fruto mau (Mateus 7.15-20), conforme o Senhor nos ensina. O tratamento deve começar no centro. Não importa o que o homem faz, ou o que o homem sabe, ou qualquer coisa acerca dele; o próprio indivíduo é que precisa ser corrigido, em suas fundamentais e centrais relações com Deus. É médico muito deficiente aquele que trata somente dos sintomas e das complicações, e ignora a própria enfermidade.

E a enfermidade, nesse caso, é a manchada e enlameada condição da alma humana, condição resultante do pecado. Seu olho espiritual está anuviado e cego. A luz de Deus não pode penetrar ali. Todas as trevas que há no seu interior se devem a isso, e somente a isso. Essa a doença, e somente essa, que requer tratamento. Como o Evangelho é simples e direto!

Martyn Lloyd-Jones

Devocional: Liberdade do Espírito e Danças no Culto

Vou aproveitar um comentário feito no post anterior por uma de nossas leitoras para abordar mais um argumento freqüentemente usado para justificar danças no culto. Na verdade, não somente danças, mas as coisas das mais estranhas têm sido justificadas no culto, como cair no Espírito, trenzinho de Jesus, tremedeiras, salto mortal, usando-se as palavras de Paulo em 2Coríntios 3:17:
Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.

O argumento vai mais ou menos assim: quando o Espírito de Deus está agindo num culto, Ele impele os adoradores a fazerem coisas que aos homens podem parecer estranhas, mas que são coisas do Espírito. Se há um mover do Espírito no culto, as pessoas têm liberdade para fazer o que sentirem vontade, já que estão sendo movidas por Ele, não importa quão estranhas estas coisas possam parecer. E não se deve questionar estas coisas, mesmo sendo diferentes e estranhas. Não há regras, não há limites, somente liberdade quando o Espírito se move no culto.
Assim, um culto onde as coisas ocorrem normalmente, onde as pessoas não saltam, não pulam, não dançam, não tremem e nem caem no chão, este é um culto frio, amarrado, sem vida. O argumento prossegue mais ou menos assim: o Espírito é soberano e livre, Ele se move como o vento, de forma misteriosa. Não devemos questionar o mover do Espírito, quando Ele nos impele a dançar, pular, saltar, cair, tremer, durante o culto. Tudo é válido se o Espírito está presente.
Bom, tem algumas coisas nestes argumentos com as quais concordo. De fato, o Espírito de Deus é soberano. Ele não costuma pedir nossa permissão para fazer as coisas que deseja fazer. Também é fato que Ele está presente quando o povo de Deus se reúne para servir a Deus em verdade. Concordo também que no passado, quando o Espírito de Deus agiu em determinadas situações, a princípio tudo parecia estranho. Por exemplo, quando Ele guiou Pedro a ir à casa do pagão Cornélio (Atos 10 e 11). Pedro deve ter estranhado bastante aquela visão do lençol, mas acabou obedecendo. Ao final, percebeu-se que a estranheza de Pedro se devia ao fato que ele não havia entendido as Escrituras, que os gentios também seriam aceitos na Igreja.
Mas, por outro lado, esse raciocínio tem vários pontos fracos, vulneráveis e indefensáveis. A começar pelo fato de que esta passagem, “onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Cor 3:17) não tem absolutamente nada a ver com o culto. Paulo disse estas palavras se referindo à leitura do Antigo Testamento. Os judeus não conseguiam enxergar a Cristo no Antigo Testamento quando o liam aos sábados nas sinagogas pois o véu de Moisés estava sobre o coração e a mente deles (veja versículos 14-15). Estavam cegos. Quando porém um deles se convertia ao Senhor Jesus, o véu era retirado. Ele agora podia ler o Antigo Testamento sem o véu, em plena liberdade, livre dos impedimentos legalistas. Seu coração e sua mente agora estavam livres para ver a Cristo onde antes nada percebiam. É desta liberdade que Paulo está falando. É o Senhor, que é o Espírito, que abre os olhos da mente e do coração para que possamos entender as Escrituras.
A passagem, portanto, não tem absolutamente nada a ver com liberdade para fazermos o que sentirmos vontade no culto a Deus, em nome de um mover do Espírito.
E este, aliás, é outro ponto fraco do argumento, pensar que liberdade do Espírito é ausência de normas, regras e princípios. Para alguns, quanto mais estranho, diferente e inusitado, mais espiritual! Mas, não creio que é isto que a Bíblia ensina. Ela nos diz que o fruto do Espírito é domínio próprio (Gálatas 5:22-23). Ela ensina que o Espírito nos dá bom senso, equilíbrio e sabedoria (Isaías 11:2), sim, pois Ele é o Espírito de moderação (2Tim 1:7).
Além do uso errado da passagem, o argumento também parte do pressuposto que o Espírito de Deus age de maneira independente da Palavra que Ele mesmo inspirou e trouxe à existência, que é a Bíblia. O que eu quero dizer é que o Espírito não contradiz o que Ele já nos revelou em sua Palavra. Nela encontramos os elementos e as diretrizes do culto que agrada a Deus.
Liberdade no Espírito não significa liberdade para inventarmos maneiras novas de cultuá-lo. Sem dúvida, temos espaço para contextualizar as circunstâncias do culto, mas não para inventar elementos. Seria uma contradição do Espírito levar seu povo a adorar a Deus de forma contrária à Palavra que Ele mesmo inspirou.
Um culto espiritual é aquele onde a Palavra é pregada com fidelidade, onde os cânticos refletem as verdades da Bíblia e são entoados de coração, onde as orações são feitas em nome de Jesus por aquelas coisas lícitas que a Bíblia nos ensina a pedir, onde a Ceia e o batismo são celebrados de maneira digna. Um culto espiritual combina fervor com entendimento, alegria com solenidade, sentimento com racionalidade. Não vejo qualquer conexão na Bíblia entre o mover do Espírito e piruetas, coreografia, danças, gestos. A verdadeira liberdade do Espírito é aquela liberdade da escravidão da lei, do pecado, da condenação e da culpa. Quem quiser pular de alegria por isto, pule. Mas não me chame de frio, formal, engessado pelo fato de que manifesto a minha alegria simplesmente fechando meus olhos e agradecendo silenciosamente a Deus por ter tido misericórdia deste pecador.

Augustus Nicodemus Lopes

Fonte: O Tempora, O Mores

Devocional: Sobre Liturgia

O crente deveria ir ao culto com uma forte convicção de ter um encontro com o Senhor Deus. É claro, não com algum misticismo de que só ali esteja a presença do Senhor.O verdadeiro adorador vive todo o seu dia adorando com pensamentos, palavras e ações. Mas é certo que, como diz o Salmo 133, quando os crentes estão reunidos em comunhão ” ali ordena o Senhor a sua benção”.

É verdade que a comunidade cristã oferece ricas e variadas possibilidades de companheirismo e sociabilidade em suas diversas reuniões, mas falo desse momento específico conhecido como culto, ou reunião solene. Nessa ocasião o crente deveria ser tomado por esse objetivo de encontrar-se com o Deus Vivo e ter grande esperança de que o Espírito Santo desça sobre a congregação e assuma a direção de tudo. Nessa hora o crente traz suas ofertas de louvor e gratidão, faz conhecidas perante Seu Deus as suas fraquezas e necessidades, e dispõe todo o seu ser para ouvir a pregação da Palavra que o lava, fortalece,ensina e santifica.

No entanto, não é assim que acontece, não é mesmo? Temos ido ao culto pelos motivos mais equivocados e até pagãos. Nossa agitação é grande. Toda a influência desses dias nervosos e superficiais tem se manifestado nos cultos. Não conseguimos ficar nem cinco minutos em oração silenciosa. Isso sem falar na mais moderna impiedade que tem ocorrido durante a adoração: os crentes que ficam online.

Mas há o outro lado da questão, os responsáveis pela liturgia ou ordem de culto.

Eles não ajudam em nada os corações sobrecarregados dos que vêm para tentar uma adoração sincera, muito pelo contrário. O que será que eles pensam que estão fazendo, dirigindo algum programa de auditório ou de variedades? Por que as pessoas pensam que devem fazer a assembléia rir a qualquer custo haja o que houver? Será que ninguém crê, de fato, que o Senhor Deus está presente no culto? Se cressem, fariam isso diante dAquele que é um Fogo Consumidor?

Quando se consegue, pela graça do Senhor, ir a uma reunião com um bom coração, com frequência, nos primeiros minutos do culto a gente perde esse espírito em razão de uma liturgia mundana.

Por que tantos vídeos? Por que tantos avisos? Por que tantas brincadeiras sem graça nenhuma? Por que tantos relatórios? Por que o aviso de tantos eventos ? Por que a apresentação de tantas bandas, peças e danças? Nem Jó, nem Moisés conseguiriam suportar a irritação que tudo isso causa no coração de um humilde adorador!  O fato é que a igreja tem que massificar as informações porque, se não, o povo não vai, essa é que é a verdade. O crente, de modo geral, não tem mais interesse nas coisas do Reino e por isso tem que sofrer uma lavagem cerebral pra comparecer nas programações da igreja. Se houvesse verdadeira piedade cristã em nós, o boletim não precisaria ser lido por inteiro no culto mas apenas levado pra casa. Ou então, apenas um site da igreja com os avisos seria suficiente. Mas por causa de nosso duro coração e porque o pastor tem que manter a “empresa” funcionando, o precioso tempo da adoração é gasto com ninharias. Que se esvaziem as igrejas então!

Ah quem dera um culto simples! Um hino tradicional, três cânticos(sem a “ajuda” de um ministrador), algumas leituras bíblicas e orações e um bom tempo para a  fiel pregação da Palavra quando ainda estamos em boas condições físicas. Será que ainda teremos algo assim algum dia? Um culto simples e com todas as condições possíveis para a vinda do Espírito do Senhor… Deixem-me sonhar com isso, nem que seja só pela beleza de sonhar esse sonho.

Stênio Marcius

Fonte: http://stmarcius.blogspot.com/

Devocional: O que é beleza? – Imitando Jesus

O que é belo para Jesus não vai parar na capa da Vogue

Ao contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranqüilo, o que é de grande valor para Deus – 1 Pedro 3.4

Beleza tem um custo. Entre cremes para rugas, pomada para manchas da idade e tinta para cabelos grisalhos, meu carrinho transborda de produtos de beleza que eu não posso pagar. Beleza interior tem um custo também. À medida que fico mais velha e a guerra da beleza torna-se mais declarada, me pego fazendo perguntas sobre a beleza. O que significa ser bonita? Quem define a beleza?

Redefinindo a beleza

Homens, o que é beleza para vocês? Em que ponto uma mulher bonita que prende o seu olhar se tornam velhas ou desgastadas o suficiente para perder esse rótulo? Maridos, a sua esposa tem se tornado mais bonita para você à medida que você a vê imitando Jesus? A beleza não começa ou termina com a mera idade, roupas, ou habilidade de estimular os sentidos.

Considere uma mulher que é, em sua beleza, mais parecida com Jesus do que com uma modelo da Victoria’s Secret. Se Deus amorosamente instrui as mulheres a se embelezarem de dentro para fora, você deve certamente considerar que a beleza de uma mulher tem origem, e emana, de seu coração. Um coração vivificado por Jesus é algo bonito de fato

Jesus = Beleza

A beleza tem mil faces. É difícil defini-la objetivamente. Qualquer coisa bonita reflete a gloria de Deus de alguma forma e nos inspira à adoração. Com essa descrição em mente, o objeto mais óbvio de beleza que vem à mente é Cristo. Ele define e demonstra a verdadeira beleza. E não porque ele era agradável aos olhos… Seu amor e serviço sacrificiais, seu coração humilde e sua justiça são a fonte de sua beleza. Porque ele é bonito, nós podemos ser também. Nossa habilidade de ter a beleza interior custou a vida de Jesus.

Dirija-se à pessoa escondida no coração

Assim como nós algumas vezes perguntamos a nossos amigos ou marido se nós estamos bonitas, nós deveríamos fazer para Jesus a mesma pergunta. Ele é fiel às constantes transformações internas de suas filhas. Ele vai responder. Em um daqueles momentos especialmente complicados em que me senti feia depois de uma semana difícil com a minha família, clamei a Deus e perguntei de que forma ele queria que a sua beleza se manifestasse na minha vida. A resposta? Alegre serviço e gentil correção.

Servir aos outros pode ser uma bela demonstração de piedade na vida de uma pessoa. Mas também pode ser um disfarce piedoso para a murmuração e um coração amargo que quer que os outros pensem o melhor sobre si. Ao se dirigir à pessoa escondida em meu coração, Deus quer que eu pare com a falsa beleza e alegremente sirva com disposição àqueles que ele trouxe para a minha vida.

Palavras duras facilmente brotam de meus lábios. Há uma certa sensação de poder e controle que vem ao corrigir meus filhos desobediente em um tom mais duro. Deus continua a me lembrar carinhosamente que é a bondade dEle que me leva ao arrependimento (Romanos 2.4) e que a bondade ao corrigir o outro é um belo espetáculo de se ver.

Como Deus deseja ver a sua beleza brilhando em nossas vidas? Nosso amor pela beleza deve nos levar a desejar aquilo que é verdadeiramente bonito. A beleza flui de um coração arraigado na beleza de Cristo. Na próxima vez que você for tentada a se comparar com uma top model de capa de revista, lembre-se das palavras do Senhor a Samuel, a milhares de anos atrás, e que ainda valem para os dias de hoje: “O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1 Samuel 16.7)

Jen Smidt

Traduzido por Marianna Brandão | iPródigo.com | Original aqui

Estudo da Semana: Avivamento e a Bíblia

A Bíblia é o padrão inerrante, infalível e indispensável de qualquer avivamento.[1] A história e a experiência têm mostrado que a relação entre a Bíblia e o avivamento é tão intrínseca que é impossível um reavivamento de verdade sem que ela faça parte dele. Assim, uma vez que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, é ela e somente ela que pode nos dar a direção correta e inequívoca nesse assunto.

Além disso, numa época de tantos extremos como esta em que vivemos, é fundamental o equilíbrio que só a Bíblia oferece. Sabemos que hoje existem desde aqueles que veem toda e qualquer manifestação entusiástica como avivamento, até aqueles que negam a sua existência, ou quando muito acham que avivamento é a mais nova onda do momento, uma coqueluche moderna, uma inovação humana sem respaldo bíblico.[2] É necessário, mais que nunca, recorrermos à lei e ao testemunho. Os extremos são sempre perigosos e precisam ser evitados.

Permita-me dar um exemplo: Edwin Orr, uma das maiores autoridades sobre avivamentos, disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos convidando pessoas para suas reuniões assim: “Reavivamento aqui todas às segundas-feiras à noite”, enquanto que a outra prometia: “Reavivamento aqui todas às noites, exceto às segundas-feiras”. Orr menciona esse fato para relatar um desses extremos em que a palavra “avivamento” ou “reavivamento” é usada aleatoriamente, como se o mesmo fosse simplesmente uma produção humana com data e hora marcadas.[3]Por isso, é imprescindível que um avivamento seja sempre avaliado pela Bíblia. Observando os avivamentos ocorridos na Bíblia e na História da Igreja, notamos que os objetos do Espírito eram sempre persuadidos com e para a Palavra. Avivamento onde a Bíblia não está presente não passa de um movimento avivalista convencional.

“Um reavivamento”, diz Campos, “que é produto da obra do Espírito Santo na igreja, certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. A autoridade da Palavra de Deus passa a ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus”.[4] Não existe verdadeira espiritualidade sem a Bíblia.

Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis. Segundo Coleman, o que se pode chamar de “o grande despertamento geral” ocorreu nos dias de Sete, pouco depois do nascimento de seu filho Enos: “Então se começou a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26).[5] O nome Enos quer dizer fraco ou doente, o que é deveras significativo. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana, o nome Enos era bastante adequado. “É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina”.[6] À parte dessa indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. O relato subsequente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados.

Depois temos os patriarcas que, por vários séculos, lideraram o povo de Deus. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia eles agiam com a força que promovia novo vigor. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35.1-15). Mais tarde, sob a liderança de Moisés, há períodos empolgantes de refrigério, especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12.21-28), na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19.1-25; 24.1-8; 32.1-35.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21.4-9).

No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas, como na travessia do rio Jordão (Js 3.1-5.12) e na conquista de Ai (Js 7.1-8.35). Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória, uma apatia espiritual se apoderou da nação. Sabendo que seu povo estava dividido, Josué reuniu as tribos de Israel, em Siquém, e exigiu que cada um escolhesse, de uma vez por todas, a quem servir (Js 24.1-15). Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio, prosseguindo durante “todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué, e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel” (Js 24.31).

O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas, de quando em quando, traindo o Senhor e servindo a outros deuses. O juízo de Deus é inevitável. Então, após longos anos de opressão o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.9,15; 4.3; 6.6,7; 10.10). Em cada ocasião Deus responde as orações, enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período, sob a direção de Samuel (1Sm 7.1-17).

Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. A marcha de Davi, entrando com a arca em Jerusalém, possui muitos ingredientes de um avivamento (2Sm 6.12-23). A dedicação do Templo, no início do reinado de Salomão, é outro grande exemplo (1Rs 8). O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (1Rs 15.9-15). E Josafá, outro rei de Judá, lidera uma reforma (1Rs 22.41-50), bem como o sacerdote Joiada (2Rs 11.4-12.16). Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2Rs 18.1-8). Por fim, a descoberta do Livro da Lei do Senhor, durante o reinado de Josias, dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2Rs 22,23; 2Cr 34,35).

Ainda, sob a liderança de Zorobabel e Jesua, outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1.1-4.24). Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do Templo, os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5.1-6.22; Ag 1.1-2.23; Zc 1.1-21; 8.1-23). Setenta e cinco anos depois, com a chegada de outra expedição liderada por Esdras, novas reformas são iniciadas em Jerusalém, dando-se mais atenção à lei do Senhor (Ed 7.1-10.44). O avivamento alcança o auge poucos anos depois, quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1.1-13.31). Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.28-32; Habacuque 2.14-3.19 e Malaquias 4.

No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista. Escolhe e treina seus discípulos; ascende aos céus, deixando-os na expectativa de receberem a promessa do Espírito (Lc 24.49-53; At 1.1-26). O poderoso derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, inaugura o avivamento que Jesus havia predito (At 2.1-47). “Marca-se, assim, o início de uma nova era na história da redenção. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia – o dia em que a Igreja, discipulada por intermédio de seu exemplo, redimida por seu sangue, garantida por sua ressurreição, sairia em seu nome a proclamar o evangelho ‘até os confins da terra’ (At 1.8)”.[7]

O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento. Avivamento em Jerusalém, em Samaria, em Antioquia da Síria e em Éfeso. E de lá para cá são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na História da Igreja, como por exemplo, na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI; o “Grande Despertamento” do século XIXI; o avivamento entre os Zulus da África do Sul, na década de 1960; e na Coréia do Sul nestes últimos tempos, dentre outros.

A busca por uma vida de obediência a Deus e à sua Palavra, a santificação do corpo e da alma, bem como a valorização da moral e ética cristãs, são desejadas ansiosamente num avivamento de verdade. Que em sua soberana graça e misericórdia, o Senhor nosso Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos, como igreja e povo brasileiros, experimentar mais uma vez daquele “fogo abrasador”, que purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra.

“Tenho ouvido, ó SENHOR, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó SENHOR, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).


[1] Os termos “avivamento”, “reavivamento”, “despertamento” e correlatos são usados aqui no mesmo sentido.

[2] Cf. Frans Leonard Schalkwijk, Aprendendo da história dos avivamentos. In: Fides Reformata. Vol. II, No. 2. São Paulo: JMC, 1997, p. 61.

[3] Citado por Brian H. Edwards em Revival! A people saturad with God. England: Evangelical Press, 1994, p. 25.

[4] Héber C. Campos, Crescimento da igreja: com reforma ou com reavivamento?. In: Fides Reformata. Vol. I, No. 1. São Paulo: JMC, 1996, p. 45.

[5] Robert Coleman, A chegada do avivamento mundial. São Paulo: CPAD, 1996, p. 53.

[6] Ibidem.

[7] Idem, p. 61.

Josivaldo de França Pereira

Fonte: http://prjosivaldo.blogspot.com/

Devocional: Não ousamos duvidar

Eu irei adiante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de bronze e despedaçarei as trancas de ferro.(Isaías 45.2 – ARA)

Esta mensagem dirigia-se a Ciro, rei da Pérsia. No entanto, ela é uma herança de todos os verdadeiros servos do Senhor. Avancemos pela fé, e o caminho nos será esclarecido. Curvas e desvios resultantes da astúcia do homem e da sutileza de Satanás serão endireitados para nós; não precisaremos seguir seus sinuosos labirintos. As portas de bronze serão quebradas, e despedaçadas serão as trancas de ferro que as fechavam com segurança. Não precisaremos de aríetes ou de alavancas; o Senhor mesmo fará o impossível por nós, e o inesperado se tornará um fato.

Não permaneçamos sentados com temor e covardia. Prossigamos avante no caminho dos deveres, pois o Senhor disse: “Eu irei adiante de ti”. Não nos compete argumentar porque devemos fazê-lo; cumpre-nos apenas ser ousados e avançar. A obra é do Senhor; Ele mesmo nos capacitará a realizá-la. Todo impedimento tem de sucumbir diante dEle. Não foi o Senhor quem disse: “Quebrarei as portas de bronze”? O que pode obstruir seu propósito ou frustrar seus decretos? Aqueles que servem a Deus possuem infinitos recursos. O caminho se torna claro para a fé, embora esteja fechado para o esforço humano. Quando o Senhor afirma que o fará, e encontramos isso diversas vezes nessa promessa, não ousamos duvidar.

Charles H. Spurgeon

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