Devocional: Vá correndo para Deus

“Chegai-vos a Deus, e Ele se chegará a vós.” (Tg 4:8 ACF)

 

Quanto mais perto nos chegarmos de Deus, mais misericordiosamente Ele Se revela a nós. Quando (o filho) pródigo volta a seu pai, este corre a recebê-lo. Quando a pomba errante volta à arca, Noé estende a sua mão e a faz entrar consigo. Quando a esposa carinhosa busca a companhia do seu marido, este vem a ela sobre as asas do amor. Vem, então, querido amigo, cheguemo-nos a Deus, que tão graciosamente nos aguarda, sim, e vem ao nosso encontro.

 Alguma vez prestaste atenção a essa passagem em Isaías 58: 9? Aí parece que o SENHOR Se põe à disposição do Seu povo, dizendo-lhe: “Eis-Me aqui.” O que equivale a dizer—“Que tens para Me dizer? Que posso fazer por ti? Estou desejando abençoar-te.” Como podemos hesitar em aproximarmo-nos do SENHOR? Deus está perto para perdoar, para abençoar, para consolar, para ajudar, para vivificar e para libertar. Que a nossa questão essencial seja o aproximarmo-nos de Deus. Feito isto, tudo está feito. Se nos aproximarmos de outros, logo estes podiam cansar-se de nós e deixar-nos; mas se só buscarmos o Senhor, nenhuma mudança virá à Sua mente, a não ser que Ele continuará aproximando-Se ainda mais de nós, por meio duma comunhão completa e além do mais jovial.

 

C.H.Spurgeon

 

Fonte: http://www.projetospurgeon.com.br/  

          http://no-caminhodejesus.blogspot.com/

Devocional: Ansiedade Incontrolável

Ao escrever minha coluna deste mês eu apaguei o que eu tinha escrito comecei novamente, porque eu conversei com um dos meus amigos mais próximos, e sua esposa, grávida de seu segundo filho poderia estar passando por um aborto. Meu coração está profundamente triste por não saber o que o futuro reserva para eles. Enquanto escrevo, meu amigo e sua esposa estão no seu caminho para o consultório médico. Tendo experimentado o aborto do nosso primeiro filho há anos, minha esposa e eu podemos ter empatia com os nossos amigos. Aqueles que sofreram a perda de um filho ainda não-nascido sabem o medo e a ansiedade que eu estou falando. As palavras falham quando tentamos expressar a dor da perda. Como um homem, um amigo, um pastor, eu tenho algumas palavras de sabedoria para ele, enquanto ele procura confortar sua esposa, e enquanto ambos buscam o conforto na soberania do Senhor.
Como crentes, não questionamos a soberania de Deus – exatamente o oposto. Nós não nos preocupamos porque temos esquecido o princípio mais básico de teologia, ou seja, que Deus é Deus – soberano. Nós preocupamo-nos, sabendo demais. Sabendo que Ele é soberano, ainda em nossos reinos egoístas, freqüentemente esquecemos que é uma soberania eternamente graciosa para com aqueles reconciliados com Deus através de Cristo.
Como vivemos diante da face de Deus a cada dia com reais motivos para a ansiedade, podemos ter certeza de que sua soberania (não a nossa) – Seu controle (não o nosso) – Sua fidelidade (não a nossa) – é a nossa única esperança real neste mundo triste. Por que o que Ele cria Ele sustenta, aquilo que Ele é o autor Ele aperfeiçoa, o que Ele começa Ele termina. E se estamos confortavelmente entorpecidos por nossas ansiedades, ou se estamos em plena consciência delas, não é nem a aceitação, nem o controle, nem a racionalização delas que vai nos libertar de nossas auto-criadas, auto-controladas, auto-suficientes prisões de ansiedade.
Só seremos livres quando nos tornamos tão dependentes de Deus como os pássaros no ar que o nosso Pai celestial alimenta e cujas canções nos levantam os olhos ao céu, ao ouvi-los cantar: “Filho de Adão, não se preocupe com o amanhã, coloque seus cuidados sobre Ele, pois, se Ele cuida de mim, quanto mais ele se importará com você?

 

Burk Parsons

Tradução: Rafael Bello | ipródigo | Original aqui
Fonte: http://iprodigo.com/traducoes/ansiedade-incontrolavel-2.html

Estudo da Semana: O Fruto do Espírito

Romanos 12.1-21; 1 Coríntios 12.1—14.40; Gálatas 5.19-26; Efésios 4.1—6.20

O fruto do Espírito Santo é um dos aspectos mais negligenciados do ensino bíblico sobre santificação. Há várias razões para isso:

1. A preocupação com as coisas exteriores. Embora os estudantes muitas vezes murmurem e reclamem quando têm de fazer uma prova na escola, há um sentido em que realmente queremos fazer as provas. Sempre encontramos nas revistas modelos de testes que medem habilidades, realizações ou conhecimentos. As pessoas gostam de saber em que nível estão. Será que consegui alcançar a excelência numa certa área, ou estou afundando na mediocridade?

Os cristãos não são diferentes. Tendemos a medir nosso progresso na santificação examinando nosso desempenho de acordo com padrões externos. Proferimos maldições e palavrões? Bebemos muito? Vamos muito ao cinema? Esses padrões são frequentemente usados para medir a espiritualidade. O verdadeiro teste — a evidência do fruto do Espírito Santo — geralmente é ignorado ou minimizado. Foi nesta armadilha que os fariseus caíram.

Nós nos afastamos do verdadeiro teste porque o fruto do Espírito é difícil demais. Exige muito mais do caráter pessoal do que os padrões exteriores superficiais. É muito mais fácil evitar falar um palavrão do que adquirir o hábito de ter uma paciência piedosa.

2. A preocupação com os dons. O mesmo Espírito Santo que nos guia na santidade e produz fruto em nós também distribui os dons espirituais aos crentes. Parecemos muito mais interessados nos dons do Espírito do que no fruto, a despeito do ensino claro na Bíblia de que alguém pode possuir dons e ser imaturo no progresso espiritual. A carta de Paulo aos Coríntios deixa isso muito claro.

3. O problema dos descrentes justos. É frustrante medirmos nosso progresso na santificação pelo fruto do Espírito Santo porque as virtudes relacionadas às vezes são exibidas num nível maior por descrentes. Todos nós conhecemos pessoas não-cristãs que demonstram mais bondade ou mansidão do que muitos cristãos. Se as pessoas podem ter o “fruto do Espírito” independentemente do Espírito, como podemos determinar nosso crescimento espiritual desta maneira?

Há uma diferença qualitativa entre as virtudes do amor, alegria, paz, longanimidade, etc, engendradas em nós pelo Espírito Santo e aquelas exibidas são egoístas. Quando, porém, um crente exibe o fruto do Espírito, ele está mostrando características que, em última análise, são voltadas para Deus e para o próximo. Ser cheio do Espírito Santo significa ter uma vida controlada pelo Espírito; os não-crentes só podem exibir essas virtudes espirituais no nível da capacidade humana.

Paulo faz uma lista das virtudes do fruto do Espírito em sua carta aos Gálatas: “Mas o fruto de Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22,23). Estas virtudes caracterizam a vida cristã. Se somos cheios do Espírito, vamos exibir o fruto do Espírito. Isso, porém, obviamente envolve tempo. Não são ajustes superficiais do caráter que ocorrem da noite para o dia. Tais mudanças envolvem uma reformulação das disposições mais íntimas do coração, o que representa um processo de longa vida de santificação pelo Espírito.

Sumário

1. Tendemos a negligenciar o estudo do fruto do Espírito Santo porque: (1) nos preocupamos mais com aspectos exteriores; (2) nos preocupamos mais com os dons espirituais e (3) reconhecemos que muitas pessoas incrédulas exibem as virtudes espirituais melhor do que os cristãos.

2.        É mais fácil medir a espiritualidade por fatores exteriores do que pelo fruto do Espírito.

3. Podemos ter os dons espirituais e mesmo assim ser imaturos.

4. Existe uma diferença qualitativa entre a presença das virtudes espirituais nos incrédulos e nos crentes. Nos incrédulos, a virtude demonstra um mero esforço humano. Nos cristãos, as virtudes espirituais representam o Deus Espírito Santo produzindo um fruto espiritual numa medida além da capacidade humana.

Para discussão e avaliação

1. Quais, são alguns motivos pelos quais o fruto do Espírito Santo é um dos aspectos do ensino bíblico que é mais neglicenciado?

2. Qual é a diferença qualitativa entre o fruto do Espírito manifestado pelo cristão e as outras características semelhantes encontradas na vida de não cristãos?

3. Por que o cultivo do fruto do Espírito leva muito tempo na vida do cristão?

4. Que podemos fazer para cultivar o fruto do Espírito em nossa vida?

R.C. Sproul

Fonte: http://www.ortopraxia.com

Devocional: O Homem foi criado para pensar

Começo com a criação. Deus fez o homem à sua própria imagem, e um dos aspectos mais nobres da semelhança de Deus no homem é a capacidade de pensar. É verdade que todas as criaturas infra-humanas têm cérebro, alguns rudimentos, outros mais desenvolvidos. O Sr. W.S. Anthony, do Instituto de Psicologia Experimental de Oxford, apresentou um trabalho perante a Associação Britânica, em setembro de 1957, no qual descreveu algumas experiências com ratos. Ele pôs obstáculos às entradas que continham alimento e água, frustrando-lhes as tentativas de encontrar o caminho naquele labirinto. Descobriu que, diante do labirinto mais complicado, seus ratos demonstraram o que ele denominou de “dúvidas intelectuais primitivas”! Isso bem pode ser verdade. Todavia, mesmo que algumas criaturas tenham dúvidas, somente o homem tem o que a Bíblia chama de “entendimento”.

A Escritura assegura e evidencia isso a partir do momento da criação do homem. Em Gênesis 2 e 3 vemos Deus comunicando-se com o homem de um modo segundo o qual Ele não se comunica com os animais. Ele espera que o homem colabore consigo, consciente e inteligentemente, no cultivo e na conservação do jardim em que o colocara, e que saiba diferenciar- tanto racional como moralmente – entre o que lhe é permitido e o que lhe proibiu de fazer. Ainda mais, Deus chama o homem para dar nomes aos animais, simbolizando assim o senhorio que lhe dera sobre essas criaturas. E Deus cria a mulher de maneira tal que o homem imediatamente a reconhece como companheira idônea de sua vida, e então irrompe espontaneamente primeiro poema de amor da História!

Esta racionalidade básica do homem, por criação, é admitida em toda a Escritura. Na realidade, sobre esse fato se apóia o argumento normal que, sendo o homem diferente dos animais, ele deve comportar-se também diferentemente. “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento”. Em conseqüência, o homem é escarnecido e repreendido quando o seu comportamento é mais bestial que humano (“eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença”), e quando a conduta de animais é mais humana que a de alguns homens. Pois que às vezes os animais de fato superam os homens. As formigas são mais trabalhadoras e mais previdentes que o folgadão. Os bois e jumentos muitas vezes dão a seus donos um reconhecimento mais obediente do que o povo Deus ao Senhor. E os pássaros migratórios são melhores no arrependimento, já que quando partem em migração sempre retornam, enquanto que muitos homens que se desviam não conseguem voltar.

O tema é claro e desafiador. Há muitas semelhanças entre o homem e os animais. Mas os animais foram criados para se conduzirem por instinto, enquanto que os homens (apesar dos “behavioristas”), por escolha racional. Dessa forma os homens, ao deixarem de agir racionalmente, procedendo por instinto à semelhança dos animais, estão se contradizendo, contradizendo sua criação e sua diferenciação como seres humanos, e devem Ter vergonha de si próprios.

De fato é verdade que a mente do homem está afetada pelas devastadoras conseqüências da Queda. A “depravação total” do homem significa que cada parte constituinte da sua humanidade foi, até certo ponto, corrompida, inclusive sua mente, a qual a Escritura descreve como “obscurecida”. Com efeito, quanto mais os homens reprimem a verdade de Deus que reconhecem, mais “fúteis”, ou mesmo “insensatos” se tornam no seu pensar. Podem declarar-se sábios, mas são tolos. A mente deles é a “mente da carne”, a mentalidade de uma criatura decaída, e é basicamente hostil a Deus e à sua lei.

Tudo isso é verdade. Mas o fato de que a mente do homem é decaída não nos pode servir de desculpa para batermos em retirada, passando do pensamento à emoção, já que o lado emocional da natureza humana está igualmente decaído. De fato, o pecado traz mais efeitos perigosos à nossa faculdade de sentir do que à nossa faculdade de pensar, porque nossas opiniões são mais facilmente controladas e reguladas pela verdade revelada do que nossas experiências.

Assim, pois, apesar do estado decaído da mente humana, ainda o homem lhe é ordenado pensar e usar sua mente, na condição de criatura humana que é. Deus convida o Israel rebelde. “Vinde, pois , e arrazoemos, diz o Senhor”. E Jesus acusou as multidões descrentes, inclusive os fariseus e saduceus, por poderem interpretar as condições meteorológicas e preverem o tempo, mas não poderem interpretar “os sinais dos tempos” nem preverem o julgamento de Deus. “Por que perguntou-lhes. Em outras palavras: por que não usais os vossos cérebros? Por que não aplicais ao campo moral e espiritual o sentido comum que empregais no físico?”.

A sociedade secular, por esse mundo a fora, concorda com o ensino da Escritura acerca da racionalidade básica do homem, constituída em sua criação e não de todo destruída na Queda. Os propagandistas podem dirigir os seus apelos promocionais aos nossos apetites mais baixos, mas eles não têm nenhuma dúvida de que temos a capacidade de distinguir entre produtos: de fato, muitas vezes até mesmo chegam a lisonjear o consumidor que discrimina. Quando sai a primeira notícia de um crime, geralmente ela vem com a frase “o motivo ainda não foi descoberto”. Pressupõe-se, como se vê , que mesmo a ação criminosa tem uma motivação, seja ela qual for. E quando nossa conduta é mais emocional do que racional, ainda assim insistimos em “racionalizá-la”. O próprio processo chamado “racionalização” é significativo. Indica que o homem de tal forma se constituiu num ser racional que quando não tem razões para a sua conduta ele tem que inventar alguma para se satisfazer.


John W. Stott


Fonte:
Crer é também Pensar. A importância da mente cristã. ABU Editora. São Paulo, SP. 1994.

http://www.eleitosdedeus.org/mentalidade-crista/homem-foi-criado-para-pensar-john-w-stott.html#ixzz1GrpDQvY8

Devocional: Traga os livros

“Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos.” (2 Timóteo 4:13)

Paulo possuía uns poucos livros que tinham ficado para trás, talvez envolvidos na capa, e Timóteo devia cuidar em trazê-los. Até mesmo um apóstolo deve ler. Alguns dos nossos irmãos ultracalvinistas pensam que um ministro que lê livros e estuda sermões deve ser um espécime muito deplorável de pregador. Um homem que sobe ao púlpito, professa escolher o seu texto naquele momento e fala qualquer quantidade de absurdos é o ídolo de muitos. Se ele falar sem premeditação, ou pretender assim fazer, e nunca produzir o que eles chamam de uma porção de cérebros de homens mortos – oh! Isso que é um pregador!

Quão censurados eles são pelo apóstolo! Ele é inspirado e, todavia, deseja livros! Ele esteve pregando por pelo menos trinta anos e, todavia, deseja livros! Ele tinha visto o Senhor e, todavia, deseja livros! Ele tinha uma experiência mais ampla que a maioria dos homens e, todavia, deseja livros! Ele tinha sido levado ao terceiro céu, e ouvido coisas que é ilícito aos homens pronunciar e, todavia, deseja livros! Ele tinha escrito a maior parte do Novo Testamento e, todavia, deseja livros!

O apóstolo diz a Timóteo e assim diz para todo pregador: “Aplica-te à leitura” (1Tm. 4:13). O homem que nunca lê nunca será lido; aquele que nunca cita numa será citado. Aquele que não usa os pensamentos dos cérebros de outros homens, prova que ele mesmo não tem cérebro algum. Irmãos, o que é verdadeiro sobre os ministros é verdadeiro sobre todo o nosso povo.

Você deve ler. Renuncie o tanto que quiser de toda literatura aguada, mas estude o quanto puder obras teológicas sadias, especialmente os escritores Puritanos e as exposições da Bíblia.

Estamos totalmente persuadidos que a melhor forma de você gastar o seu descanso é lendo ou orando. Você pode ganhar muita instrução dos livros, a qual poderá usar mais tarde como verdadeira arma no serviço do seu Senhor e Mestre. Paulo exclama, “Traga os livros” – unamos-nos em clamor.

Esse excerto é de “Paul—his Cloak and His Books”, um sermão pregado em 29 de Novembro de 1863, no Tabernáculo Metropolitano de Londres.

Por Charles H. Spurgeon

FONTE: Internautas cristãos

Devocional: O Porco

Fonte: http://voltemosaoevangelho.com

Devocional: O Senhor guardará os pés de tropeçarem

“Então andarás confiante pelo teu caminho, e o teu pé não tropeçará.” (Pv. 3:23)

Quer dizer, se seguimos os caminhos da sabedoria e da santidade, seremos preservados neles. Aquele que viaja à luz do dia pela calçada, está sob a proteção do rei. Há caminhos para cada pessoa, quer dizer, seu próprio chamado na vida, e se nós caminhamos nele, no temor de Deus, Ele nos preservará do mal. Talvez não viajemos luxuosamente, mas caminharemos com segurança. Talvez já não possamos correr como os jovens fazem, mas poderemos caminhar como homens bons.

Nosso maior perigo está em nós mesmos: nosso frágil pé é infelizmente muito propenso ao tropeço. Peçamos uma maior força moral, para que nossa tendência em resvalar possa ser dominada. Alguns tropeçam porque não enxergam a pedra no caminho: a graça divina nos capacita para ver o pecado, e assim, evitá-lo. Temos que argumentar essa promessa, e temos que confiar Naquele que sustenta Seus eleitos.

Ai! Nosso pior inimigo é nossa própria negligência, mas o Senhor nos colocou em guarda contra isso, dizendo “vigiai e orai.”

Oh, peçamos graça para caminhar hoje sem nem um só tropeço! Não basta que não caiamos de fato – nosso clamor deve de ser que não experimentemos a menor titubeação com nosso pé, mas sim que ao fim adoremos à Aquele que é poderoso para nos proteger de qualquer tropeço.


C.H. Spurgeon

Fonte: http://www.projetospurgeon.com.br

Devocional: Culpa Universal e Livre-arbítrio

Em Romanos 1.18, Paulo ensina que todos os homens, sem qualquer exceção, merecem ser castigados por Deus. “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça.” Se todos os homens possuem “livre-arbítrio”, ao mesmo tempo que todos, sem qualquer exceção, estão debaixo da ira de Deus, segue-se daí que o “livre-arbítrio” os está conduzindo a uma única direção — da “impiedade e da iniqüidade”. Portanto, em que o poder do “livre-arbítrio” os está ajudando a fazer o que é certo? Se existe realmente o “livre-arbítrio”, ele não parece ser capaz de ajudar os homens a atingirem a salvação, porquanto os deixa sob a ira de Deus.

Algumas pessoas, no entanto, acusam-me de não seguir bem de perto a Paulo. Eles afirmam que as palavras dele, “contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” não significam que todos os seres humanos, sem exceção, estão culpados aos olhos de Deus. Eles argumentam que o texto dá a entender que algumas pessoas não “detêm a verdade pela injustiça”. Entretanto, Paulo estava usando uma construção de frase tipicamente hebraica, que não deixa dúvida de que ele se referia à impiedade de todos os homens.

Além do mais, notemos o que Paulo escreveu imediatamente antes dessas palavras. No versículo 16, Paulo declara que o evangelho é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. Isso significa que, não fosse o poder de Deus conferido através do evangelho, ninguém teria forças, em si mesmo, para voltar-se para Deus. Paulo prossegue, asseverando que isso tem aplicação tanto aos judeus quanto aos gentios. Os judeus conheciam as leis divinas em seus mínimos detalhes, mas isso não os poupou de estarem debaixo da ira de Deus. Os gentios desfrutavam de admiráveis benefícios culturais, mas esses não os aproximaram em nada de Deus. Havia judeus e gentios que muito se esforçavam por acertar a sua situação diante de Deus, mas, apesar de todas as suas vantagens e de seu “livre-arbítrio”, eles fracassaram totalmente. Paulo não hesitou em condenar a todos eles.

Observemos igualmente que, no versículo 17, Paulo diz que “a justiça de Deus se revela”. Por conseguinte, Deus mostra a sua retidão aos homens. Deus, porém, não é um tolo. Se os homens não precisassem da ajuda divina, Ele não desperdiçaria o seu tempo prestando-lhes tal ajuda. A conversão de qualquer pessoa acontece quando Deus vem até ela e vence-lhe a ignorância ao revelar-lhe a verdade do evangelho. Sem isso, ninguém jamais poderia ser salvo. Ninguém, durante toda a história humana, concebeu por si mesmo a realidade da ira de Deus, conforme ela nos é ensinada nas Escrituras. Ninguém jamais sonhou em estabelecer a paz com Deus por intermédio da vida e da obra de um Salvador singular, o Deus-Homem, Jesus Cristo. De fato, o que ocorre é que os judeus rejeitaram a Cristo, apesar de todo o ensino que lhes foi ministrado por seus profetas. Parece que a justiça própria alcançada por alguns judeus ou gentios levou-os a deixarem de buscar a justiça Divina através da fé, para fazerem as coisas à sua própria maneira. Portanto, quanto mais o “livre-arbítrio” se esforça, tanto piores tornam-se as coisas.

Não existe um terceiro grupo de pessoas, que se situe em algum ponto entre os crentes e os incrédulos — um grupo de homens capazes de salvarem-se a si mesmos. Judeus e gentios constituem a totalidade da humanidade, e todos eles estão debaixo da ira de Deus. Ninguém tem a capacidade de voltar-se para Deus. Deus precisa tomar a iniciativa e revelar-Se a eles. Se fosse possível ao “livre-arbítrio” dos homens descobrir a verdade, certamente algum judeu, em algum lugar, tê-lo-ia feito! Os mais elevados raciocínios dos gentios e os mais intensos esforços dos melhores dentre os judeus (Rm 1.21; 2.23,28,29) não conseguiram aproximá-los nem um pouco sequer da fé em Cristo. Eles eram pecadores condenados juntamente com todo o resto dos homens. Ora, se todos os homens são possuidores de “livre-arbítrio”, e todos os homens são culpados e estão condenados, então esse suposto “livre-arbítrio” é impotente para conduzi-los à fé em Cristo. Por conseguinte, a vontade dos homens, afinal, não é livre.

Martim Lutero

Fonte: http://www.ortopraxia.com

Estudo da Semana: Corações em Chamas – A Piedade Reformada

O calvinismo é bastante conhecido e respeitado por sua teologia. Mas o que podemos dizer a respeito de sua piedade?
Algumas vezes nos é dito que calvinistas não são bons cristãos. De acordo com uma crítica: “Nada vai levar tanto ao orgulho e a indiferença como a afeição pelo calvinismo. Nada destruirá a santidade e a espiritualidade como o apego pelo calvinismo fará. As doutrinas do calvinismo irão destruir e matar tudo: oração, fé, zelo e santidade.”
Talvez seja verdade que alguns que se chamam calvinistas não sejam tão bons cristãos – os “chamados afastados” algumas vezes são mesmo chamados. Mas se eles não são bons cristãos, também não serão bons calvinistas, porque um verdadeiro entendimento da teologia reformada resulta em uma experiência cristã vibrante que irá encher a sua vida espiritual de vitalidade. Longe de esfriar o calor da piedade, as doutrinas da graça ajudam a causar crescimento.
Em nenhum lugar isso é tão claro como na vida de João Calvino, em toda sua paixão por Cristo. “Esforce-mo-nos”, escreveu Calvino em Golden Booklet of the True Christian Life, “para alcançar um alto grau de santidade até que cheguemos a perfeição da bondade que buscamos e perseguimos em vida, mas que só obteremos quando libertos da mentalidade terrena e sejamos admitidos por Deus em Sua comunhão.” Em outras palavras, nós devemos lutar por uma santidade contínua, mesmo se o objetivo não for alcançado, devemos nos esforçar até vermos o Senhor em Sua Glória.
O calvinismo é completamente comprometido com o calor da piedade pessoal porque é completamente comprometido com a Bíblia. Somente nas Escrituras, disse Calvino, “podemos encontrar a principal raiz da transformação de nossas vidas.”
É a Escritura que nos mostra o caráter justo de nosso santo Deus, e nos fala para sermos santos assim como Ele é santo (vide Lv 20.26; 1Pe 1.15)
São as Escrituras que nos ensinam a justiça requerida por Deus na sua santa lei. São as escrituras que proclamam o evangelho de Jesus Cristo, pois Ele se tornou nossa santidade pela fé (ver 1 Co 1.30). São as Escrituras que testificam da obra do Espírito, cuja santidade nos conforma a Cristo. E são as Escrituras que nos chamam para perseverarmos “na santidade sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14)
Também são as Escrituras que nos ensinam as doutrinas distintivas da teologia Reformada, comumente conhecidas como Calvinismo. Essas doutrinas não nos impedem de procurarmos por santidade, como muitas vezes é dito, mas na realidade nos impulsionam para uma vida de mais santidade. Mais ainda, essas doutrinas fazem da santidade um alvo totalmente possível ao basear nossa experiência de vida cristã na graça poderosa de nosso Deus.
Talvez a melhor doutrina para começar seja mesmo a depravação total. Como Calvino, calvinistas crêem que nada que façamos é completamente bom. O pecado distorceu todos os aspectos de quem somos. Nossas mentes, corações, vontades e até mesmo nossos corpos foram corrompidos pela nossa iniqüidade.
Essa doutrina pode não parecer muito encorajadora. Entretanto, o conhecimento do pecado nos leva ao arrependimento – que é o primeiro passo para a santidade. Somente quando vermos quão longe da santidade estamos, nós iremos a Deus por sua Graça. Só, e somente só, nós estaremos prontos para a obra justa que o Senhor requer. Não há santidade sem arrependimento, e não há arrependimento sem conhecimento do pecado. Ou seja, a doutrina da depravação total é fundamental para a santidade no evangelho.
A segunda doutrina distinta da fé Reformada é a eleição. Essa verdade ensina que o que acontece na nossa salvação é determinado por uma decisão prévia de Deus. Eleição é o decreto de Deus em amor por sua soberania para que nossa salvação não seja baseada em nada que façamos, mas somente em sua misericórdia. A graça de Deus é a escolha de Deus.
Críticos dizem que essa doutrina elimina qualquer incentivo para a santidade pessoal. Se fomos escolhidos por Deus desde a eternidade, nossa salvação está segura. Então por que se perturbar em viver uma vida justa?
Essa crítica é uma perigosa distorção daquilo que a Bíblia ensina. Longe de eliminar a necessidade da santidade pessoal, a doutrina da eleição nos chama para uma vida de santidade. Nós fomos escolhidos em Cristo justamente para o propósito da santidade.
Para ver isto, nós temos que seguir a lógica paulina do início de Efésios. Aqui, o Apóstolo agradece a Deus por ter nos escolhido em Cristo “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4a). Mas por que Deus nos deu essa bênção? Qual foi seu propósito ao nos escolher em Cristo? É justamente para que nos apresentemos santos e irrepreensíveis diante dEle (Ef 1.4b)
A doutrina da eleição, então, é um chamado a santidade. Deus nos escolheu para sermos santos em Jesus. Paulo faz essencialmente o mesmo argumento em Romanos, quando diz que fomos “predestinados para sermos conforme a imagem de Seu filho” (Rm 8.29). Nós fomos chamados por Deus para sermos como Jesus, de acordo com seu padrão de justiça. Ao invés de nos tornar orgulhosos e presunçosos, a graça da predestinação é a base para nossa santificação.
A terceira doutrina distintiva é a soberania de Deus. Em uma certa extensão, todo cristão diz crer nessa doutrina. Entretanto, só os calvinistas têm uma compreensão boa da soberania de Deus, ao não limitar o controle de Deus sobre as escolhas humanas, mas crendo que Ele “preserva e governa todas as criaturas e suas ações” (Catecismo Breve de Westminster, Resposta 11)
Algumas pessoas dizem que uma visão tão grande da soberania de Deus elimina qualquer senso de responsabilidade humana, incluindo nossa responsabilidade para o crescimento espiritual. Mas o calvinismo entende que esta não é a lógica da Bíblia. “Desenvolvam a vossa salvação com temor e tremor”, Paulo escreve aos Filipenses (Fp 2.12). Mas com que base o apóstolo faz esta exortação? Seria por que tudo depende de nós, então devemos desenvolver nossa própria santidade? Nunca seremos completamente salvos?
Ao contrário, Paulo nos diz para desenvolvermos nossa salvação “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Fp 2.13). A obra graciosa de nosso soberano Deus estabelece a base para uma vida de serviço e devoção a Deus. João Calvino escreveu: “A santidade não é um mérito pelo qual nós alcançamos comunhão com Deus, mas um presente de Cristo, que nos capacita para nos inclinarmos a Ele e O seguirmos”
Finalmente a graça soberana de nosso Deus é base para uma vida de oração, que é o coração de toda vida piedosa. Oração não é o caminho para ganharmos algo que Deus não quer nos dar – ou um modo de fazermos Deus fazer algo que Ele não quer fazer. Ao invés disso, é um modo de rendermos nossa própria vontade ao propósito soberano de Deus. Nós oramos de acordo com as promessas de Deus, pedindo o que somente Ele pode fazer, e então esperamos que Ele responda. Somos todos calvinistas quando oramos, pois em oração nos submetemos à soberania de Deus, confiando em Seu plano gracioso para nossas vidas.


Philip Ryken

Tradução: Rafael Bello| iprodigo.com| original aqui

Devocional: Graça e Humildade

mas dá graça aos humildes.” Tiago 4:6

Os corações humildes buscam a graça, portanto, a obtém. Os corações humildes se submetem às doces influências da graça, e assim, a graça é voltada sobre eles mais e mais abundantemente. Os corações humildes permanecem nos vales de onde fluem os riachos da graça, e assim, bebem deles. Os corações humildes estão agradecidos pela graça e dão ao Senhor a glória por tal, e por isso, é consistente com Sua honra que Ele lhes proporcione graça.

Vamos, querido leitor, ocupe um lugar humilde. Seja pequeno em sua própria estima, para que o Senhor faça muito por  você. Talvez venha um suspiro: “temo que não sou humilde“ Talvez essa seja a linguagem da verdadeira humildade. Alguns estão orgulhosos de serem humildes, e esse é um dos piores tipos de orgulho. Somos criaturas necessitadas, inválidas, indignas, merecedoras do inferno, e se não somos humildes, deveriamos ser. Temos que nos humilhar por causa de nossos pecados contra a humildade, e então o Senhor nos dará o provar Seu favor. A graça nos faz humildes e a graça encontra uma oportunidade nessa humildade para derramar maior graça. Temos que descer para que possamos subir. Temos que ser pobres em espírito para que Deus nos faça ricos. Sejamos humildes para que não precisemos ser humilhados, para que sejamos exaltados pela graça de Deus.

C. H. Spurgeon

FONTE: Projeto Spurgeon

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