Estudo da Semana: Pacificadores

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. (Mt 5:9)

O moderno uso da palavra “pacíficos” (no grego, “pacificadores”) talvez possa ser melhor traduzido por tolerantes, homens que amam a paz de tal maneira que se esquivam da batalha ou luta. No rumor da luta em torno da verdade em qualquer terreno (também na Igreja)aparecem estes fazedores (com seu ideal humanista de tolerância) de paz, como verdadeiros anjos da paz.

É grande a tentação de aplicar a estas pessoas esta bem-aventurança: Bem-aventurados estes pacificadores porque serão chamados filhos queridos de Deus.

Diante de figuras como Neemias que se indignou a ponto de atirar todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara e que contendeu com aqueles judeus que haviam casado com mulheres não judias e por isso os amaldiçoou e espancou alguns deles, e lhes arrancou os cabelos e os conjurou por Deus, estes ditos “pacificadores” dão a enorme impressão de que são sobre humanos e angelicais.

Visto deste ponto humanista, estes são os filhos de Deus e os “Neemias”, pessoas perigosas (Neemias 13). Estes pacificadores não têm inimigos, pois não deixam as pessoas em paz? Tolerância na igreja, na escola, na sociedade… este foi o belo slogan do liberalismo. Mas a Bíblia não concebe este ideal de tolerância.

Na Bíblia, a paz descansa sempre na justiça e na verdade, descansa no fim da injustiça e da mentira, descansa em fazer justiça, de forma que o poder dos maus é reprimido. Seraías (Jr. 51:63-64) foi um príncipe pacífico, e claramente ele teve que lançar uma grande pedra no rio como imagem da queda da Babilônia. Isto certamente não foi muito tolerante; isto encerrava uma luta terrível de morte entre medos, persas e babilônicos; isto continha ou levava em si o juízo de Deus sobre a cidade de sangue (Ap. 19:2; 18:24).

E a esta classe de pacifistas, que falam do direito de Deus e do direito de Seu povo, os tem por inimigos. Assim também o poeta doSalmo 120. Este busca a paz. Este busca a paz pela justiça – e por ele suscita os maus contra si.

Também os discípulos de Jesus logo seriam presos e lançados no cárcere porque revolucionavam o povo. Porém se dá o caso que o Pacificador por excelência, o próprio Príncipe da paz, seria acusado como aquele que fez cair o povo em desgraça e seria crucificado como revolucionário.

0 Salvador, sentado no monte, contempla o círculo de Seus discípulos. Vê o intrépido Pedro, que depois, em suas cartas, escreveria sobre “homens maus, enganadores, falsos mestres”.João escreveria sobre o mentiroso que nega a Divindade de Cristo(1 Jo 2:22), sobre os filhos do diabo (1 Jo 3:10), sobre o charlatãoDiótrefes (3 Jo. v.l5),

Estes são os pacificadores, por mais estranho que pareça ao ideal de paz humanista.

Pedro pôde, de todo coração, escrever na mencionada carta:“Graça e paz vos sejam multiplicadas” (2 Pe 1:2), e João: “A paz seja contigo” (3 Jo v. 15).

Não se trata de uma paz pela qual a justiça e a verdade simplesmente tenha que ser emudecida (deixar de ser ouvida) por amor a “paz” que proíbe aos oprimidos clamar por justiça; não se trata de uma “paz” para os maus e para o mundo inimigo de Deus; os pacificadores, aqueles que são filhos de Deus, não se referem a semelhante paz.

Os filhos de Deus não podem ter paz alguma com o mal, nem com o mundo. Logo o próprio mal se voltará contra eles. Pois os primeiros, intuitivamente, notam que estes pacificadores constituem uma grave ameaça para sua própria falsa paz, e por isto aqueles os vêem e consideram como “a mosca” que contamina o ungüento (Ec 10:1).Os filhos de Deus são pacificadores.

Entretanto, a luta continua, enquanto os pacificadores do mundo e os pacificadores de Cristo estiveram frente a frente.

Mas chegará o dia que todos os nossos anciãos serão pacíficos, e nossos fanáticos, justos. Então, a saudação apostólica: “paz seja convosco”, se verá totalmente cumprida. Bem-aventurados são estes pacificadores diante do Príncipe da Paz.

Athëunis Janse

Fonte: http://www.ocalvinismo.com/2010/03/pacificadores-atheunis-janse.html

Devocional: Uma oração verdadeira

Quando se pediu ao reverendo Joe Wright que fizesse a oração de abertura no Senado de Kansas, todos esperavam uma oração ordinária, mas isto foi o que todo escutaram: Senhor, viemos diante de Ti neste dia, para Te pedir perdão e para pedir a tua direção.
Sabemos que a tua Palavra disse: ‘Maldição àqueles que chamam “bem” ao que está “mal“, e é exatamente o que temos feito.
Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores. Temos explorado o pobre e temos chamado a isso “sorte”. Temos recompensado a preguiça e chamamo-la de “Ajuda Social”. Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temo-lo chamado “a livre escolha”. Temos abatido os nossos condenados e chamamo-lo de “justiça”. Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamamo-lo “desenvolver a sua auto-estima”. Temos abusado do poder e temos chamado a isso: “Política”. Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temo-lo chamado “ter ambição”. Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temo-lo chamado “liberdade de expressão”. Temos ridicularizado os valores estalecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temo-lo chamado de “obsoleto e passado”.
Oh Deus!, olha no profundo dos nossos corações; purifíca-nos e livra-nos dos nossos pecados.
Amem.


Fonte: http://renatovargens.blogspot.com/

Devocional: Falsos Profetas

Ao dizer às pessoas que tivessem “cuidado com os falsos profetas” (Mt 7.15), Jesus obviamente assumiu que eles existiam. Não faz sentido você pôr um alerta no portão do seu jardim: “Cuidado com o cão!”, se tudo que tiver em casa for um casal de gatos ou um periquito australiano. Não. Jesus alertou seus seguidores sobre os falsos profetas porque eles já existiam.
Nós os encontramos, em numerosas ocasiões, no AT, e Jesus parece ter considerado os fariseus e saduceus da mesma forma — “líderes cegos conduzindo outros cegos” —; foi dessa forma que ele os chamou. Jesus também deixou implícito que eles cresceriam e que o período que precederia o fim seria caracterizado não apenas pela expansão do evangelho, mas também pelo surgimento de falsos mestres que levariam muitos a se desviar.
Ouvimos falar a respeito deles em quase todas as cartas do NT. São chamados de “falsos profetas” (“profetas”, presumivelmente porque afirmam ter inspiração divina), de “falsos apóstolos” (porque afirmam ter autoridade apostólica), de “falsos mestres”, ou, até mesmo, de “falsos cristos” (porque tem pretensões messiânicas). Mas cada um deles é “falso” — pseudoprofeta, pseudo-apóstolo, pseudomestre ou pseudocristo —; pseudos é a palavra grega para mentira.
A história da Igreja tem um longo e sombrio histórico de controvérsias com os falsos mestres. O valor dessas controvérsias, na prevalente providência de Deus, é que elas apresentaram à Igreja um desafio para pensar e definir a verdade, mas causaram muito prejuízo. Infelizmente, ainda hoje há muitas delas nas igrejas.
Ao nos recomendar que tivéssemos cuidado com os falsos profetas, Jesus fez outra conjectura: há um padrão objetivo de verdade que deve ser distinguido do falso profeta. A noção de “falso” profeta seria irrelevante, se isso não fosse verdade.

John Stott

Fonte: [ O Calvinismo ]

Devocional: Porque alguém deveria se comprometer a uma igreja?


Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog

Devocional: É Legal Não Ser Legal

O evangelho nos dá liberdade de sermos “legais” sem sermos legais. Nós sabemos que não somos “legais” – embora nos esforcemos muito para nos convencer e aos outros também, que basicamente somos “certinhos”. Mas o evangelho nos diz: “Relaxe, está acabado. A pressão acabou.”

Por causa do evangelho, não temos mais nada para provar ou proteger. Podemos deixar de “fazer de conta”. Podemos tirar nossas máscaras e sermos verdadeiros. O evangelho nos liberta do esforço de tentar impressionar as pessoas, satisfazê-las, impressioná-las ou convencê-las que somos bons. O evangelho nos liberta do fardo de tentar controlar o que as outras pessoas pensam de nós. Ele nos liberta da busca miserável, insaciável de nos tornar alguma coisa utilizando os outros.

O evangelho nos liberta do que certo escritor chama de “a lei da competência” – a lei, ele diz, “que nos julga carentes se não formos capazes, se não pudermos dar conta do recado, se não pudermos equilibrar nossos diversos desempenhos sem alguma escorregadela”. O evangelho nos garante o poder de admitir que somos fracos, necessitados e agitados – sabedores de que a obra consumada de Cristo provou ter todo o poder e capacidade e paz de que nós precisamos, e mais do que isso. Considerando que Jesus é a nossa força, nossa fraqueza não ameaça nosso senso de valor e apreço. Agora temos liberdade de admitir nossos erros e fraquezas sem achar que nossa carne está sendo arrancada dos nossos ossos.

O evangelho nos liberta da urgência de nos valorizar, de nos exibir em proveito próprio, em nossa programação e auto-estima. Quando você compreende que seu significado, segurança e identidade estão todos ancorados em Cristo, não precisa vencer – está livre para perder. E nada neste mundo fracassado pode derrotar uma pessoa que não tem medo de perder! Você está livre para dizer coisas malucas, perigosas e contrassensos como “O viver é Cristo e o morrer é lucro”!

Agora você pode passar a  vida cedendo o seu lugar para os outros em vez de proteger-se – porque sua identidade está em Cristo, não no lugar que você ocupa.

Agora você pode viver a  vida sendo passado para trás em vez de procurar o primeiro lugar – porque sua identidade está em Cristo, não na sua posição.

Agora você pode passar a vida dando, não tomando dos outros – porque sua identidade está em Cristo, não nas suas posses.

A liberdade real, pura, não adulterada aparece quando os recursos do evangelho esmagam qualquer sentido de necessidade garantida para mim, qualquer coisa além do que Cristo já garantiu para mim.

Tullian Tchividjian

Extraído do meu próximo livro Jesus + Nada = Tudo

Traduzido por Yolanda Mirdsa Krievin

Fonte: http://www.blogfiel.com.br

Devocional: “Foi Deus quem me disse” e a Suficiência da Escritura

Eu fiquei perplexo (o que não acontece muitas vezes). Certo homem me disse que seu supervisor havia designado a ele a tarefa de elaborar um plano para a plantação de uma nova igreja, e que quando ele orou sobre isso, Deus o instruiu para usar as palavras de Cristo. Deixe-me esclarecer. Ele contou que Deus ordenara que em seu planejamento para essa nova igreja, ele deveria consultar, refletir e citar apenas palavras que Jesus havia dito.

Esse homem era um empregado de tempo integral em uma organização cristã. Era evidentemente cristão. Além disso, ao contrário de outros empregados dessa organização, tinha um mestrado em teologia. Obtido em um seminário evangélico. Lá ele foi, como nós imaginamos, treinado cuidadosamente sobre a Bíblia e sobre teologia. Também devemos imaginar que ele trabalhou de alguma forma liderando uma igreja local, já que agora ocupava uma posição de muita responsabilidade. Foi essa pessoa que estava diante de mim e me disse com sincera piedade e sinceridade verdadeira que Deus o ordenou a consultar apenas as palavras de Cristo quando estivesse planejando uma nova igreja.

Se você já foi ao circo e viu aquela típica entrada dos palhaços, em que um carro minúsculo surge no meio do palco, e de dentro dele sai uma porção de palhaços que logo se espalham pelo meio da platéia causando risadas e até alguns sustos, você tem alguma idéia do que aconteceu na minha cabeça quando eu ouvi isso. Mas sem a parte engraçada. “Jesus mencionou a igreja explicitamente apenas duas vezes!”, pensei. “Há mais de 20 outros livros no Novo Testamento que são cartas com instruções a igrejas!”, pensei. “Quem foi que te deu tanta responsabilidade?”, pensei. “O que foi que te ensinaram no seminário?”, pensei. “Como foi que Deus te disse isso?”, pensei. “O que mais ‘Ele’ falou?”, pensei.

E tinha mais. Eu não disse nada, em parte pela surpresa, em parte pelo medo do que eu pudesse dizer. Após algumas perguntas respondidas com grunhidos, decidi dizer alguma coisa simples sobre como havia outros livros do Novo Testamento que o Espírito de Cristo inspirou particularmente para direcionar igrejas, e que eu esperava que ele também levasse em conta, e logo dei um jeito de sair dali. Espero que minha surpresa diante disso tudo não tenha ficado muito evidente.

Situações como essa – e muitas outras – que aconteceram nos últimos anos que me encorajou a refletir sobre a importância da doutrina da suficiência da Escritura. Essa doutrina foi um dos pontos fundamentais da Reforma Protestante. Uma das maiores disputas entre Roma e os Reformadores era se Deus havia de fato prometido que continuaria provendo instruções inspiradas e inerrantes através de Pedro e seus sucessores. Roma afirmava que era isso que Jesus havia ensinado em Mateus 16. Os reformadores negavam isso, dizendo que, pelo contrário, a Escritura por si só era suficiente para instrução, mediante a iluminação de nossas mentes pelo Espírito Santo. Eles ensinaram que as Escrituras são claras e suficientes. Questões importantes seriam claras ao entendimento, não obscuras. E as Escrituras, se vistas como um todo, seriam suficientes para nossa necessidade de orientação divina. Existem muitas outras questões relacionadas a isso, mas o que devemos levar em conta aqui é simplesmente que as Escrituras são suficientes.

Enquanto o protestantismo Evangélico como um todo continuou a ensinar assim – margeado pela declaração de autoridade da igreja de Roma e a tradição pela direita, e declarações subjetivas de autoridade da “luz interior” de cada um pelos Quakers pela esquerda – surgiu outro pensamento em meio ao evangelicalismo.  Mais em nossa vida prática do que na teologia escrita, surgiu a idéia de que a Palavra escrita de Deus deve se tornar a Palavra de Deus a nós pessoalmente por meio de algum tipo de poderoso encontro com ela ou com seu significado. Isso não acontece em meio à leitura de textos sobre divindade, como muitos teólogos Neo-Ortodoxos como Karl Barth imaginavam, mas prática comum e corriqueira. Lembro-me de outro amigo que participou de um grupo evangélico de estudantes, onde ficaram por duas horas cantando, orando sinceramente e clamando que Deus falasse com eles, enquanto por todo esse tempo suas Bíblias ficaram fechadas em seus assentos. Esse é o problema que a prática do “Deus me disse” com a suficiência da Escritura. E se nossos pastores e líderes não entendem que a Escritura é suficiente, não devemos nos surpreender os membros de nossas igrejas, em uma sincera busca pela verdade, forem até Roma, de um lado, ou ao subjetivismo liberal, do outro, buscando algum tipo de autoridade que seja suficiente. Os Mórmons, em particular, se aproveitam da fraqueza dos evangélicos nesse ponto de terem pouca instrução a respeito da suficiência da Escritura.

Essa questão é vital para nós pastores, particularmente se formos pastores que valorizam a centralidade da exposição bíblica em nosso ministério. Um entendimento da suficiência da Escritura é o contexto em que afirmamos, mantemos e praticamos a centralidade da Escritura na vida da igreja.

Vinte anos atrás, em meio à enxurrada de escritos sobre a inerrância da Escritura, pouco foi escrito sobre a suficiência da Escritura. Ela apareceu em escritos sobre a visão dos Reformados sobre a Escritura. Então você podia ler um grande artigo de R. C. Sproul, “Sola Scriptura: Crucial ao Evangelicalismo”, no livro Os Fundamentos da Autoridade Bíblica, editado por James Montgomery Boice. Mais recentemente, Wayne Grudem escreveu um capítulo muito bom sobre a suficiência da Escritura em sua Teologia Sistemática. As últimas páginas são dedicadas às aplicações práticas da doutrina, e há muita sabedoria nelas. Ele afirma claramente que “quando estamos enfrentando problemas de genuína importância em nossa vida cristã, devemos buscar a Escritura com a confiança que Deus nos proverá orientação através dela para o nosso problema”.

Se vamos nos comprometer com o pastoreio das ovelhas, levando-as à Palavra de Deus, devemos estar aptos a responder o que significa a suficiência das Escrituras. Devemos saber, considerar, explicar e ensinar que as Escrituras são suficientes. Eu sei que elas são. Deus me disse:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. (2 Timóteo 3.16-17)

Mark Dever

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo

Estudo da Semana: Você é o que você come

“Se não comer, não posso viver. E se não viver, não posso comer”, disse certa vez o célebre Chaves do Oito. Não é necessário falar do quão importantes (para não dizer, necessárias) as refeições são para nossa sociedade. Sentar-se à mesa ou fazer um lanchinho rápido são parte da nossa rotina. Comentar uma comida boa é um excelente assunto em uma conversa. Dividir um alimento pode ser um prazer – ou um fardo. E dizem que casamentos foram feitos (e desfeitos) na cozinha.

A parábola do filho pródigo é contada como resposta à acusação dos fariseus de que Jesus comia com pecadores. Sabe-se que, nos tempos de Cristo, assentar-se à mesa com alguém significava mais que um dividir um lanche. Significava colocar-se em igualdade, aceitar essa pessoa em seu meio. Daí o escândalo dos religiosos da época de Jesus. “Fazer uma refeição era fazer teologia”, resume Conrad Gempf.

Uma coisa que raramente levamos em consideração nessa história toda é como a situação do filho mais novo se reflete nas refeições em que ele está envolvido.  E essa dieta do pródigo, por sua vez, pode refletir a situação do nosso coração. “O que alguém pode (e escolhe) servir expressa sua própria posição e ajuda a definir sua relação com os outros. O que é oferecido para você, o convidado, é uma medida de sua situação aos olhos da sociedade e do seu anfitrião”, nos diz Richard I. Pervo. E é isso que observaremos aqui.

Servindo a si mesmo

Jesus não fala dos hábitos alimentares do filho mais novo enquanto ele estava “vivendo dissolutamente” (Lc 15.13). Porém, é razoável que aceitemos que provavelmente ele usou boa parte do seu dinheiro com bebida e comida, talvez chamando amigos para unir-se a ele, talvez oferecendo jantares às prostitutas. Viver dissolutamente geralmente envolve o mau uso de dons como a alimentação e o sexo. Ainda que isso seja apenas especulação, algo é certo – no mínimo, o Pródigo gastou uma parte de seus bens satisfazendo suas necessidades básicas de comida e bebida.

Não somos diferentes do filho mais novo. Nossa vida é toda sustentada por Deus. Ele nos entrega não apenas tudo o que precisamos para viver, mas também incontáveis bênçãos e dons. Porém, nosso coração pecaminoso tende a seguir o caminho do pródigo e considerar a herança mais valiosa que o Pai. Corrompemos os bens que o Senhor nos entrega e os utilizamos para alcançar nossos objetivos egoístas: comer e beber demais, conquistar inúmeros parceiros sexuais e “aproveitar” tudo o que a vida parece oferecer. O nome disso é ingratidão, por não se lembrar de quem acabou pagando sua viagem à terra longínqua (v.13). O nome disso é idolatria, pois o Doador é menos amado que os dons.

A palavra é dura, mas é preferível admitir que esse é nosso coração. Que terrível é perceber que mesmo quando estou pecando, só posso fazer isso porque Deus me garante o ar nos pulmões, o batimento do coração e a eletricidade dos neurônios. “Deus faz chover sobre justos e injustos”, diz Jesus (Mateus 5.45). É assustador pensar que, em certo sentido, o pai do pródigo bancou as festas que seu filho promoveu – não porque ele as aprovava, mas porque ele era provedor.

Servindo aos porcos

Porém, Deus tem suas maneiras de nos chamar a atenção para o fato de que ele é o doador. Na história do pródigo, isso está relacionado também à alimentação. Jesus nos diz que “houve naquela terra uma grande fome” (v.14). É nesses momentos de falta que nos lembramos de onde veio o que temos. É quando caímos em si e percebemos que estamos, na verdade, apascentando porcos e desejando suas bolotas.

Em tempos de necessidades, não levamos em consideração a qualidade do que chega ao nosso estômago. Ouvimos relatos de homens famintos que tornaram-se canibais após um desastre aéreo, de náufragos que vivem de água salgada e peixe cru por semanas e de pessoas que tiveram de alimentar-se de seus próprios excrementos. A fome precisava ser satisfeita. Eles queriam viver. Se fosse possível, escolheriam outra coisa, mas era necessário comer algo.

Receio que essa seja uma figura da vida humana. Nascemos com um desejo imenso de satisfação, temos em nós um buraco no estômago, queremos viver a qualquer custo. E, para isso, aceitaremos o que aparecer primeiro. Alguns pratos parecem melhores (festas, amigos, romance, espiritualidade), enquanto outros destroem nossa vida de maneira mais rápida (drogas, promiscuidade, glutonaria). Mas, no fim das contas, eles são apenas coisas finitas tentando tapar um espaço infinito. Há fome na terra, e estou desejando comida de porcos.

O apóstolo Paulo tinha do que se orgulhar. Era respeitado tanto na sociedade judaica (por sua religiosidade) quanto na sociedade romana (pelo status de sua cidadania). Ele estudou com os maiores mestres de seu tempo, nos maiores centros da cultura. Provavelmente, tinha as melhores companhias e uma reputação invejável. Entretanto, ele diz que agora enxergava tudo como esterco (Filipenses 3.8). Por quê? Por que ele havia conhecido um cardápio superior.

Servido pelo Pai

O filho volta para casa e é o estômago (não a aceitação do pai) que serve como principal argumento – “quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!” (v.18). O pródigo queria trabalhar como um dos servos, merecer seu prato de comida. Ele gostaria de servir ao seu pai.

Mas esse pai, figura do Deus que “não é servido por mãos humanas… pois é ele quem dá a todos vida, respiração e todas as coisas” (At 17.25), não permite que o moço o sirva para poder comer. Pelo contrário, o filho é recebido com uma festa, em que o bezerro cevado (provavelmente o anima mais caro da fazenda, guardado para ocasiões extremamente especiais por seu valor e sabor) é morto para que todos “comam e alegrem-se” (Lc 15.23). O pródigo não trouxe nada em suas mãos além de fome e desespero, mas é servido por aquele que tem poder, riquezas e autoridade.

A história, porém, não acaba aqui, mas termina com alguém novamente usando a comida como referência. O filho mais velho, figura dos fariseus e legalistas, se ira pelo tratamento farto dado ao irmão. Ele lembra que trabalhou a vida inteira na fazenda e jamais recebeu sequer um cabrito como recompensa ou prova de gratidão. Ele queria servir ao pai.

Alguns detalhes interessantes: o irmão mais velho pede um prêmio bem mais modesto, talvez para mostrar sua “humildade”, enfatizar o desperdício do pai ou os dois. A resposta de bondoso homem mostra a tolice daquele que deseja comprar pequenos favores de Deus: “meu filho, tudo meu é teu” (v.31). O filho mais velho podia até se considerar digno de um cabrito, mas o pai estava aberto a lhe bancar muito mais que isso.

Recusando o novilho e invejando os porcos

O Evangelho é escandaloso porque nos ensina que não estamos por aqui trabalhando para ganhar pequenos prêmios, mas que tudo que é de Deus é nosso em Cristo. Por muito tempo, não cri naquela estranha passagem de Paulo em 1 Co 3.21,22: “todas as coisas são suas: quer Paulo ou Apolo ou Cefas, ou o mundo ou a vida ou a morte ou o presente ou o futuro – todas as coisas são suas”. Imaginava que era um tipo de hipérbole ou até mesmo ironia.

Mas é verdadeiro! Em Cristo, tudo é nosso, porque somos de Cristo e Cristo é de Deus (1 Co 3.23). Porque em Cristo, somos herdeiros de todas as coisas (Rm 8.17; Hb 1.2). Porque aqueles que aproximam-se em pobreza e fraqueza herdarão a terra (Mt 5.3,5). Porque Deus, desde já, nos dá todas as coisas (At 17.25), já nos deu seu filho e nos dará muito mais (Rm 8.32).

Tullian Tchividjian nos lembra:

“Por desígnio divino, o homem, como originalmente foi criado, desfrutava de uma existência ampla, caracterizada não por limites, mas pela falta deles. Sua esfera diária era inundada com um senso real de tudo. E, mais importante, esse tudo incluía, um relacionamento livre com o próprio Deus”.

Não é sem motivo que o salmista canta: Como é precioso o teu amor, ó Deus! Os homens encontram refúgio à sombra das tuas asas. Eles se banqueteiam na fartura da tua casa; tu lhes dás de beber do teu rio de delícias (Sl 36.7,8).

O nosso problema, C.S. Lewis já disse, é que desejamos muito pouco. Como os teólogos da prosperidade querendo meramente seus sonhos de consumo ou os teólogos da libertação desejando apenas igualdade para todos ou alguns evangelicais buscando conforto terapêutico. Como os moralistas que só desejam um mundo sem perversão e os libertinos sonhando apenas com prazer e quebra de regras. Raramente lembram-se do mais precioso da fazenda, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo. Nunca lembram-se do que se segue: uma Nova Criação, onde não haverá choro e somente alegria na presença do Pai.

Nosso erro é nos enganarmos, pensando que a alegria e conforto estão em outro lugar. Somos como o pródigo, que vivia em um lar de abundância de amor e alegria, mas era incapaz de enxergar além de sua própria luxúria. Somos como o irmão mais velho, que vivia neste mesmo lar de amor, alegria, mas não pôde ver além da própria justiça e da mísera recompensa, um pequeno bode, em comparação à festa grandiosa que o pai oferece.

A Bíblia ordena que sejamos alegres. Que participemos da festa. E a alegria e a festa que ela menciona é aquela que encontraremos na casa do pai. Alegremo-nos e festejemos porque estávamos mortos, mas agora estamos vivos!

Josaías Jr.

PS.: Dois livros importantes para esse texto: A Meal With Jesus, de Tim Chester, e Jesus + Nothing = Everything, de Tullian Tchividjian. Ficam como sugestões :)


Fonte: http://iprodigo.com

Devocional: O servo não está acima de seu Senhor

Jesus disse em Mateus 10.24: “Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor”. Esta dupla declaração é axiomática; não precisa ser posta à prova. Na primeira frase, presume-se que o discípulo escolhe seu mestre; e na segunda, supõe-se que o senhor compra o escravo ou servo. O que Jesus está dizendo é que o primeiro princípio do discipulado é a nossa submissão a Ele. Nossa vontade está em proeminência na relação discípulo/mestre – escolhemos aprender sob a direção do mestre. A soberania de Jesus está em evidência no paradigma servo/senhor – Ele nos escolhe para sermos seus servos. Esta é a dualidade básica inerente na doutrina da salvação. Em qualquer uma das duas situações, é óbvio que temos de ser submissos.

A relação do discípulo com o mestre pode ser expressa positivamente de diversas maneiras à medida que buscamos ser semelhantes a Cristo (vide Lc 6.40; Cl 3.16; 1 Jo 2.6). Entretanto, no grande contexto de Mateus 10, Jesus relata as verdades do discipulado de um ponto de vista negativo. O servo não está livre da perseguição e da oposição tanto quanto Jesus não o estava. Este fato evidencia-se à medida que Jesus prepara os Doze para o ministério alhures, e os avisa da vinda inexorável da hostilidade.

Esta mesma expectativa aplica-se a nós também. Quanto mais semelhantes a Jesus nos tornamos, mais o mundo nos tratará como o tratou. Se não estivermos sofrendo muito por amor a Ele, então talvez seja hora de examinarmos a nós mesmos (2 Co 13.5).

Se quisermos ser seguidores de Jesus, sob todos os aspectos, devemos estar prontos a pagar o preço. De fato, Mateus 10.25, diz: “Basta ao discípulo ser como seu mestre”. Isto significa que devemos perseguir constantemente o alvo de ser como Jesus (cf. Fp 3.14-17). Não nos excedamos no afã de termos maiores privilégios do que tinha Jesus, nem procuremos meios de fugir às necessidades e adversidades que Ele enfrentou. Quando nossa semelhança com Ele for como deve ser, tornar-se-á possível triunfar no sofrimento.

John MacArthur

Fonte: http://www.ocalvinismo.com

Devocional: Tu me amas?

Simão, filho de João, tu me amas? (João 21.16)

À primeira vista, “tu me amas?” aparenta ser uma pergunta simples; e num certo sentido é. Até mesmo uma criança pode entender o amor e pode dizer se ama ou não outra pessoa.

Entretanto, “tu me amas?” é, na verdade, uma pergunta penetrante. Nós podemos
saber demais,
e fazer demais,
e professar demais,
e falar demais,
e trabalhar demais,
e ostentar demais a nossa religiosidade,
e, apesar disso, estar mortos diante de Deus, por falta de amor, e no final descermos para o abismo.


Amamos mesmo a Cristo?

Essa é a grande pergunta!
Sem isso, nosso cristianismo carece de vida. Não seremos melhores do que

bonecos de cera,
bichos empalhados expostos em museu,
bronze que soa e címbalo que retine.


Não há vida, onde não há amor por Jesus.

Conhecimento,
ortodoxia,
entendimento acertado,
uso correto de ritos,
vida moral respeitável;
nada disso torna um cristão verdadeiro.

J. C. Ryle (1816–1900)


Fonte: The Gospel of John (Commentary, 1873),

Tradutor: Marcos Vasconcelos
www.mensreformata.blogspot.com

Devocional: Deus ou Mamom? (Richard Baxter)

Fonte: http://www.youtube.com/user/JosemarBessa#p/u/6/bxcFKsbTywQ

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