Devocional: Não é…

Não é o que minhas mãos têm feito que pode salvar minha alma culpada;


Não é o que minha carne labutante tem suportado que pode encher o meu espírito;


Não é o que eu sinto ou faço que pode me dar a paz com Deus;


Nem todas as minhas orações, súplicas e lágrimas podem suportar a minha terrível carga;


Tua graça apenas, ó Deus, pode pronunciar perdão a mim;


Teu poder somente, ó Deus, pode quebrar esse penoso cativeiro;


Nenhuma outra obra, senão a Tua;


Nenhum outro sangue o fará;


Nenhuma força, senão aquela que é divina, pode me sustentar seguramente.

Horatius Bonar

Fonte: http://www.ocalvinismo.com

Devocional: Não há Coroa sem Cruz

1. Qualquer que seja a classe de provações que nos aflige, devemos sempre manter a vista na seguinte meta: temos de nos acostumar ao menosprezo [das vaidades] da vida presente, para que possamos meditar na vida futura.

O senhor sabe que, por natureza, somos inclinados a amarmos este mundo de maneira cega e carnal; portanto, usa excelentes meios para nos atrair até Ele e elevar-nos de nossa negligência, de modo que nosso coração não se apegue demasiado a essa estúpida inclinação.

2. Não há, entre nós, ninguém que não lute apaixonadamente durante todo o curso de sua vida por conseguir a imortalidade celestial; nem ninguém que não trate de alcançá-la.

Realmente estamos envergonhados de não sermos melhores que os animais cuja condição, em absoluto, não seria inferior à nossa se não fosse pela esperança da eternidade depois da morte.

Porém, se examinarmos acerca dos planos e empreendimentos ambiciosos, e as ações de cada indivíduo, descobriremos que suas ambições só alcançam o nível desta terra.

Por isso, podemos nos considerar realmente estúpidos, quando permitindo que nossa mente se cegue com o esplendor das riquezas, do poder e da honra, não possa ver nada mais além destas coisas.

Também o coração angustiado e cheio de avareza, ambição e outros maus desejos, não pode elevar-se acima do nível terreno.

Em resumo, quando a alma se encontra envolta em desejos carnais, busca sua felicidade nas coisas desta terra.

3. Para resistir a esta inclinação do homem natural, o Senhor nos ensina o que é na verdade a vaidade da vida presente, por meio das varias lições mediadas pela aflição.

Para que os cristãos não se sintam cômodos com uma vida de facilidades e conforto, Deus permite que sejam freqüentemente perturbados por meio de guerras, revoluções, roubos e outras calamidades.

Para que não se apeguem com avidez às riquezas passageiras deste mundo, ou que não venham a depender somente daquilo que possuem, Ele lhes reduz à pobreza, ou limita-lhes à mediocridade, algumas vezes por meio do exílio, outras pela esterilidade da terra, às vezes pelo fogo ou qualquer outro meio.

Para que não sejam demasiado complacentes ou se deleitem em excesso com a vida matrimonial, permite que tenham algum outro desgosto, devido aos defeitos de ambos, marido e mulher, humilha-os através dos filhos, ou lhes aflige com o afã de querer deixar descendência e não poder tê-la, ou até por meio da perda de um filho.

Porém, sendo Deus tão bom e misericordioso com os Seus, por meio das enfermidades e dos perigos lhes ensina o quão inestimáveis e passageiras são as bênçãos terrenas, de maneira que não se encham de vangloria.

4. Portanto, entendamos que somente podemos colher favores da cruz quando aprendemos que esta vida, em si mesma, está cheia de dissabores, dificuldades e misérias; que não é uma vida feliz de nenhum ponto de vista, e que as suas chamadas bênçãos são incertas, passageiras e estão mescladas com um sem-fim de adversidades.

Tenhamos, pois, presente que a única coisa que podemos esperar neste mundo é uma luta contínua e atroz; elevemos então nossos olhos ao céu para vermos ali nossa coroa.

Todavia, devemos admitir que nosso coração nunca está disposto a meditar e desejar as bênçãos da vida futura, a menos que tenha aprendido conscienciosamente a deixar de lado as vaidades do mundo presente.

João Calvino

Fonte: http://www.ocalvinismo.com

Estudo da Semana: Jesus – filho da virgem e da prostituta

Registro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão:(…)Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé;(…)e Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. (Mateus 1:1,5,16)

Embora, segundo a Bíblia, todos os seres humanos partilhem uma mesma origem e sejam iguais em valor, não é bem assim que a humanidade se enxerga. Em todas as sociedades existem normas, “réguas” pelas quais nós medimos o valor das pessoas. E uma das mais comuns é a “origem”, o sangue.

Assim as castas na Índia são estruturadas de acordo com a família. Na Europa criou-se a nobreza, os de “sangue azul”. Japoneses não são muito simpáticos a que seus filhos se casem com os gaijin (não japoneses) e o mesmo pode ser dito de várias outras etnias. Mesmo em sociedades que se orgulham de ser mais democráticas, como os Estados Unidos, surgiram padrões como o wasp (branco, anglo-saxão e protestante) para designar as famílias mais “nobres”.

O Brasil não é exceção, inclusive dentro das igrejas evangélicas. A “boa família” é uma característica desejada para um bom partido (seja marido ou esposa), ajuda a arrumar amizades, a conseguir posições eclesiásticas e até a projetar ministérios (como a cantora irmã de Fulana ou o deputado filho do pastor Beltrano). Assim como no resto da sociedade, quem não tem uma “boa origem”, aparentemente, sofre um pouco mais para achar o seu lugar debaixo do “Sol” protestante. Que o digam, por exemplo, os que se convertem já na mocidade e tentam se encaixar em uma igreja onde todos são parte de alguma família.

Mas…isso é bom ou ruim? A resposta pode ser surpreendente.

O filho da virgem

Mas, se há alguém que pode vindicar o título de “Família Real” da humanidade, este é o caso da família do rei Davi. Desde a queda do homem no Jardim do Éden (a história está em Gênesis 3), Deus havia prometido que um Salvador viria “esmagar a cabeça da serpente” e ser uma bênção para todas as nações. Este Salvador era um homem, mas ao mesmo tempo, seria o Filho de Deus. O nome dele é Jesus, 100% Deus e 100% homem.

E é de propósito que Deus determina uma espécie de linhagem santa e real que leva até Jesus. Essa distinção é feita logo na abertura do Novo Testamento: Jesus é filho de Davi (rei) e de Abraão (o patriarca da fé). Ele não é um personagem isolado no tempo, mas o ponto culminante de uma história que começou na criação, passou pela fé dos patriarcas (Abraão) e pela dinastia de Davi. Jesus é o cumprimento de uma série de promessas e histórias, de uma caminhada de fé transmitida de geração a geração por pessoas santas.

Isso tudo é corporificado em Maria, a mãe de Jesus. Ela não era uma mulher qualquer: era uma virgem, da família mais importante da humanidade e cheia de qualidades e virtudes. A Bíblia não registra em detalhes a história dela, mas certamente ela foi a mais virtuosa das mulheres, o símbolo da origem santa de Jesus. O Cristo é filho da virgem.

O filho da prostituta

Contudo, a Bíblia não registra apenas o lado belo da Família Real. Afinal, de todas as ofensas que você pode dirigir a outro ser humano, é meio difícil achar uma mais ofensiva do que “filho da prostituta” (eufemismo). E, bem, a Bíblia mostra que, se Jesus era filho da mais santa das mulheres, Ele também era filho (descendente) de uma mulher desprezada e desonrada aos nossos olhos. De modo deliberado, Mateus destaca que Jesus era filho da prostituta Raabe.

A história de Raabe você encontra no livro de Josué. Ela era cananeia, moradora de Jericó, uma cidade inimiga de Israel, a primeira que seria conquistada pelos hebreus na Terra Prometida. Naquele tempo, a prostituição não era um mero comércio de corpos e prazeres sexuais. Na verdade, era uma atividade ligada aos cultos cananeus de fertilidade. O agricultor fertilizava a prostituta (uma espécie de sacerdotisa) assim como o deus Baal deveria fertilizar a terra (com chuva) para abençoar a colheita.

Raabe era, portanto, uma inimiga, uma prostituta e uma idólatra. Três vezes maldita. Três vezes desprezível segundo a Lei de Moisés. É difícil pensar em uma origem pior, uma forma pior de começar a vida.

Mas a pecadora mudou de lado. Ela protegeu espiões israelitas que foram até Jericó e salvou-lhes a vida. Pediu a proteção de Israel e acabou salvando a si mesma e aos seus parentes. Mais do que isso: ela foi acolhida pelos israelitas. Casou-se com Salmom, filho de Naassom, príncipe da tribo de Judá. Foi mãe de um dos homens mais ricos e respeitados em sua época, Boaz, de Belém, antepassado do rei Davi.

E, embora Raabe não fosse parte de uma linhagem santa, tornou-se parte dela. Tornou-se mãe de reis. Mais que isso, tornou-se mãe do Rei dos Reis, antepassada de José e de Maria, uma das três mulheres destacadas na genealogia de Jesus.

A mensagem de Jesus

O que estes fatos nos ensinam? Qual a relevância de Jesus ser, ao mesmo tempo, filho de uma virgem e de uma prostituta?

Em primeiro lugar, ela nos mostra que o Evangelho não é a história de homens e mulheres que se encontram individualmente com Cristo. Hoje a espiritualidade é vista como uma decisão individual, de preferência, descontextualizada da experiência dos pais e até mesmo do povo. É a história do “meu filho vai escolher a religião que vai seguir”. Mas o Evangelho é mais do que isso: é a concretização de uma fé e de uma esperança de uma família, de um povo, de toda a humanidade. É um tesouro que deve ser passado de geração em geração.

Portanto, as famílias que servem ao Senhor durante várias gerações podem se orgulhar de sua história e de sua tradição. Não legamos aos nossos filhos apenas uma herança material, mas também uma herança espiritual, como aconteceu com a família do rei Davi.

Em segundo lugar, a genealogia de Jesus nos mostra que, aos olhos de Deus, o que conta mesmo é a decisão de servi-Lo. Uma vez que alguém decide servir ao Senhor e abandona os ídolos, os falsos deuses, os pecados e até mesmo os valores errados de seu povo, esse alguém é acolhido pelo Senhor. O passado não conta mais, de forma tal que até mesmo uma prostituta é destacada no meio de todas as outras que foram mães de Jesus.

E aqui há uma mensagem de esperança e uma advertência. Para aqueles que não se sentem filhos “das pessoas certas”, tiveram uma infância problemática e um passado cheio de escolhas ruins, Jesus nos mostra Raabe como o exemplo de que Ele veio mudar tudo isso. Nada pode impedir Jesus de agir em nós e nos tornar iguais aos “príncipes e princesas” de Israel.

Para os demais, que reparam demais na origem das pessoas, fica a advertência de que não é assim que o Senhor nos olha. Jesus não observa a etnia, a conta bancária e nem a certidão de nascimento de seus filhos. Quando Ele vai providenciar as bênçãos para a sua Igreja, Ele ignora até mesmo os pecados cometidos no passado, desde que exista arrependimento. E, se é assim com o Senhor, deveríamos fazer o mesmo e acolher igualmente o bisneto do presbítero e a jovem universitária punk que acabou de se converter. Como está escrito:

Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. (Efésios 2:11-13)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima

Barro nas mãos do Oleiro

Fonte: http://reformaecarisma.blogspot.com/

Devocional: O que os outros dizem de Você?

Considere o que outros podem dizer sobre você. Embora as pessoas estejam cegas quando às suas próprias faltas, facilmente descobrem os erros dos outros — e consideram-se aptas o suficientes para falar deles. Algumas vezes, as pessoas vivem de maneiras que absolutamente não são adequadas, porém estão cegas para si mesmas. Não vêem seus próprios fracassos, embora os erros dos outros lhes sejam perfeitamente claros e evidentes. Elas mesmos não vêem suas falhas; quanto às dos outros, não podem fechar os olhos ou evitar ver em que falharam.

Alguns, por exemplo, são inconscientemente muito orgulhosos. Mas o problema aparece notório aos outros. Alguns são muito mundanos ainda que não sejam conscientes disso. Alguns são maliciosos e invejosos. Os outros vêem isso, e para eles lhes parecem verdadeiramente dignos de ódio. Porém, aqueles que têm esses problemas não refletem sobre eles. Não há verdade no seu coração e nem nos seus olhos em tais casos. Assim devemos ouvir o que os outros dizem de nós, observar sobre o que eles nos acusam, atentar para que erro encontram em nós, e com diligência verificar se há algum fundamento nisso.

Se outros nos acusam de orgulhosos, mundanos, maus ou maliciosos — ou nos acusam de qualquer outra condição ou prática maldosa — deveríamos honestamente nos questionar se isso é verdade. A acusação pode nos parecer completamente infundada, e podemos pensar que os motivos ou o espírito do acusador está errado. Porém, a pessoa perspicaz verá isso como uma ocasião para um auto-exame.

Deveríamos especialmente ouvir o que os nossos amigos dizem para nós e sobre nós. É imprudente, bem como não-cristão, tomar isso como ofensa e se ressentir quando os outros apontam nossas falhas. “Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos” (Pv 27.6). Deveríamos nos alegrar que nossas máculas foram identificadas.

Mas, também deveríamos atentar para as coisas sobre as quais os nossos inimigos nos acusam. Se eles nos difamam e nos insultam descaradamente — até mesmo com uma atitude incorreta — deveríamos considerar isso como um motivo para uma reflexão no íntimo, e nos perguntar se há alguma verdade no que está sendo dito. Mesmo se o que for dito é revelado de modo reprovável e injurioso, ainda pode ser que haja alguma verdade nisso. Quando as pessoas criticam outras, mesmo se seus motivos forem errados, provavelmente têm como alvo verdadeiros erros. Na verdade, nossos inimigos provavelmente nos atacam onde somos mais fracos e mais defeituosos; e onde demos mais abertura para a crítica. Tendem a nos atacar onde menos podemos nos defender. Aqueles que nos insultam — embora o façam com um espírito e modos não-cristãos — geralmente identificarão as genuínas áreas onde mais podemos ser achados culpados.

Assim, quando ouvirmos outros falando de nós nas nossas costas, não importa o espírito de crítica, a resposta certa é a auto-reflexão e uma avaliação quanto à verdade da culpa em relação aos erros de que nos acusam. Com certeza essa resposta é mais piedosa do que ficar furioso, revidar ou desprezá-los por terem falado maldosamente. Desse modo talvez tiremos o bem do mal, e esta é a maneira mais certa de derrotar o plano dos nossos inimigos, que nos injuriam e caluniam. Eles fazem isso com motivação errada, querendo nos injuriar. Mas, dessa maneira converteremos isso em nosso próprio favor.

Jonathan Edwards

Fonte: http://www.jonathanedwards.com.br

Devocional: Como eu posso abençoar o meu pastor

Conduza alguém a Cristo. Viva uma vida santa. Não perca a sua fé quando você adquirir um câncer. Leve seu filhos a amar a Cristo. Faça algo radical para as Missões.
O ponto comum em tudo isto é você provar com a sua vida que a minha não foi em vão.
Não me dê um Rolls-Royce quando eu fizer 60 anos. Minha vida teria sido em vão se você pensasse que me abençoaria dando-me um grande presente material quando eu fizesse 60 anos. Eu quero ver que a sua vida mudou. Eu quero ver sua vida derramada em favor dos outros. E eu tenho certeza de que é isto que você está me perguntando.
Eu vou a reuniões de oração e ouço minhas ovelhas orarem e eu digo: “É para isto que eu vivo”. Eles estão se segurando em Jesus. A vida deles está caindo aos pedaços por aqui, mas eles não abandonam o Senhor. Eles se alegram Nele. Ouço um homem contar como ele tem compartilhado a Cristo no seu trabalho…
São estas as coisas que fazem um pastor suportar qualquer coisa.

John Piper


http://www.desiringgod.org/resource-library/ask-pastor-john/how-can-i-bless-my-pastor

Lido primeiramente no blog: http://cristaoreformado.blogspot.com/

Fonte: http://resistenciaprotestante.blogspot.com/

Devocional: Deus Imutável!!


Fonte: http://www.projetospurgeon.com.br

Devocional: Adoração

Em uma era crescentemente desconfiada do pensamento (linear), há muito mais respeito pelos “sentimentos” em relação às coisas – seja um filme ou um culto da igreja. É perturbadoramente fácil fazer pesquisas sobre pessoas, especialmente pessoas jovens, migrando de igrejas com excelente pregação e ensino para alguma outra com música excelente porque, segundo é dito, há uma “melhor adoração” lá. Entretanto, precisamos pensar cuidadosamente sobre esse assunto. Vamos nos restringir, por enquanto, à adoração coletiva. Apesar de haver uma série de coisas que podem ser feitas para melhorar a adoração coletiva, há um sentido profundo em que a adoração de excelente qualidade simplesmente não pode ser obtida procurando-se adoração de excelente qualidade. Da mesma forma que, de acordo com Jesus, você não pode se encontrar até que você se perca, também você não pode achar adoração coletiva excelente até que você deixe de tentar achar adoração coletiva excelente e passe a procurar o próprio Deus. Apesar dos protestos, é de se perguntar se nós não estamos começando a adorar a adoração em lugar de adorar a Deus. Como um irmão certa vez colocou para mim, é algo parecido com aquelas pessoas que começam admirando o pôr-do-sol e logo começam a se admirar admirando o pôr-do-sol.

Este ponto é confirmado em uma música de louvor como “Esqueçamos de nós mesmos, exaltemos a Deus, e o adoremos”. A dificuldade é que depois que você cantou este refrão repetidamente três ou quatro vezes, você não avançou nada. O modo com que você se esquece de você mesmo é focalizando em Deus – não é cantando sobre fazer isto, mas fazendo isto. É claro que também há muitas canções, cultos e sermões que ampliam nossa visão de Deus – seus atributos, suas obras, seu caráter, suas palavras. Alguns pensam que a adoração coletiva é boa porque está sendo viva quando poderia estar sendo sombria e tediosa. Mas ela também pode ser superficial quando está viva, deixando as pessoas descontentes e inquietas depois de alguns meses. Ovelhas deitam-se quando estão bem alimentadas (cf. Salmo 23:2); é mais provável que elas estejam inquietas quando estiverem com fome. “Alimente minhas ovelhas”, Jesus ordenou a Pedro (João 21); e muitas ovelhas estão sem alimento. Se você deseja aprofundar a adoração do povo de Deus, acima de tudo aprofunde o entendimento dele quanto à inefável majestade em Sua Pessoa e em Suas obras.

Nós não esperamos que um mecânico discorra longamente sobre as maravilhas das suas ferramentas; nós esperamos que ele conserte o carro. Ele tem que saber usar as suas ferramentas, mas não deve perder de vista o alvo. Assim nós não ousamos focar na mecânica da adoração coletiva, perdendo de vista nossa meta. Nós focamos no próprio Deus, e assim nos tornamos mais piedosos e aprendemos a adorar – e, como efeito colateral, também aprendemos a edificar uns aos outros, suportar uns aos outros e desafiar uns aos outros.

D.A. Carson

Fonte: http://www.challies.com/. O texto é extraído do novo livro de D.A. Carson – “Adoração através do Livro” – e reproduzido no blog do Challies com data de 30/03/2007.

Tradução: Centurio

http://www.bomcaminho.com

Devocional: Lendo a Bíblia Corretamente

A verdade é que muitos de nós têm perdido a capacidade de ler a Bíblia. Quando abrimos nossas Bíblias, nós o fazemos com uma atitude mental que levanta uma barreira insuperável à leitura correta da mesma. Isso parece ser um pouco alarmante, mas não é difícil mostrar que é verdade.

Quando você toma qualquer outro livro, trata-o como uma unidade. Você procura o enredo ou a linha principal do argumento e o segue até o fim. Deixa que a mente do autor conduza a sua. Pouco importa se se permitir algumas olhadelas em várias partes antes de se dedicar à real leitura do livro, você sabe que não o terá entendido até que o tenha percorrido do início ao fim, e, se é um livro que você deseja entender, arranjará tempo para lê-lo inteiramente.

Mas, quando se trata das Escrituras Sagradas, nosso comportamento é diferente. Em primeiro lugar não estamos habituados a tratá-las como um livro, uma unidade, de modo algum, mas simplesmente como uma coleção de provérbios e histórias separadas. Nós supomos, antes de olhar para os textos, que o conteúdo deles (ou, pelo menos, dos que nos afetam) é uma advertência moral ou conforto para os que estão em tribulação.

Portanto os lemos (quando lemos) em pequenas doses, só alguns versículos de cada vez. Não atravessamos um livro todo, muito menos os dois Testamentos como um todo… O resultado é que nunca conseguimos ler a Bíblia. Presumimos que estamos manejando as Escrituras Sagradas de maneira verdadeiramente religiosa; mas na verdade nosso uso delas é bastante supersticioso…

Deus não quer que a leitura da Bíblia funcione simplesmente como um analgésico espiritual para mentes conturbadas. A leitura das Escrituras tem o propósito de despertar nossas mentes e não de fazê-las dormir. Deus nos pede que nos aproximemos das Escrituras como a Sua Palavra (uma mensagem endereçada a criaturas racionais, homens com inteligência) uma mensagem que não podemos esperar compreender sem meditar sobre ela…

Também Deus pede que leiamos a Bíblia como um livro, como uma única história com um único tema. Temos de lê-la como um todo e enquanto lemos precisamos perguntar a nós mesmos: Qual o enredo deste livro? Qual seu verdadeiro tema? Do que ele realmente trata? A menos que façamos essas perguntas, nunca alcançaremos o ponto do qual podemos ver o que ela está nos dizendo sobre nossas próprias vidas.

Quando chegarmos a esse ponto, descobriremos que a mensagem de Deus para nós é mais severa e ao mesmo tempo mais animadora do que qualquer coisa que a religiosidade humana poderia conceber.

J.I. Packer

Fonte: http://www.bomcaminho.com

Estudo da Semana: A ideia esquecida de Lutero

O teólogo da Cruz

Uma das coisas marcantes sobre a ressurgência atual do interesse pela teologia da Reforma, de uma maneira geral, é ausência da provável contribuição mais gloriosa do discurso teológico de Martinho Lutero: a noção do teólogo da cruz.

Durante o encontro da Convenção Saxônica da Ordem Agostiniana, na cidade de Heidelberg, em 1518, um monge chamado Leonhard Beier apresentou uma série de teses que Lutero havia preparado, enquanto o próprio Doutor Martinho presidia os procedimentos. A Disputa de Heidelberg entrou para história como o momento em que Lutero apresentou sua nova teologia radical pela primeira vez.

No coração dessa nova teologia estava a noção de que Deus se revela sob seu oposto; ou, expressando de outra forma, Deus alcança seus propósitos pretendidos ao fazer o exato oposto do que os seres humanos esperam. O supremo exemplo disso é a própria cruz: Deus triunfa sobre o pecado e o mal ao permitir que o pecado e o mau triunfem (aparentemente) sobre ele. Sua força real é demonstrada pela fraqueza aparente. Essa era maneira de um teólogo da cruz pensar sobre Deus.

O oposto disso era o teólogo da glória. Em termos simples, o teólogo da glória assumia que havia uma continuidade básica entre o caminho deste mundo e o caminho de Deus: se a força é demonstrada por meio do poder bruto na terra, então a força de Deus deve ser parecida, somente elevada ao infinito. Para um teólogo assim, a cruz é simplesmente loucura, algo sem sentido.

Alguns responderão: Mas a teologia da cruz não foi esquecida; é frequentemente mencionada, e discutida, e mesmo pregada. Mas aqui está o obstáculo: na Disputa de Heildelberg, Lutero na verdade refere-se não à teologia da cruz, mas aos teólogos da cruz, enfatizando a ideia de que ele não está falando sobre alguma técnica ou processo teológico e abstrato, mas sobre uma maneira real, pessoal e existencial que teólogos de carne e osso pensam e relacionam-se com Deus. A teologia de alguém, quer verdadeira ou falsa, é inseparável da fé pessoal do indivíduo.

Nesse aniversário da Reforma, não devemos reduzir as ideias de Lutero simplesmente à justificação pela graça por meio da fé. Na verdade, essa mesma ideia parece inseparável da noção dos teólogos da cruz. Tristemente, é frequentemente difícil discernir onde esses teólogos da cruz estão. Sim, muitos falam sobre a cruz, mas nas normas culturais de muitas igrejas não parecem muito diferentes das normas culturais da… bem, da cultura. Elas frequentemente demonstram uma atitude em relação ao poder e à influência que vê essas coisas diretamente relacionadas com tamanho, market share, mensagens consumistas, estética, cultura jovem, aparições na mídia, ruídos e pirotecnias estilosas que associaríamos mais ao cinema moderno que ao cristianismo do Novo Testamento. Uma teologia abstrata da cruz pode facilmente ser embalada e vendida por um teólogo da glória. E isso não é para apontar um dedo contra “eles”: na verdade, se formos honestos, muitos, se não todos nós, sentimos a atração de ser teólogos da glória. Previsivelmente, uma vez que ser um teólogo da glória é a posição padrão da natureza humana caída.

O caminho para deixar de ser um teólogo da glória e tornar-se um teólogo da cruz não é fácil, não é simplesmente uma questão de dominar técnicas, ler livros ou aprender um novo vocabulário. É o arrependimento.

O Deus da Cruz

Por trás dessa ideia, entretanto, está uma ideia ainda mais profunda e revolucionária: a do Deus da cruz.

A tese teológica final da Disputa de Heidelberg é certamente a mais profunda, e provavelmente a mais bonita, que Lutero escreveu:

“O amor de Deus não encontra, mas cria, aquilo que lhe apraz. O amor do homem surge por meio daquilo que lhe apraz”.

Nessa afirmação, Lutero conclui sua articulação da lógica da cruz ao usá-la para subverter as noções comuns do amor de Deus. O amor dos seres humanos é fundamentalmente reativo: o amante vê algo intrinsecamente amável na amada, o que atrai seu amor para ela; sua amabilidade precede e, de fato, causa do amor dele. É assim que o teólogo da glória pensa do amor de Deus: obrigado, Senhor, por eu não ser como os outros homens…

O Deus da cruz, entretanto, é muito diferente. Ele se regozija em focar seu amor nos não amáveis e, assim, faze-los amáveis. Essa é a lógica de 1 Coríntios 1: a igreja, sediada em meio a uma cidade portuária, indubitavelmente continha uma grande proporção daqueles que seriam taxados de escória da humanidade – os pobres, fracos, ex-prostitutas, deturpados sexuais; ainda assim, Deus escolheu esses, as coisas que não são, para envergonhar as coisas que são. A própria lógica da cruz é manifesta no fato de que o amor de Deus não reputa as pessoas como a sociedade as reputa; Deus se regozija, pelo contrário, em amar aqueles que são mais desprezados.

Novamente, essa é uma palavra tanto de graça quanto de julgamento para a igreja contemporânea. De graça, porque nos lembra da promessa de Deus que Ele – Ele, e não nós – vai construir sua igreja e os portões do inferno não prevalecerão contra ela. Apenas um Deus da cruz e de amor criativo pode fazer e manter tal promessa. Certamente não há nada maior que possa nos dar confiança do que o pensamento de que é, em ultima instância, Deus quem nos dá o crescimento.

Mas também é uma palavra de julgamento porque nos lembra que nossa tentação de estarmos preocupados com aqueles que a nossa sociedade de celebridades considera amáveis – os jovens, os artistas, os talentosos, os famosos, os elegantes, os indomáveis, os corajosos, os bonitos, os legais, os auto-promovidos e os hipsters – não reflete as prioridades do Deus da cruz. Ele é mais propenso a construir sua igreja com, precisamente, aqueles que esse mundo considera fracos e desprezíveis. De fato, ele se regozija nisso; e a nossa atitude, nosso auto-entendimento, nossa teologia, nossa proclamação de quem Deus é e como ele age, devem refletir isso se formos verdadeiros teólogos da cruz, ao invés de teólogos da glória.

O amor de Deus não busca, mas cria, aquilo que lhe apraz. E assim eram alguns – não, assim éramos todos nós.

Carl Trueman

Traduzido por Josaías Jr e Filipe Schulz | iPródigo | originais aqui e aqui

Devocional: Se o Diabo pregar a verdade (Spurgeon)

Irmãos, é de suma importância na obra do ministério que o pregador seja um homem iluminado por Deus. Não se trata de que a educação deva ser desprezada; pelo contrário, não podemos esperar que o Espírito Santo, nesses dias, conceda aos homens o conhecimento das línguas, se eles podem adquiri-lo mediante um perseverante estudo. A regra divina é: Nunca produzir um milagre supérfluo. Com as faculdades e os poderes que possuímos, temos que apresentar à Deus nossos membros como instrumentos de justiça.
Então, no que concerne à educação do homem, nós cremos que Deus nos delega isso, pois se podemos fazer, não há necessidade de que realize-se nenhum milagre. Porem, ainda que o homem esteja educado de uma maneira excelente, segue sendo, nessa condição, uma massa de barro; Deus tem que soprar em suas narinas o alento de vida espiritual como pregador, pois do contrário não poderia prestar nenhum serviço e seria mais certamente um peso morto para a Igreja de Deus.
O que diremos, então, desses homens que passam ao púlpito porque o sustento familiar é débil, ou porque, talvez, sendo grandíssimos inaptos, seja para o exército, seja para a advocacia, necessariamente precisam ser colocados ali onde sua manutenção pode ser obtida com mais facilidade, na igreja?
Qual deplorável é este pecado em nossos tempos: que as mãos episcopais pousem sobre os homens, declarando que são guiados ao ministério pelo Espírito Santo, quando ainda nem sequer sabem se há um Espírito Santo, no tocante a qualquer conhecimento prático de Seu poder em seus próprios corações! O dia finda, assim espero, em que os homens são mais destros para a caça à raposa do que para pescar uma alma e, em geral, Deus está levantando nesta terra um espírito de decisão enquanto a este ponto: o cristão tem que ser um homem que conhece na prática, em sua própria alma, as verdades que pretende pregar.
É verdade que Deus poderia converter almas por meio de um mal pregador. Vamos, se o diabo pregasse, não me surpreenderia que algumas almas se convertessem, se ele pregasse a verdade. É a verdade, e não o pregador. Os corvos, mesmo sendo pássaros imundos, levaram a Elias seu pão e sua carne: e os ministros imundos podem, algumas vezes, levar aos servos de Deus seu alimento espiritual; porem, apesar disso, Deus diz aos ímpios: “O que você tem a falar sobre a minhas leis?” O ministro tem que ser um homem ensinado por Deus, cujos olhos devem ter sido abertos pelo Espírito Santo. Isto, ao menos, é a regra em vigor, sem importar quantas exceções possam ser argumentadas.

trecho do sermão Sermão No.570 The First Five Disciples

C.H. Spurgeon

Fonte: http://bereianos.blogspot.com

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes